Já notou que seus avós encolhem enquanto
você cresce? A medicina explica
— Como em uma gangorra, idosos perdem até sete centímetros, enquanto a altura dos netos aumenta
— Funcionamento dos ossos e dos músculos em idades
avançadas contribuem para o encolhimento
Autor: João Kawada
Beatriz, de 11 anos, passa parte das férias na casa da
avó Thereza, de 80. Juntas, adoram pintar quadros de
gatinhos e paisagens coloridas.
Entre uma visita e outra, Bibi, o apelido da mais nova,
foi percebendo que a avó parecia menor diante do
cavalete, enquanto ela o alcançava sem esforço. Dona
Thereza até brinca com a situação: “Vou começar a
pintar de salto alto”.
Talvez você já tenha percebido esse fenômeno. Com o
tempo, os netos crescem, ficando cada vez mais altos,
e os avós decrescem, encolhendo conforme avança a
idade. É como numa gangorra: as coisas se invertem. E
isso não é mera impressão, segundo a medicina.
A partir dos 40 anos, o ser humano a perde cerca de
1 centímetro por década, segundo o MedlinePlus,
site que funciona como uma enorme biblioteca de
medicina. Depois dos 70, o processo acelera, podendo
variar de 2,5 cm a 7,5 cm ao longo do restante da vida
— equivalente ao tamanho de uma bola de tênis.
Isso acontece por vários motivos. É comum, por exemplo, a postura encurvar, em especial na parte de cima
das costas, explica o ortopedista Henrique Motizuki,
da Sociedade Brasileira de Coluna — ortopedista é o
médico que cuida de ossos, músculos e coluna.
Os ossos funcionam como pilares que sustentam o
corpo, parecidos com os mesmos pilares usados para
segurar uma casa ou os famosos templos da Grécia.
Sem eles, seríamos moles como gelatina. Com o
tempo, eles ficam mais fracos e achatados, o que nos
faz diminuir.
Se você já notou que sua avó encolhe mais do que
o seu avô, há uma explicação também para isso. Os
ossos dela tendem a ficar mais frágeis depois da
menopausa, fase na qual o corpo da mulher deixa de
poder ter filhos e diminui a produção de hormônios —
substâncias mensageiras que indicam ao organismo
suas tarefas.
[…]
Os músculos também mudam. São como elásticos
que puxam ossos para correr, brincar, falar e até respirar. Com o passar dos anos, ficam menores e mais
fracos, o que pode dificultar movimentos simples,
como levantar-se de uma cadeira ou carregar peso. E
tem mais: a coluna é um tubo de ossos empilhados
nas costas com a função de mexer, virar e dobrar. Nela,
há 23 discos —parecidos com almofadinhas cheias de
água— que amortecem movimentos.
Durante o dia, eles perdem líquido quando andamos e
pulamos. À noite, recuperam parte da água, mas, com
os anos, param de “inchar” como antes. Nesse processo, alguns centímetros também se vão.
Mas dá para prevenir tudo isso? Sim. O ortopedista
Lucas Jacobus, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre,
recomenda alguns cuidados durante a juventude:
alimentar-se bem, com cálcio e vitamina D, tomar sol e
praticar atividades físicas de força e equilíbrio.
Também é importante, ele diz, evitar o cigarro e o
excesso de álcool, além de tratar cedo doenças que
enfraquecem.
No trecho “Isso acontece por vários motivos. É comum,
por exemplo, a postura encurvar, em especial na parte de
cima das costas, explica o ortopedista Henrique Motizuki”,
qual das palavras é classificada como pronome?
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