Leia as afirmações a seguir antes de julgar o que se pede. ...
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Ano: 2025
Banca:
ISET
Órgão:
Prefeitura de Mirante - BA
Provas:
ISET - 2025 - Prefeitura de Mirante - BA - Assistente Social
|
ISET - 2025 - Prefeitura de Mirante - BA - Educador Físico |
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ISET - 2025 - Prefeitura de Mirante - BA - Nutricionista |
ISET - 2025 - Prefeitura de Mirante - BA - Professor – Matemática |
ISET - 2025 - Prefeitura de Mirante - BA - Professor – Letras Modernas (Inglês) |
ISET - 2025 - Prefeitura de Mirante - BA - Professor |
ISET - 2025 - Prefeitura de Mirante - BA - Psicólogo |
ISET - 2025 - Prefeitura de Mirante - BA - Psicopedagogo |
Q4360879
Português
Texto associado
TEXTO I
Pés juntos
Assim como é evidente a burrice dos que fizeram o texto da
propaganda do chinelo, é evidente, por si próprio, sem
necessidade de adjetivos, o significado gigantesco do contrato
de Vorcaro com a família Moraes
Alexandre Garcia
Na semana do fiasco científico que foi o segundo fracasso
consecutivo de lançamento em Alcântara, caminhamos
também no nível do chinelo no debate político. Explodiu como
o foguete espacial a fala publicitária de Fernanda Torres, de que
não devemos entrar em 2026 com o pé direito. “O que eu desejo
é que você comece o ano com os dois pés”. Antes de ser uma
proclamação ideológica, a frase é uma tremenda burrice. Ora,
quem entra com os dois pés ou está numa maca, ou numa
cadeira de rodas ou num caixão. As pessoas que não estão
nesses casos avançam, alternando as pernas, para caminhar
ou usar escadas. Ninguém consegue fazer isso com os dois pés
à frente a menos que esteja sobre patins. E chinelos não têm
rodas.
O texto dado a Fernanda ressalva: “Não é nada contra a
sorte”. Pois tampouco é uma questão de superstição. É cultural.
Na nossa língua de origem, esquerda é sinistra. No Credo,
Cristo está à direita de Deus-Pai. Está em Eclesiastes, 10-2: “O
coração do sábio se inclina para a direita, mas o coração do
tolo, para a esquerda”. “Senta-te à minha direita” está na
literatura. Usa-se a mão direita para cumprimentar. E o pé
direito para entrar. Ou, no ano eleitoral, estando em campanha,
aconselha-se evitar o uso da direita. Como reação, o boicote
contra as Havaianas não deu certo, pelo menos no shopping
que eu frequentei: a loja estava lotada.
Não deu certo? Deu sim. As notícias sobre o caso MoraesMaster ficaram em segundo plano, enquanto corre solto com os
dois pés o debate altamente grego no nível chinelar. Assim
como é evidente a burrice dos que fizeram o texto da
propaganda do chinelo, é evidente, por si próprio, sem
necessidade de adjetivos, o significado gigantesco do contrato
de Vorcaro com a família Moraes. Mas poucos vão além do
chinelo. Quanto mais Moraes emite notas para explicar o que já
se explicou sozinho, mais Moraes mete os dois pés na jaca,
como aconselha Fernanda Torres.
O senador Alessandro Vieira (MDB Sergipe), delegado de
polícia, quer comissão parlamentar para investigar. Mas já
começaram as férias legislativas, e só 2026 pode descobrir, por
exemplo, quem Toffoli acha que deve ser protegido pelo sigilo
no caso Master – e por quê? Não sei com que pé devemos
entrar no ano novo para ter garantia de transparência no que
parece ser advocacia administrativa pressionando o Banco
Central ou o Governador de Brasília, que defendeu a compra
do falido Master pelo banco estatal do Distrito Federal. O
governador Ibaneis, destituído provisoriamente por Moraes,
retornou ao posto e depois defendeu o negócio com o Master,
conseguindo aprovação da operação no legislativo local. E
ninguém mais incomodou o governador pelo 8 de janeiro.
Uma CPI esclarece essas coisas, assim como a atuação de
ministros do Supremo através de suas esposas, advogados de
sucesso. Advocacias anexas podem ser soluções, mas logo
serão sérios problemas, se o país for além dos chinelos. É a
sina das mulheres dos césares; se advogassem na comarca de Boa Vista ou Rio Branco, estariam acima de suspeitas. Mas em
Brasília, e tendo clientes como J&F Master, as tentações são
grandes e as suspeitas do mesmo tamanho – a menos que
houvesse uma decisão ética dos parentes e afins de, por razões
éticas, manterem distância sanitária entre as bancas de
advocacia e o tribunal. Evitaria contaminação e seria
moralmente saudável.
Com os dois pés na jaca, o Ministro Moraes emitiu uma
segunda nota no mesmo dia, o que, por si, é revelador. O meio
é a mensagem – descobriu McLuhan. A segunda explicação
veio depois que o distinto público entendeu a resposta do Banco
Central apenas confirmando que em reuniões com Moraes
tratou-se, sim, de efeitos da Magnitsky – sem negar que
tivessem tratado do Master. O Ministro, então, fez uma nova
nota, afirmando que o escritório de Viviane e filhos jamais tratou
de interesses do Master no Banco Central. Daí se deduz que
ele já fala pelo escritório, e que lhe é literalmente familiar e, não
menos revelador, que Vorcaro pagou R$ 3,6 milhões por mês,
mas o escritório não o defendeu da liquidação pelo Banco
Central. Pagou por que serviço?
Parafraseando o Barão de Itararé: Ou restaure-se a
moralidade, ou nos afundamos como civilização. Fachin quer
código de conduta porque os supremos estão acima do
Conselho Nacional de Justiça e da Lei Orgânica da
Magistratura. Gilmar tem boas razões para alegar que não
precisa. Também acho, mas tenho razões diferentes: código de
conduta é forjado na medula desde criança, em casa. Tem que
ser da natureza das pessoas. A civilização brasileira voltará à
selvageria se a ética entrar em 2026 com os dois pés – pés
juntos, como num caixão.
Fonte: GARCIA, Alexandre. Pés juntos. https://revistaoeste.com/revista/edicao-302/pesjuntos/ (adaptado)
Leia as afirmações a seguir antes de julgar o que se
pede.
I. Em “E chinelos não têm rodas.” (1º par.), o verbo destacado tem a justificativa de acentuação remissiva à regra dos monossílabos tônicos.
II. Os vocábulos “próprio” (3º par.) e “polícia” (4º par.) têm a justificativa de acentuação baseada em duas regras: a primeira é a das paroxítonas terminadas em ditongo crescente; e a outra, a das palavras proparoxítonas, já que o encontro vocálico final pode ser compreendido, em separação silábica, como um Hiato.
III. Em “[...] quem Toffoli acha que deve ser protegido pelo sigilo no caso Master – e por quê?” (4º par.) e “Pagou por que serviço?” (6º par.), embora possuam diferentes justificativas quanto à regra de acentuação, as duas expressões foram usadas por serem locuções interrogativas de causa.
IV. Encontram-se em colocação proclítica obrigatória os pronomes oblíquos átonos destacados em “Daí se deduz que ele já fala pelo escritório, e que lhe é literalmente familiar e, não menos revelador, que Vorcaro pagou R$ 3,6 milhões por mês, mas o escritório não o defendeu da liquidação pelo Banco Central.” (6º par.)
Pode-se afirmar que se encontra correto o que foi afirmado apenas em:
I. Em “E chinelos não têm rodas.” (1º par.), o verbo destacado tem a justificativa de acentuação remissiva à regra dos monossílabos tônicos.
II. Os vocábulos “próprio” (3º par.) e “polícia” (4º par.) têm a justificativa de acentuação baseada em duas regras: a primeira é a das paroxítonas terminadas em ditongo crescente; e a outra, a das palavras proparoxítonas, já que o encontro vocálico final pode ser compreendido, em separação silábica, como um Hiato.
III. Em “[...] quem Toffoli acha que deve ser protegido pelo sigilo no caso Master – e por quê?” (4º par.) e “Pagou por que serviço?” (6º par.), embora possuam diferentes justificativas quanto à regra de acentuação, as duas expressões foram usadas por serem locuções interrogativas de causa.
IV. Encontram-se em colocação proclítica obrigatória os pronomes oblíquos átonos destacados em “Daí se deduz que ele já fala pelo escritório, e que lhe é literalmente familiar e, não menos revelador, que Vorcaro pagou R$ 3,6 milhões por mês, mas o escritório não o defendeu da liquidação pelo Banco Central.” (6º par.)
Pode-se afirmar que se encontra correto o que foi afirmado apenas em: