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Q2400605 Medicina
Uma paciente é transferida da UPA para hospital de referência com diagnóstico prévio de acidente vascular cerebral isquêmico, quadro clínico de ataxia ipsilateral, hipoestesia ipsilateral de face e hemicorpo contralateral, vertigem, nistagmo, surdez e tinitus ipsilateral, além de paresia facial e síndrome de Horner ipsilaterais. De acordo com o caso, assinale a alternativa correta com a provável artéria acometida.
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Tema central: Esta questão explora o raciocínio clínico na localização vascular de um acidente vascular cerebral isquêmico com quadro sindrômico sugestivo de acometimento do tronco encefálico e cerebelo, contemplando sinais neurológicos focais.

Justificativa da alternativa correta (B – Artéria cerebelar anteroinferior – AICA): Os sintomas apresentados — ataxia, hipoestesia e paresia facial ipsilaterais, hemihipoestesia contralateral, vertigem, nistagmo, surdez, zumbido e síndrome de Horner — são característicos do infarto no território da AICA.

Segundo o Harrison’s Principles of Internal Medicine (21ª edição), a AICA irriga a porção lateral da ponte, pedúnculo cerebelar médio, parte do cerebelo e estruturas relacionadas ao VIII par craniano. Quando comprometida, pode causar:

  • Ataxia ipsilateral: lesão do pedúnculo cerebelar médio.
  • Paresia facial e síndrome de Horner ipsilaterais: envolvimento do núcleo/saída do facial e fibras simpáticas.
  • Hipoestesia facial ipsilateral: núcleo do trigêmeo.
  • Surdez/tinitus ipsilateral: isquemia no nervo vestibulococlear.
  • Vertigem e nistagmo: envolvimento dos núcleos vestibulares.
  • Hipoestesia corporal contralateral: trato espinotalâmico.

Esses achados reúnem-se na chamada Síndrome de AICA descrita também por Adams & Victor (Princípios de Neurologia).

Estrategia de prova: Observe sempre a lateralidade dos sintomas e a combinação de déficits auditivos, vestibulares e motores ipsilaterais com sensibilidade corporal contralateral. Este perfil sugere fortemente comprometimento de tronco encefálico lateral baixo.

Análise das alternativas incorretas:

A) Artéria vertebral anterior: Não existe essa denominação na neuroanatomia. Pegadinha comum em provas!

C) Artéria cerebral posterior proximal: Irriga o tálamo e o lobo occipital, não o tronco encefálico ou os núcleos envolvidos. Lesões causam hemianopsias, mas não déficit auditivo/facial ipsilateral.

D) Artéria perfurante paramediana pontina: Irriga área medial da ponte — provocando paralisias motoras e não sintomas sensitivos/auditivos vestibulares característicos do território de AICA.

Resumo: Lesão da AICA = Sinais pontinos laterais ± déficit auditivo; associação de sinais cerebelares, vestibulares, faciais e auditivos ipsilaterais + sensitivo contralateral = Síndrome de AICA.

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A questão apresenta um cenário clínico de um paciente com uma série de déficits neurológicos focais que sugerem um acidente vascular cerebral (AVC) em uma região específica do cérebro. A localização dos sintomas sugere um AVC na fossa posterior, mais precisamente no território da artéria cerebelar anteroinferior (AICA), que é a resposta correta (alternativa B). Os sintomas como ataxia ipsilateral, hipoestesia ipsilateral da face, paresia facial e síndrome de Horner ipsilaterais, juntamente com a perda auditiva e o zumbido (tinnitus), sugerem comprometimento do tronco encefálico e do cerebelo, estruturas irrigadas pela AICA. A vertigem e o nistagmo estão associados ao comprometimento do aparelho vestibular, que também é suprido por esta artéria. As demais alternativas são incorretas porque não correspondem tanto anatomicamente quanto clinicamente com a distribuição dos sintomas apresentados no caso. A artéria vertebral anterior (alternativa A) não existe como uma entidade anatômica reconhecida; a artéria cerebral posterior proximal (alternativa C) iria produzir sintomas visuais e neurológicos diferentes, e a artéria perfurante paramediana pontina (alternativa D) causaria um padrão de sintomas de AVC no tronco cerebral que não incluiria comprometimento auditivo ou ataxia ipsilateral. Portanto, o conhecimento da neuroanatomia vascular é fundamental para correlacionar os sintomas clínicos com a artéria acometida no caso de um AVC.

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