Cifose torácica entre 58° e 65° só influencia a capacidade...

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Q228011 Fisioterapia
Com relação à abordagem do paciente idoso na área da fisioterapia respiratória, julgue os itens subseqüentes.

Cifose torácica entre 58° e 65° só influencia a capacidade respiratória caso ocorra atrofia da musculatura intercostal.
Alternativas

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Tema central: impacto da cifose torácica no idoso sobre a função respiratória. A curvatura acentuada do tórax reduz a complacência da parede torácica, limita a excursão costal e impõe desvantagem mecânica ao diafragma, favorecendo padrão ventilatório restritivo mesmo sem atrofia muscular.

Gabarito: E (errado)

Justificativa da alternativa correta (E): Cifose entre 58°–65° já é suficiente para reduzir a capacidade vital (CV/FVC) e a capacidade pulmonar total (CPT), com FEV1/FVC normal ou elevado, típico de restrição por deformidade torácica. O efeito decorre de rigidez costocondral, redução do movimento “pump-handle” e encurtamento funcional do diafragma, aumentando o trabalho respiratório. Logo, não é necessária atrofia dos intercostais para haver queda da capacidade respiratória.

Raciocínio clínico: diante de deformidade da caixa torácica, pense em restrição extrapulmonar. Espera-se diminuição proporcional de FVC e FEV1 (relação preservada), redução da expansão torácica, possível queda da PImáx/PEmáx por desvantagem mecânica, e piora do desempenho funcional (ex.: TC6).

Por que a alternativa “Certo” está incorreta: a assertiva usa o termo “só” (exclusividade), que é uma “pegadinha” clássica. A literatura mostra que a deformidade estrutural por si só compromete volumes pulmonares e ventilação, independentemente de atrofia intercostal. Mesmo com força muscular preservada, a mecânica torácica fica limitada pela curvatura e calcificação costal no envelhecimento.

Como interpretar itens semelhantes em prova:

  • Desconfie de absolutos (“só”, “apenas”, “sempre”).
  • Em deformidades da caixa torácica, antecipe padrão restritivo sem precisar invocar atrofia muscular.
  • Corrobore com exames: espirometria (FVC↓, FEV1/FVC ≥ normal), expansibilidade torácica reduzida, PImáx/PEmáx para quantificar força, e testes funcionais.

Aplicação prática em Fisioterapia Respiratória: enfoque em mobilidade torácica, exercícios de extensão, técnicas de reexpansão/ventilação dirigida, treino de musculatura inspiratória quando indicado, além de educação postural e condicionamento aeróbio.

Referências essenciais: UpToDate – Effects of aging on the respiratory system; West’s Respiratory Physiology, 11ª ed.; ATS/ERS Statement on respiratory muscle testing; ATS/ERS interpretative strategies for lung function tests; ERS Handbook of Respiratory Medicine.

Conclusão: a cifose torácica moderada já compromete a capacidade respiratória por mecanismos mecânicos; não depende de atrofia dos intercostais. Portanto, a afirmação é errada.

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