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Q3410843 Português
Texto 01

O básico que funciona: o poder dos hábitos simples para mudar sua vida
Christiane Gonçalves

Muita gente acredita que para melhorar a saúde e ter mais qualidade de vida é preciso mudar radicalmente. Mas isso não passa de um grande mito. Se o seu objetivo é perder peso, começar um exercício, se manter mais focado, ser menos estressado, acordar mais cedo ou fazer qualquer modificação na rotina, o caminho é adquirir hábitos simples.

Tomar sol, beber mais água e trocar o celular por um livro antes de dormir parece algo sem importância, mas a verdade é que essas práticas podem ser muito poderosas.

Mudar não quer dizer começar do zero. Por isso, não adianta implementar hábitos radicais na rotina para obter uma mudança significativa, pelo contrário.

Quem já tentou perder peso através de uma dieta radical sabe bem disso. No início parece fácil – e até gostoso – modificar completamente os hábitos alimentares. Mas, no geral, essa mudança dura apenas algumas semanas.

De acordo com a médica e psicoterapeuta Cristiane Marino, isso acontece porque o cérebro e o corpo não lidam bem com mudanças bruscas e impostas.

“Toda mudança radical imposta bruscamente para o nosso corpo, gera uma resistência imediata. Inconscientemente, com o tempo, a gente acaba boicotando aquele hábito que começamos a seguir com toda empolgação. E aí, aos poucos, vamos deixando essa mudança de lado”, explica a médica. Por isso, ela orienta que os hábitos sejam introduzidos na rotina de forma muito suave, de modo que não gere resistência nem boicote.

No livro Mulheres Que Correm Com os Lobos, a autora Clarissa Pinkola Estés escreveu o seguinte: “Grandes mudanças são resultado cumulativo de ajustes mínimos”. Em outras palavras, não adianta querer resetar a programação cerebral, que já está acostumada há décadas com o mesmo tipo de situação, de um dia para o outro, com uma imposição abrupta. Sendo assim, a melhor maneira de obter aquela mudança de vida tão desejada, é optar pelos hábitos simples. Uma mudança aqui, outro ajuste ali e quando você percebe, a transformação aconteceu de forma natural e já faz parte da rotina.
[...]

Disponível em: vidasimples.co/saude-e-bem-estar/. Acesso em: 6 jun. 2024. Adaptado.
No trecho “Mas isso não passa de um grande mito.”, a palavra “mito” foi usada com o significado de 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema da questão: semântica e interpretação de vocabulário em contexto (sentido contextual de “mito”).

Estratégia para resolver: observe os marcadores discursivos e faça o teste de substituição por sinônimos. O conector adversativo “Mas” (cf. Bechara; Cegalla) introduz oposição ao que muitos acreditam, e a expressão idiomática “não passa de” significa “nada mais é do que”, com valor depreciativo. Assim, “mito”, no contexto, aponta para uma crença falsa ou ideia enganosa. Substitua mentalmente: “Mas isso não passa de uma grande mentira.” A frase continua coerente, confirmando o sentido.

Alternativa correta: D — mentira. Em uso figurado, “mito” pode significar “conceito falso, crença infundada” (dicionários gerais da língua, como Houaiss/Michaelis). O texto afirma que a necessidade de mudanças radicais para melhorar a vida é uma ideia equivocada; por isso, “mito” equivale a “mentira” ou “falsa crença”. Observação ortográfica: o VOLP registra a forma “mito” (sem acento), plural “mitos”.

Por que as demais estão incorretas:

A — piada: remete a enunciado com intenção humorística. O trecho não tem humor; trata de uma crença equivocada, não de graça ou chiste. Incompatível com o valor adversativo de “Mas” e com “não passa de”.

B — anedota: narrativa breve com efeito cômico. Assim como “piada”, supõe ludicidade; o texto não narra fato engraçado, mas refuta uma crença. Sem pertinência semântica.

C — brincadeira: atividade lúdica ou comentário não sério. O autor não sugere que a ideia seja lúdica, e sim falsa. O marcador “não passa de” reforça depreciação por falsidade, não por ludicidade.

E — encenação: representação teatral, simulação. Embora possa aludir a fingimento, o contexto não fala de “fingir” mudanças, e sim de desmentir uma crença. “Encenação” foca no ato de simular; aqui o foco é a inverdade da crença, daí “mentira”.

Pegadinha comum: “mito” também designa narrativa tradicional ou herói lendário. Para evitar confusão, leia os conectores: “Mas” + “não passa de” orientam para negação/retificação, logo, sentido de “falso/enganoso”, não de “lenda” ou “herói”.

Dica prática para a prova: identifique palavras-chave (“Mas”, “não passa de”) e aplique o teste de substituição. Se a troca por “mentira” preserva o sentido e a coesão, você confirma a resposta.

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