"[...] Quem já decifrou o mistério do mar? Do mar vem
a música, vem o amor e vem a morte. E não é sobre o
mar que a lua é mais bela? O mar é instável. Como ele
é a vida dos homens dos saveiros. Qual deles já teve
um fim de vida igual ao dos homens da terra que
acarinham netos e reúnem as famílias nos almoços e jantares? Nenhum deles anda com esse passo firme dos
homens da terra. Cada qual tem alguma coisa no fundo
do mar: um filho, um irmão, um braço, um saveiro que
virou, uma vela que o vento da tempestade
despedaçou. Mas também qual deles não sabe cantar
essas canções de amor nas noites do cais? Qual deles
não sabe amar com violência e doçura? Porque toda a
vez que cantam e que amam, bem pode ser a última.
Quando se despedem das mulheres não dão rápidos
beijos, como os homens da terra que vão para os seus
negócios. Dão adeuses longos, mãos que acenam,
como que ainda chamando." (Jorge Amado, Mar
morto)
Sobre o período: "... acarinham netos e reúnem as
famílias nos almoços e jantares?", pode-se afirmar que: