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Q3616687 Odontologia
Uma paciente de 60 anos, sexo feminino, relata dor intensa, em choque elétrico, no lado esquerdo da face. A dor surge ao escovar os dentes ou tocar levemente na bochecha, durando poucos segundos e desaparecendo espontaneamente. Não há sinais clínicos de infecção ou alterações radiográficas. A anestesia local alivia temporariamente a dor. O cirurgião-dentista sabe estar diante de um caso de:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Dor facial paroxística. O quadro descrito é típico de neuralgia do trigêmeo (NT): dor em “choque elétrico”, unilateral, de curta duração (segundos), desencadeada por estímulos leves (zona de gatilho: tocar a pele/escovar os dentes) e sem achados odontogênicos no exame clínico/radiográfico.

Gabarito: C — Neuralgia do trigêmeo

Justificativa clínica: A NT apresenta crises paroxísticas, breves, intensas, com períodos refratários, frequentemente em pacientes >50 anos. A zona de gatilho é definidora, e a ausência de sinais infecciosos dentários reforça a origem neuropática. A anestesia local pode temporariamente aliviar por bloquear fibras periféricas, o que é uma pegadinha que pode confundir com dor odontogênica.

Diagnóstico e exames: Baseia-se nos critérios ICHD-3: dor unilateral, paroxística, em choque, desencadeada por estímulos inocentes, sem déficit neurológico. Ressonância magnética é recomendada para descartar causas secundárias (compressão vascular por artéria cerebelar superior, tumores, esclerose múltipla). Referências: ICHD-3, UpToDate, diretrizes AAN/EFNS.

Tratamento (conduta de escolha): Carbamazepina ou oxcarbazepina como primeira linha; alternativas: baclofeno, lamotrigina. Refratários: descompressão microvascular ou procedimentos percutâneos; toxina botulínica A com evidência crescente. (AAN/EFNS; Harrison’s; UpToDate)

Análise das alternativas incorretas

A - Pulpite reversível: Dor breve à estimulação térmica/osmótica do dente (frio, doce), sem zona de gatilho facial, geralmente localizada ao dente afetado. Não é típica a dor em choque desencadeada por toque cutâneo. Radiografia e testes pulpares ajudam; aqui o padrão é incompatível.

B - Dor miofascial (bruxismo): Dor surda, contínua, sensibilidade em pontos-gatilho musculares (masseter/temporal), piora com função mastigatória, não em paroxismos de segundos nem em choque elétrico. Não há “zonas de gatilho” cutâneas clássicas como na NT.

D - Periodontite apical aguda: Dor localizada, sensibilidade à percussão, possível edema e dor persistente. Radiologicamente tende a radiolucidez periapical; a alternativa cita “radiopaca circunscrita” (condensação óssea), o que contraria o quadro agudo. Além disso, não cursa com disparos breves por toque cutâneo.

Estratégia para prova: Palavras-chave como “choque elétrico”, “segundos”, “zona de gatilho” e “ausência de achados dentários” apontam para NT. Cuidado com a pegadinha da anestesia local: alívio transitório não exclui etiologia neural.

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