Sobre o uso do ultrassom à beira-leito para avaliação do pac...
Sobre o uso do ultrassom à beira-leito para avaliação do paciente no cenário de emergência, analise as assertivas abaixo:
I. A presença do sinal de McConnell aumenta a especificidade para o diagnóstico de embolia pulmonar.
II. A ponta caudal do fígado é a área mais sensível para a detecção de líquido livre no exame FAST.
III. O protocolo BLUE tem boa acurácia para o diagnóstico etiológico rápido da insuficiência respiratória.
Quais estão corretas?
Gabarito comentado
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Tema central: uso do ultrassom à beira-leito (POCUS) na emergência: ecocardiografia focada para tromboembolismo pulmonar (TEP), FAST no trauma e ultrassom pulmonar pelo protocolo BLUE para insuficiência respiratória.
Gabarito: E — I, II e III corretas.
I. Sinal de McConnell e TEP — verdadeiro. O sinal descreve hipocinesia do meio da parede livre do VD com ápice preservado. Em pacientes instáveis com suspeita de TEP, sua presença aumenta a especificidade para o diagnóstico (relatos iniciais: especificidade ~90–95%), embora não seja patognomônico (pode ocorrer em infarto de VD, HAP aguda/crônica). Deve ser integrado a outros achados de sobrecarga de VD (VD dilatado, septo em D, insuficiência tricúspide) e ao contexto clínico. Referências: UpToDate; recomendações ASE/ACEP para ecocardiografia focal.
II. FAST — ponta caudal do fígado é a área mais sensível — verdadeiro. No paciente supino, o líquido livre tende a se acumular primeiro no recesso hepatorrenal (Morrison), especialmente na ponta caudal do fígado junto ao polo inferior do rim direito, sendo o ponto único mais sensível do FAST. Técnica: janela RUQ com varredura inferior-anterior para não perder pequenas lâminas. Diretrizes ATLS/EAST e manuais de POCUS reforçam essa “hepatorenal point”.
III. Protocolo BLUE — verdadeiro. O BLUE (Bedside Lung Ultrasound in Emergency) usa perfis de linhas A/B, deslizamento pleural e trombose venosa para diferenciar causas de insuficiência respiratória (ex.: edema cardiogênico, pneumonia, DPOC/asma, TEP, pneumotórax). Estudos originais de Lichtenstein mostram acurácia ≈90% para diagnóstico etiológico rápido. Referências: CHEST 2008; consensos WINFOCUS/ACEP.
Estratégia de prova: identifique palavras que elevam o nível de evidência (ex.: “especificidade”, “área mais sensível”, “acurácia do protocolo”). Lembre-se das limitações (p. ex., McConnell não é exclusivo de TEP) e do contexto do paciente supino no FAST.
Análise das alternativas:
A – Apenas II. Incorreta: ignora que I e III também são verdadeiras.
B – Apenas III. Incorreta: II é correta (ponta caudal do fígado no FAST) e I é correta (McConnell aumenta especificidade).
C – Apenas I e II. Incorreta: exclui III, mas o BLUE tem boa acurácia.
D – Apenas I e III. Incorreta: exclui II, que é verdadeira.
E – I, II e III. Correta: todas as assertivas estão em consonância com literatura (UpToDate, ATLS/EAST, ASE/ACEP, Lichtenstein CHEST 2008).
Pegadinhas frequentes:
- McConnell: não confundir “aumenta especificidade” com “diagnóstico definitivo”.
- FAST RUQ: focar na ponta caudal; pequenas coleções podem ser perdidas se a varredura ficar muito alta.
- BLUE: B-lines difusas sugerem edema cardiogênico; B-lines focais sugerem pneumonia/SDRA; ausência de deslizamento + linha A favorece pneumotórax.
Fontes úteis: UpToDate (POCUS em TEP/trauma/insuficiência respiratória); ATLS; EAST; ASE/ACEP statements; Lichtenstein & Mézière, CHEST 2008.
Resposta final: E
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