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Q3192343 Medicina
Um médico recebe uma ligação do SAMU que informa que está trazendo um homem de 62 anos que foi encontrado pela esposa desmaiado no chão do seu apartamento. Na chegada ao local, foi constatado que o paciente estava em parada cardiorrespiratória em ritmo não chocável, sendo então iniciadas as manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) na sequência. Ele também foi intubado com sucesso na cena. Na chegada ao pronto-socorro, a equipe vem trazendo o paciente com uso de dispositivo mecânico de compressão torácica. Rapidamente ele é monitorizado e o médico pede à equipe do pré-hospitalar para suspender a RCP para avaliar o paciente e o traçado do ritmo. O monitor mostra bradicardia sinusal, mas ainda sem pulso palpável. Ao exame físico, nota-se murmúrios respiratórios bilaterais com a ventilação mecânica, abdome flácido e uma fístula arteriovenosa no braço esquerdo. Além de RCP alternada com epinefrina a cada 3 a 5 minutos, qual é a intervenção mais apropriada a ser realizada assim que possível? 
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Tema central: Parada cardiorrespiratória em ritmo não chocável (atividade elétrica sem pulso – AESP), com foco nas causas reversíveis e sua abordagem.

Comentário:

Na medicina intensiva, é fundamental identificar causas reversíveis durante a RCP, especialmente diante de AESP. A questão traz um paciente portador de fístula arteriovenosa, dado que sinaliza histórico de doença renal crônica e, portanto, alto risco de hipercalemia. Importante lembrar que a hipercalemia é uma das causas que devem ser sempre consideradas e excluídas rapidamente durante a parada cardíaca.

Na monitorização, o paciente apresenta bradicardia severa sem pulso, quadro clássico da hipercalemia grave que evolui com arritmias fatais. O tratamento imediato nesta situação, conforme as Diretrizes da American Heart Association (AHA, 2020) e manuais de referência como o Harrison’s, é a administração de gluconato de cálcio endovenoso para estabilizar a membrana miocárdica e prevenir a progressão das arritmias.

Análise das alternativas:

A) Pericardiocentese: Indicada no tamponamento cardíaco (tríade de Beck), não presente aqui.

B) Glicose a 50%: Usada em hipoglicemia, que não há indícios neste caso.

C) Bicarbonato de sódio: Reservado para acidose metabólica grave ou intoxicação. Não é a prioridade.

D) Gluconato de cálcio: Correta! Hiperpotassemia é causa provável e tratável. Conduta respaldada em diretrizes (AHA 2020 e UpToDate).

E) Drenagem do hemitórax esquerdo: Indicada em pneumotórax hipertensivo. O caso não sugere esse diagnóstico (não há assimetria ventilatória nem desvio de traqueia).

Dica para provas: Atenção a pistas como fístula AV! Em pacientes renais crônicos, sempre suspeite de hipercalemia quando houver alterações de ritmo, principalmente quando se associa a parada cardíaca sem causa clara. Relembre a lista dos “6Hs e 6Ts” (causas reversíveis) no ACLS.

Segundo a AHA (2020): “O gluconato de cálcio estabiliza rapidamente a função elétrica cardíaca em casos de hipercalemia grave durante a ressuscitação” (Seção Manejo de Ritmos Não Chocáveis).

Resumo: O uso do gluconato de cálcio (alternativa D) é o manejo imediato diante da alta probabilidade de hipercalemia, especialmente em portadores de fístula AV e doença renal crônica identificados durante a parada cardíaca.

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