Homem de 55 anos, tabagista, com história de hipertensão mal...

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Q3918099 Medicina
Homem de 55 anos, tabagista, com história de hipertensão mal controlada, apresenta dor torácica súbita, lancinante, irradiada para dorso, associada à assimetria de pulsos entre os membros superiores. PA: 190/110 mmHg. ECG sem alterações isquêmicas agudas. Qual é a conduta inicial correta? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O caso é de forte suspeita de dissecção aguda de aorta, pela dor súbita e lancinante irradiada para dorso, assimetria de pulsos, hipertensão importante e ECG sem sinais de IAM com supra. Nessa situação, o critério inicial é controle anti-impulso com betabloqueador intravenoso e analgesia, e não trombólise, anticoagulação ou vasodilatação isolada.

Tema central: Dissecção aguda de aorta
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o quadro não é de IAM com supra: o ECG não mostra alterações isquêmicas agudas, e os achados de dor em rasgo irradiada para dorso com assimetria de pulsos favorecem dissecção aguda de aorta. Trombólise nesse cenário é potencialmente deletéria, com risco de hemorragia catastrófica.
B
Errada
Está errada porque angiotomografia é exame importante para confirmação em paciente estável, mas a questão pede a conduta inicial. Na suspeita de dissecção, o primeiro passo terapêutico é estabilização com controle anti-impulso e analgesia, não adiar essa intervenção para somente depois da imagem.
C
Errada
Está errada porque anticoagulação plena não trata a dissecção e pode piorar o desfecho ao aumentar risco de sangramento, inclusive por ruptura, hemotórax ou tamponamento. Aplicar lógica de síndrome coronariana aguda aqui é tecnicamente inadequado.
D
Errada
Está errada porque nitroglicerina intravenosa isoladamente não controla o componente decisivo da dissecção, que é a dP/dt. Além disso, vasodilatação sem bloqueio beta prévio pode provocar taquicardia reflexa e aumentar o cisalhamento da parede aórtica, o oposto do objetivo inicial.
E
Certa
A alternativa E está correta porque o betabloqueador intravenoso reduz frequência cardíaca e contratilidade, diminuindo a dP/dt e o estresse de parede aórtica. A analgesia complementa esse controle ao reduzir a descarga simpática associada à dor, que poderia agravar a lesão.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre dor torácica intensa por síndrome coronariana e por dissecção aórtica, além de trocar a primeira medida terapêutica pelo exame confirmatório.
Dica para questões semelhantes
  • Dor abrupta, lancinante, irradiada para dorso, associada a déficit de pulso ou assimetria pressórica, deve acionar a hipótese de dissecção aguda de aorta.
  • Se a pergunta pedir conduta inicial na suspeita de dissecção, pense primeiro em controle anti-impulso com betabloqueador IV e analgesia.
  • Em dissecção, trombólise e anticoagulação empíricas devem ser afastadas pelo risco de piora hemorrágica.
  • Hipertensão grave nesse contexto não se trata com vasodilatador isolado como primeira medida; o alvo inicial é reduzir frequência cardíaca e dP/dt.

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