A publicação manteve circulação regular até 1962 e, depois...

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Q3794386 Português
 A revista em quadrinhos que reinventou leitura para crianças no Brasil há cento e vinte anos


Em 11 de outubro de 1905, uma novidade chamou a atenção nas bancas do Rio de Janeiro: a revista O Tico-Tico, considerada a primeira publicação brasileira voltada às histórias em quadrinhos. Criada para estimular a leitura infantil, a revista foi pioneira no mundo nesse formato e conseguiu chegar às escolas, formando gerações de leitores e abrindo caminho para autores consagrados como Mauricio de Sousa e Ziraldo.

Com ilustrações concebidas por Angelo Agostini, O Tico-Tico conquistou as crianças com personagens, passatempos e histórias que ajudaram a consolidar um mercado editorial voltado ao público infantil. Apresentava-se como o jornal das crianças e tinha como missão divertir, ensinar e ser útil à criançada brasileira. Mesmo em um contexto de altos índices de analfabetismo, a revista cumpriu um papel informal no processo educacional da sociedade.

Inspirada em publicações francesas, O Tico-Tico reunia histórias moralizantes, quadrinhos e conteúdos educativos. Embora não fosse inicialmente um gibi nos moldes atuais, os quadrinhos ganharam destaque ao longo do tempo e se tornaram responsáveis por grande parte de sua popularidade. A estrutura profissional herdada da editora O Malho garantiu ampla distribuição e tiragens que chegaram a cem mil exemplares semanais.

Entre seus personagens mais famosos estava Chiquinho, adaptação brasileira de um personagem norte-americano. Também estrearam na revista figuras como Mickey Mouse, inicialmente chamado de Ratinho Curioso, Popeye, rebatizado de Brocoió, além de outros personagens estrangeiros e nacionais, como Lamparina, criação do cartunista J. Carlos.

O sucesso da revista também se explica pelo diálogo com os adultos, principalmente os pais que compravam as edições para os filhos. Grande parte do conteúdo tinha viés educativo, com contos, fábulas, conselhos e atividades didáticas. Durante décadas, O Tico-Tico foi presença constante nas bancas, influenciando a formação cultural e educacional de diferentes gerações.

A publicação manteve circulação regular até 1962 e, depois, passou a sair de forma eventual, principalmente em edições paradidáticas. Seu último número foi lançado em 1977, encerrando a trajetória de uma das mais importantes revistas infantis da história do Brasil.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvg02nxn2reo.adaptado.
 A publicação manteve circulação regular até 1962 e, depois, passou a sair de forma eventual, principalmente em edições paradidáticas. Seu último número foi lançado em 1977, encerrando a trajetória de uma das mais importantes revistas infantis da história do Brasil.
Em relação ao mecanismo de coesão textual empregado na articulação entre os períodos, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A questão cobra coesão sequencial por progressão temporal: no trecho "A publicação manteve circulação regular até 1962 e, depois, passou a sair de forma eventual, principalmente em edições paradidáticas.", o advérbio "depois" marca posterioridade em relação ao fato anterior e encadeia os acontecimentos em ordem cronológica, o que confirma a alternativa D.

Tema central: coesão temporal
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. No trecho "até 1962", "até" exprime limite temporal final da circulação regular. Não estabelece finalidade entre a circulação da revista e o lançamento do último número em 1977.
B
Errada
Incorreta. "Principalmente" não funciona como conector conclusivo. No período, a expressão apenas destaca a forma predominante das saídas eventuais, isto é, sobretudo em edições paradidáticas.
C
Errada
Incorreta. Em "seu último número", o possessivo retoma "A publicação"/"a revista", que é o referente semanticamente compatível com a ideia de ter último número. Não retoma "edições paradidáticas".
D
Certa
A alternativa D está correta porque identifica com precisão o valor semântico de "depois" no período. No contexto, esse vocábulo retoma o estado anterior da publicação e introduz o momento posterior em que ela passou a sair de forma eventual. Isso assegura a continuidade lógica da sequência histórica narrada no texto: circulação regular até 1962, depois circulação eventual e, por fim, último número em 1977.
Pegadinha da questão
A banca explorou confusões clássicas de valor semântico e de referência: tomar "até" como finalidade, ler "principalmente" como conclusão e vincular o possessivo "seu" ao antecedente mais próximo, sem verificar compatibilidade semântica.
Dica para questões semelhantes
  • Em questões de coesão, verifique primeiro se o termo indica tempo, conclusão, causa ou destaque; aqui, "depois" indica posterioridade.
  • Não atribua ao antecedente mais próximo um pronome de retomada sem testar se o referente faz sentido no contexto.
  • Expressões como "até" e "principalmente" devem ser lidas pelo valor semântico efetivo no período: limite temporal e predominância, respectivamente.

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Comentários

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O termo "depois" é um advérbio de tempo que atua como um elemento de coesão sequencial. Ele organiza os eventos em uma linha cronológica: primeiro a revista teve circulação regular (até 1962), e em um momento posterior (depois), tornou-se eventual. Isso garante que o leitor compreenda a evolução histórica da publicação.

  • A) O termo "até": O "até" indica um limite temporal (conclusão de um período de tempo), e não uma finalidade. Finalidade é expressa por conectivos como "para que" ou "a fim de".
  • B) A expressão "principalmente": Este é um advérbio de exclusão ou ênfase, utilizado para destacar algo dentro de um conjunto. Ele não tem valor conclusivo (como teriam as conjunções "portanto" ou "logo").
  • C) O pronome "seu": Embora seja um elemento de coesão anafórica (que retoma algo dito antes), o pronome "seu" em "seu último número" retoma a publicação/revista (o objeto central do texto), e não as "edições paradidáticas". Seria ilógico dizer que o último número era das edições, e sim da revista como um todo.

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