Vão atrás, buzinando freneticamente, se por acaso você não ...

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Q3457579 Português
Solidários na porta


   Vivemos a civilização do automóvel, mas atrás do volante de um carro o homem se comporta como se ainda estivesse nas cavernas. Antes da roda. Luta com seu semelhante pelo espaço na rua como se este fosse o último mamute. Usando as mesmas táticas de intimidação, apenas buzinando em vez de rosnar ou rosnando em vez de morder.

   O trânsito em qualquer grande cidade do mundo é uma metáfora para a vida competitiva que a gente leva, cada um dentro do seu próprio pequeno mundo de metal tentando levar vantagem sobre o outro, ou pelo menos tentando não se deixar intimidar. E provando que não há nada menos civilizado que a civilização. Mas há uma exceção. Uma pequena clareira de solidariedade no jângal. É a porta aberta. Quando o carro ao seu lado emparelha com o seu e alguém põe a cabeça para fora, você se prepara para o pior. Prepara a resposta. “É a sua!” Mas pode ter uma surpresa.

   — Porta aberta!

   — O quê?

   Você custa a acreditar que nem você nem ninguém da sua família está sendo xingado. Mas não, o inimigo está sinceramente preocupado com a possibilidade da porta se abrir e você cair do carro.

   A porta aberta determina uma espécie de trégua tácita. Todos a apontam. Vão atrás, buzinando freneticamente, se por acaso você não ouviu o primeiro aviso. “Olha a porta aberta!” é como um código de honra, um intervalo nas hostilidades. Se a porta se abrir e você cair mesmo na rua, aí passam por cima. Mas avisaram. Quer dizer, ainda não voltamos ao estado animal.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Vão atrás, buzinando freneticamente, se por acaso você não ouviu o primeiro aviso. “Olha a porta aberta!” é como um código de honra, um intervalo nas hostilidades. Se a porta se abrir e você cair mesmo na rua, aí passam por cima.

No excerto apresentado, os vocábulos “se” em destaque desempenham, respectivamente, os papéis gramaticais de:
Alternativas

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Tema central: A questão aborda as funções morfossintáticas da palavra “se”, conteúdo fundamental em concursos, pois exige reconhecer, em diferentes contextos, se “se” atua como conjunção ou pronome. O domínio dessas funções é importante para o entendimento preciso de períodos compostos e das articulações do texto.

Análise das ocorrências:

1. “Vão atrás, buzinando freneticamente, se por acaso você não ouviu o primeiro aviso.”
Aqui, “se” introduz uma oração subordinada adverbial condicional, expressando condição para o fato principal (“vão atrás, buzinando”). Ou seja: só irão atrás caso você não tenha ouvido. Função: conjunção condicional.

2. “Se a porta se abrir e você cair mesmo na rua, aí passam por cima.”
O primeiro “se” também introduz uma oração condicional (“Se a porta se abrir...”), estabelecendo a condição para “aí passam por cima”. Função: conjunção condicional.

3. “Se a porta se abrir e você cair...”
Nesse trecho, o segundo “se” acompanha o verbo “abrir”. É pronome pessoal reflexivo: indica que a porta (sujeito) realiza (e recebe) a ação verbal (“abrir-se”, ou seja, abrir por si mesma). É como em “a porta fechou-se”. Função: pronome pessoal.

Justificativa da alternativa correta (A):
A) conjunção condicional, conjunção condicional, pronome pessoal

Resolve a questão porque identifica corretamente cada função: as duas primeiras como conjunção condicional (conectando orações condicionais) e a terceira como pronome pessoal (reflexivo), exatamente conforme a classificação tradicional das gramáticas de referência (Bechara; Cunha & Cintra).

Análise das alternativas incorretas:

  • B: Classifica como “conjunção integrante”, mas nenhuma oração é substantiva (todas são condicionais!).
  • C: Considera a primeira ocorrência pronome, mas ela é conjunção.
  • D: Troca a função do último “se”, que é pronome, não conjunção.
  • E: Todas como “conjunção integrante”, erro conceitual idêntico ao da B.

Dica de prova: Fique atento: “se” como conjunção condicional sempre liga a oração a uma condição; já como pronome, geralmente acompanha verbo e refere-se ao sujeito. O reconhecimento depende de analisar em que contexto a palavra aparece e que sentido atribui à frase.

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I e II - informam condições

III - se abrir - pronome pessoal reflexivo.

A porta abrir-se. Quem sofre e pratica a ação

Gabarito A - Conjunção Condicional, Conjunção Condicional, Pronome Pessoal.

A conjunção condicional é a palavra que liga duas orações indicando que uma ação só acontece se outra condição for cumprida. Ela expressa ideia de condição ou hipótese, mostrando que o fato da oração principal depende da outra.

  • "Se eu tivesse dinheiro, viajaria."
  • "Caso ele chegue, avise-me."

O pronome reflexivo é aquele que indica que a ação do verbo recai sobre o próprio sujeito da frase. Ele mostra que quem pratica a ação é também quem a recebe.

  • Eu me cansei. (Eu pratiquei a ação de cansar e também fui cansado).
  • Ela se vestiu rapidamente. (Ela vestiu a si mesma).

CFOPMBA

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