SONETO DE FIDELIDADE Vinícius de Morais De tudo ao meu amo...

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Q593871 Português

SONETO DE FIDELIDADE

Vinícius de Morais

De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

(Vinicius de Moraes. Antologia Poética. Editora do Autor: Rio de Janeiro, 1960, pg. 96)

Acerca do poema, pode-se afirmar:

Alternativas

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Tema central da questão: Figuras de linguagem (Pleonasmo), interpretação de texto e licença poética.

Explicação do conceito: O pleonasmo é uma figura de linguagem que consiste na repetição de um termo ou ideia, podendo ser um vício de linguagem (pleonasmo vicioso) ou um recurso expressivo intencional (pleonasmo estilístico). Quando utilizado para dar ênfase, é aceito na norma-padrão como recurso literário — conforme o que ensina Bechara (Moderna Gramática Portuguesa). Já a licença poética permite ao autor desviar-se de regras gramaticais buscando maior expressividade na obra.

Análise da alternativa correta (C):
✔️ “Na segunda estrofe, a expressão: ‘E rir meu riso’ é um caso de Pleonasmo, contudo, deve-se observar que os pleonasmos se justificam quando há uma intencionalidade estilística, o que ocorre neste caso.”
Neste verso, o poeta replica a raiz do verbo (“rir meu riso”), reforçando a intensidade da emoção. Não há erro gramatical, pois trata-se de uma escolha estilística legítima, reconhecida pelos principais gramáticos, como Celso Cunha e Lindley Cintra.

Análise das alternativas incorretas:

A) Incorreta. Ao afirmar que há “desrespeito à gramática”, a alternativa ignora que o uso estilístico de pleonasmo é amparado pela licença poética, não sendo jamais “desprezado” pelos estudiosos, mas sim analisado como recurso legítimo.

B) Incorreta. A última estrofe: “Mas que seja infinito enquanto dure” refere-se ao amor, não à “chama”. O poeta deseja que o amor viva com intensidade, ainda que não seja “imortal”. Pegadinha comum: o uso da metáfora “chama” pode confundir, por isso, atenção ao sujeito real do verso!

D) Incorreta. A primeira estrofe (“De tudo ao meu amor serei atento...”) mostra dedicação e zelo, justamente o contrário do afirmado. O amor precisa de cuidados constantes segundo o eu lírico.

Estratégia para resolver questões assim: Leia o texto com atenção às palavras-chave, identifique o sentido intencional de figuras de linguagem e relembre que, em poesia, a licença poética e o uso de recursos expressivos são permitidos e valorizados conforme a norma culta (Rocha Lima).

Resumo: Pleonasmos podem ser corretos na literatura quando reforçam ideias. Interprete sempre dentro do contexto.

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Comentários

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LETRA B ESTÁ ERRADA PORQUE NÃO SE REFERE À CHAMA E SIM AO AMOR.

POR ISSO GABARITO C ESTÁ CORRETO

GABARITO DA BANCA:   LETRA C

Pleonasmo consiste na repetição de um termo da oração ou do significado de uma expressão, isto é, alguma informação que é repetida desnecessariamente.

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