Considerando o trecho, responda às questões 2 e 3: “Se a hip...

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Q2692408 Português

TEXTO I


Inteligência cultural


É ponto pacífico que os seres humanos são dotados de capacidades cognitivas superiores em relação aos símios, seus parentes mais próximos na evolução. Basta lembrara linguagem, o simbolismo matemático e o raciocínio científico, para citar apenas algumas. Tudo indica que essa superioridade esteja relacionada ao grande cérebro que temos, três vezes maior que o dos chimpanzés, e dotado também de três vezes mais neurônios.

A questão central é saber de que modo a estrutura do cérebro e suas estratégias funcionais adquiriram capacidades cognitivas tão poderosas e únicas entre os seres vivos. A natureza teria nos dotado especificamente de uma capacidade superior - a cognição social.

Uma hipótese bem aceita é a da ‘inteligência geral’. Dizem os seus adeptos que os cérebros maiores permitiram realizarmos operações cognitivas de todo tipo, com maior eficiência que outras espécies. Teríamos maior memória, aprendizagem mais rápida, percepção mais ágil (inclusive do estado mental de outras pessoas), planejamento de longo prazo. Dotado dessas potencialidades genéricas, o ambiente faria a diferenciação individual, lapidando cada um diferentemente do outro.

O antropólogo M. Tomasello, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha, defende a hipótese da ‘inteligência cultural’, cuja premissa é que a natureza nos dotou especificamente de uma capacidade superior - a cognição social - que nos oferece um grau elevado de cooperação interindividual, e a construção de redes sociais nunca conseguida pelos símios ou qualquer outra espécie, mesmo aquelas que apresentam uma organização populacional que se pode chamar de social. Outras capacidades humanas seriam semelhantes às dos símios, apenas potencializadas pela cultura e a vida em sociedade.

Se a hipótese da ‘inteligência cultural’ for verdadeira, existiría uma idade em humanos, durante o seu desenvolvimento precoce (antes que a cultura os influencie fortemente), em que a cognição física (relações de espaço, quantidade e causalidade entre fenômenos) seria semelhante à dos grandes símios. Nessa mesma idade, porém, a previsão é que a nossa cognição social seja nitidamente superior à dos chimpanzés e orangotangos.

Os resultados obtidos pela equipe de Tomasello comprovaram a sua hipótese da ‘inteligência cultural’. Nos testes de cognição física, as crianças e os chimpanzés não diferiram estatisticamente, mas ambos tiveram desempenho melhor que os orangotangos. Nos testes de cognição social, entretanto, as crianças mostraram-se muito superiores aos símios que, por sua vez, não diferiram entre si.

Tudo indica, então, que a cultura e a vida social representam capacidades cognitivas que nascem conosco, possivelmente derivadas do nosso grande cérebro povoado por quase 90 bilhões de neurônios. Possivelmente, a aquisição dessa capacidade social se deu em algum momento entre um e dois milhões de anos atrás, quando a evolução foi selecionando cérebros dotados de mais que os 40 bilhões estimados para os australopitecos, nossos ancestrais africanos.

O processo seletivo continuou até chegar ao gênero Homo, que gradualmente atingiu os nossos atuais 90 bilhões e adquiriu novas capacidades: a comunicação entre indivíduos por meio da linguagem, a aprendizagem social de regras de conduta coletiva voltadas para a cooperação, a percepção do estado mental dos outros e de suas intenções e emoções (‘teoria da mente’) e o planejamento de ações futuras de longo prazo.

Assim, nascemos propensos à cooperação social: essa é a nossa força. Provavelmente, os poucos genes que nos diferenciam dos chimpanzés são responsáveis pelos circuitos neurais que coordenam as funções relacionadas à vida social. Sua expressão, entretanto, deve ser modulada pela sociedade que nós próprios construímos.

Roberto Lent

Instituto de Ciências Biomédicas

Universidade Federal do Rio de Janeiro

(Adaptado de: http://cienciahoie.org.br/coluna/inteliqencia-cultural/)

Considerando o trecho, responda às questões 2 e 3:


“Se a hipótese da ‘inteligência cultural’ for verdadeira, existiría uma idade em humanos, durante o seu desenvolvimento precoce” (5º parágrafo).


O emprego do tempo na forma verbal destacada sugere o seguinte sentido sobre a ação descrita:

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: A questão aborda interpretação de texto aliada à correlação de tempos verbais em orações condicionais. O objetivo é reconhecer como o emprego do tempo verbal indica relação de dependência entre duas ações.

Análise da alternativa correta – A) mantém relação de dependência com a condição anterior:

No trecho “Se a hipótese da ‘inteligência cultural’ for verdadeira, existiria uma idade em humanos...”, temos uma típica oração condicional:

  • Oração subordinada condicional: “Se a hipótese... for verdadeira” (verbo no futuro do subjuntivo).
  • Oração principal: “existiria uma idade...” (verbo no futuro do pretérito).

Segundo a norma-padrão (Celso Cunha & Lindley Cintra), essa estrutura estabelece relação de dependência ou condição hipotética: a ação da oração principal só se concretiza se for satisfeita a condição expressa na subordinada. Logo, o sentido é de dependência de uma suposição (“existiria” apenas se a tal hipótese for verdadeira).

Explicação das alternativas incorretas:

B) expressa informação com conteúdo descartávelINCORRETA: O conteúdo não é descartável, pois está atrelado à condição da hipótese. É relevante à linha argumentativa do texto.

C) é assumida como certeza em qualquer cenárioERRADA: Justamente o contrário: “existiria” demonstra condicionalidade e não certeza. Não há garantia da existência, tudo depende da veracidade da hipótese.

D) estabelece oposição à existência da teseERRADA: Não há oposição, e sim dependência. O verbo sugere possibilidade vinculada à condição, sem contrariar a tese do parágrafo.

Orientação para provas: Ao se deparar com orações condicionais iniciadas por “Se...”, observe os tempos verbais e relacione sempre com o contexto de hipótese, necessidade, dependência ou incerteza.

Resumo: O futuro do pretérito (“existiria”) seguido de uma condição (“Se...for verdadeira”) indica que a ação é possível apenas se a condição for satisfeita, mostrando relação de dependência, conforme prevê a gramática normativa.

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Comentários

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O emprego do tempo na forma verbal destacada (“existiria”) sugere uma ação que depende de uma condição anterior. No caso, a existência de uma idade específica em humanos durante o desenvolvimento precoce depende da veracidade da hipótese da “inteligência cultural”. Portanto, a alternativa correta é:

A. mantém relação de dependência com a condição anterior.

No Campo Condicional, uma coisa depende da outra para acontecer ( ou seja -> há relação de dependência )

GAB: A

#PMSE2025, RUMO A 10.000 QUESTÕES

se caso vier a retirar, nao fara mais sentindo. sendo assim, como uma depende da outra. gab A

Se a hipótese da ‘inteligência cultural’ for verdadeira, existiría uma idade em humanos, durante o seu desenvolvimento precoce” (5º parágrafo).

Se a hipótese da ‘inteligência cultural’ for verdadeira, x durante o seu desenvolvimento precoce” (5º parágrafo). n faria sentido

PRA CIMA, PMSE. BOA SORTE PARA TODOS OS SENHORES E SENHORITAS

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