Considerando a tipologia e o...

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Q3950738 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Não sou igual a você


Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua é algo estranho para qualquer pessoa. Nem sempre pode ser bom, mas sempre trará algum benefício. Crescer com as divergências, poder conhecer e aceitar diferentes formas de pensamento, ideologias e costumes é um grande desafio para o ser humano.


Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz e vive outras realidades que nada tem a ver com a sua desperta emoções inesperadas em qualquer pessoa. Pode ser alegria, raiva, tristeza, amor etc. Não é possível prever como receberemos uma diferente forma de viver.


O que vale a pena quando o seu grupo entra em choque com outro grupo? Brigar, discutir, partir para a agressão − isso é fácil. Difícil mesmo é aceitar a ideia do outro e saber que, assim como você, o outro tem seus costumes, suas crenças e comportamentos e que ele vai defendê-los, assim como você defende os seus. Difícil é viver em paz com o vizinho totalmente diferente de você.


Se todos fossem iguais, a vida seria muito sem graça. Olhar para o lado e não ver nada diferente seria muito ruim. É um desafio para o ser humano conviver pacificamente com as diferentes formas de viver. Será que você consegue?


CASTRO, Kika. Manifesto a favor do direito de divergir. 6 abr. 2013. Disponível em: https://kikacastro.com.br/2013/04/06/manifesto-a-favor-do-direito-de-div ergir/ . Acesso em: 18 fev. 2026.

Considerando a tipologia e o gênero textual que caracterizam o texto apresentado, analise a forma de organização discursiva, a finalidade comunicativa predominante e os recursos linguísticos mobilizados pelo autor na construção do sentido, e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A predominância é expositivo-argumentativa, pois o texto apresenta um tema geral sobre convivência com diferenças, desenvolve reflexão progressiva com avaliação e contraste, e encerra com interpelação ao leitor: “Crescer com as divergências, poder conhecer e aceitar diferentes formas de pensamento, ideologias e costumes é um grande desafio para o ser humano. [...] Difícil mesmo é aceitar a ideia do outro [...] Difícil é viver em paz com o vizinho totalmente diferente de você. [...] É um desafio para o ser humano conviver pacificamente com as diferentes formas de viver. Será que você consegue?”. Isso afasta narrativa, injunção predominante e descrição estática, confirmando a alternativa B.

Tema central: convivência com a diferença
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra ao classificar o texto como narrativa. Não há personagens definidos, enredo, fatos particulares encadeados no tempo nem ações sucessivas que conduzam a um desfecho. O texto se organiza por ideias gerais e reflexão sobre um tema social, não por acontecimentos narrados.
B
Certa
A alternativa B está correta porque identifica a organização discursiva efetiva do texto: ele expõe um tema geral e abstrato, desenvolve ideias em progressão lógica e sustenta um ponto de vista favorável à aceitação das diferenças. Há marcas claras de argumentação reflexiva, como generalizações (“qualquer pessoa”, “o ser humano”), contraste valorativo (“isso é fácil. Difícil mesmo é...”), juízo de valor e pergunta final ao leitor (“Será que você consegue?”), recurso que não instrui, mas provoca reflexão sobre o comportamento humano diante da diversidade.
C
Errada
A alternativa erra porque não predomina a injunção. O texto não apresenta procedimentos, instruções práticas nem comandos diretos para superar conflitos. Mesmo a interpelação final ao leitor funciona como recurso argumentativo de reflexão, e não como orientação operacional.
D
Errada
A alternativa erra ao apontar natureza descritiva predominante. O texto não se limita à enumeração estática de características; ele desenvolve uma tese, articula contrastes e formula avaliações sobre a convivência com o diferente. A enumeração pontual de emoções não transforma o texto em descrição predominante, porque ela apenas apoia o raciocínio argumentativo.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre texto reflexivo-argumentativo e outras tipologias por causa de três elementos superficiais: a sucessão de parágrafos pode parecer narrativa, a pergunta final pode ser lida como injunção e enumerações pontuais podem sugerir descrição. O decisivo, porém, é a função global do texto: discutir um tema e defender uma posição para provocar reflexão.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o texto organiza fatos no tempo ou ideias em progressão lógica; ideias gerais com tese e avaliação apontam para expositivo-argumentativo.
  • Não trate pergunta ao leitor, por si só, como injunção; observe se ela manda fazer algo ou se apenas reforça a reflexão.
  • Enumeração isolada não define descrição predominante; veja se o texto fica estático ou se desenvolve um raciocínio.
  • Quando o comando cobrar tipologia, finalidade e recursos linguísticos ao mesmo tempo, confirme se a alternativa acerta os três pontos em conjunto.

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