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Gabarito comentado
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Tema central: Parada cardiorrespiratória em ritmo não chocável (atividade elétrica sem pulso – AESP), com foco nas causas reversíveis e sua abordagem.
Comentário:
Na medicina intensiva, é fundamental identificar causas reversíveis durante a RCP, especialmente diante de AESP. A questão traz um paciente portador de fístula arteriovenosa, dado que sinaliza histórico de doença renal crônica e, portanto, alto risco de hipercalemia. Importante lembrar que a hipercalemia é uma das causas que devem ser sempre consideradas e excluídas rapidamente durante a parada cardíaca.
Na monitorização, o paciente apresenta bradicardia severa sem pulso, quadro clássico da hipercalemia grave que evolui com arritmias fatais. O tratamento imediato nesta situação, conforme as Diretrizes da American Heart Association (AHA, 2020) e manuais de referência como o Harrison’s, é a administração de gluconato de cálcio endovenoso para estabilizar a membrana miocárdica e prevenir a progressão das arritmias.
Análise das alternativas:
A) Pericardiocentese: Indicada no tamponamento cardíaco (tríade de Beck), não presente aqui.
B) Glicose a 50%: Usada em hipoglicemia, que não há indícios neste caso.
C) Bicarbonato de sódio: Reservado para acidose metabólica grave ou intoxicação. Não é a prioridade.
D) Gluconato de cálcio: Correta! Hiperpotassemia é causa provável e tratável. Conduta respaldada em diretrizes (AHA 2020 e UpToDate).
E) Drenagem do hemitórax esquerdo: Indicada em pneumotórax hipertensivo. O caso não sugere esse diagnóstico (não há assimetria ventilatória nem desvio de traqueia).
Dica para provas: Atenção a pistas como fístula AV! Em pacientes renais crônicos, sempre suspeite de hipercalemia quando houver alterações de ritmo, principalmente quando se associa a parada cardíaca sem causa clara. Relembre a lista dos “6Hs e 6Ts” (causas reversíveis) no ACLS.
Segundo a AHA (2020): “O gluconato de cálcio estabiliza rapidamente a função elétrica cardíaca em casos de hipercalemia grave durante a ressuscitação” (Seção Manejo de Ritmos Não Chocáveis).
Resumo: O uso do gluconato de cálcio (alternativa D) é o manejo imediato diante da alta probabilidade de hipercalemia, especialmente em portadores de fístula AV e doença renal crônica identificados durante a parada cardíaca.
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