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Q3918093 Medicina
Homem, 67 anos, em UTI por choque séptico de foco abdominal, encontra-se em uso de noradrenalina em dose crescente. Evolui com glicemias persistentes entre 180–220 mg/dL, apesar de insulina intravenosa, e apresenta gasometria com pH 7,32; HCO₃⁻ 18 mEq/L; PaCO₂ 30 mmHg; lactato 4,5 mmol/L. Potássio sérico: 5,8 mEq/L. Qual é a interpretação fisiopatológica correta e a conduta mais adequada nesse momento? 
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Gabarito: B

Fundamento decisivo: pH 7,32 com HCO3- 18 mEq/L define acidose metabólica; a PaCO2 de 30 mmHg é compatível com compensação respiratória pela fórmula de Winter. Em choque séptico com noradrenalina em dose crescente e lactato 4,5 mmol/L, a fisiopatologia dominante é acidose láctica por hipoperfusão tecidual, o que torna correta a alternativa que prioriza otimizar perfusão tecidual.

Tema central: Acidose láctica no choque séptico
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o caso não sustenta acidose metabólica hiperclorêmica; o dado relevante é lactato elevado em choque séptico, compatível com acidose láctica. Além disso, suspender insulina diante de hiperglicemia persistente é inadequado, e reduzir vasopressor em choque com piora hemodinâmica pode agravar a hipoperfusão.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o distúrbio primário é acidose metabólica: pH baixo com bicarbonato baixo. A PaCO2 reduzida indica hiperventilação compensatória, e não acidose respiratória. No contexto de choque séptico abdominal, uso crescente de noradrenalina e lactato elevado, a interpretação fisiopatológica é acidose metabólica láctica por hipoperfusão tecidual/disóxia. Assim, a conduta mais adequada é otimizar perfusão tecidual e tratar a causa do choque, e não iniciar bicarbonato de forma imediata nem tratar o quadro como distúrbio ventilatório primário.
C
Errada
Está errada porque acidose respiratória exigiria PaCO2 elevada, o que não ocorre aqui. A PaCO2 está baixa, compatível com compensação respiratória da acidose metabólica.
D
Errada
Está errada porque alcalose metabólica é incompatível com pH acidêmico e bicarbonato reduzido. O uso de catecolaminas não muda essa leitura gasométrica. O potássio elevado pode coexistir no estado crítico, mas não redefine o distúrbio ácido-básico principal.
E
Errada
Está errada porque os dados não comprovam acidose mista; a leitura sustentada é acidose metabólica com compensação respiratória. A PaCO2 baixa afasta acidose respiratória associada, e bicarbonato de sódio imediato não é a medida principal de rotina na acidose láctica com acidemia moderada.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de interpretar a PaCO2 baixa como distúrbio respiratório primário; aqui ela é compensatória. Hiperglicemia e hipercalemia funcionam como distrações, mas o eixo do caso é choque séptico com hiperlactatemia e acidose metabólica láctica.
Dica para questões semelhantes
  • Comece pela dupla pH e HCO3-: pH baixo com bicarbonato baixo define acidose metabólica como distúrbio primário.
  • Use a direção da PaCO2 para decidir se há compensação ou distúrbio respiratório primário; na acidose metabólica, PaCO2 baixa favorece compensação.
  • Em choque séptico com lactato elevado, priorize acidose láctica por hipoperfusão como mecanismo dominante até prova em contrário.
  • Não trate bicarbonato ou ventilação como foco inicial quando o problema central é hemodinâmico.

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