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Q3918098 Medicina
Paciente de 28 anos, previamente hígido, dá entrada com palpitações, tontura e PA 90/60 mmHg. ECG mostra taquicardia irregular de complexos QRS largos, com frequência média de 220 bpm. ECG prévio revela PR curto e onda delta. Qual é a conduta correta neste cenário?
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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Taquicardia irregular de QRS largo em paciente com PR curto e onda delta sugere fibrilação atrial pré-excitada por via acessória; com hipotensão e tontura, há instabilidade hemodinâmica e a conduta indicada é cardioversão elétrica sincronizada imediata.

Tema central: FA pré-excitada instável
Análise das alternativas
A
Errada
Adenosina é usada principalmente em taquicardias supraventriculares regulares dependentes do nó AV. Aqui a arritmia é irregular, de QRS largo, com pré-excitação documentada, o que aponta para fibrilação atrial pré-excitada. Nessa situação, bloquear o nó AV é inadequado e potencialmente perigoso, porque pode favorecer maior condução pela via acessória.
B
Errada
A amiodarona não é a conduta imediata correta porque o dado que decide a questão é a instabilidade hemodinâmica. Em paciente instável com provável fibrilação atrial pré-excitada, a prioridade técnica é cardioversão elétrica sincronizada, não estratégia farmacológica inicial. A própria base ressalta que discussões sobre antiarrítmicos em pacientes estáveis não mudam esta resolução.
C
Errada
Verapamil bloqueia o nó AV e, em fibrilação atrial pré-excitada, isso pode aumentar o predomínio da condução pela via acessória. O erro da alternativa é aplicar o raciocínio de controle de frequência da fibrilação atrial comum a um cenário com WPW, no qual esse mecanismo pode piorar a arritmia e a instabilidade.
D
Errada
Digoxina também reduz a condução pelo nó AV e pode facilitar condução preferencial pela via acessória. Em fibrilação atrial pré-excitada, isso é fisiopatologicamente inadequado e pode agravar a resposta ventricular, razão pela qual essa opção deve ser excluída.
E
Certa
A alternativa E está correta porque o quadro combina pré-excitação documentada com taquiarritmia irregular de complexos largos e resposta ventricular muito rápida, o que sugere fibrilação atrial conduzida por via acessória. Nesse cenário, a via acessória contorna o filtro do nó AV e permite frequências ventriculares elevadas, com risco de deterioração hemodinâmica e fibrilação ventricular. Como já há hipotensão e tontura, o critério decisivo é a instabilidade hemodinâmica, que impõe cardioversão elétrica sincronizada imediata como medida mais segura e eficaz.
Pegadinha da questão
A banca mistura QRS largo, irregularidade e hipotensão para testar se o candidato reconhece que não se trata de fibrilação atrial comum nem de TSV regular, mas de provável fibrilação atrial pré-excitada por WPW; nesse contexto, bloqueadores nodais AV são perigosos e a instabilidade define cardioversão.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver taquicardia irregular de QRS largo e ECG prévio com onda delta/PR curto, pense primeiro em fibrilação atrial pré-excitada.
  • Em taquiarritmia com hipotensão sintomática, a instabilidade hemodinâmica passa à frente da escolha de antiarrítmico e direciona para cardioversão elétrica sincronizada.
  • Não transfira automaticamente o manejo da fibrilação atrial comum para casos com via acessória; bloqueadores do nó AV podem piorar a condução ventricular.
  • QRS largo não define sozinho taquicardia ventricular; o contexto eletrocardiográfico e a irregularidade mudam a interpretação.

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