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Q3990758 Psiquiatria
    N.N.L, sexo feminino, 15 anos de idade, compareceu para atendimento acompanhada de sua mãe, que desejava ajudar a filha quanto à timidez que esta demonstrava há tempos. Apesar de bastante reservada durante o atendimento, a adolescente afirmou que se sentia constantemente tensa. Acrescentou que a ansiedade era “muito forte” há vários anos e que era frequentemente acompanhada por episódios de tontura e choro. De modo geral, não conseguia falar em nenhuma situação fora de casa ou durante as aulas. Recusava-se a sair de casa sozinha por medo de ser forçada a interagir com alguém. Ficava particularmente ansiosa na companhia de outros adolescentes, mas também havia se tornado “nervosa demais” para falar com vizinhos adultos que ela conhecia há anos. Disse que achava impossível entrar em uma padaria e fazer pedido a um “estranho do outro lado do balcão”, por medo de passar vexame. Ao longo de toda a vida, a menina tentou esconder sua ansiedade incapacitante dos pais, geralmente falando para eles que “simplesmente não tinha vontade” de sair. A adolescente acrescentou que contemplava o suicídio “o tempo todo”. 
Com relação à prevenção ao suicídio, assinale a opção que apresenta a conduta adequada para o caso clínico precedente. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A presença de ideação suicida persistente, sem dados de tentativa, plano, meios ou outro critério de maior gravidade, afasta a internação obrigatória e direciona para manejo intensivo com supervisão familiar.

Tema central: Conduta no risco suicida
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a base não autoriza concluir internação involuntária apenas pela ideação suicida. Faltam no enunciado tentativa recente, plano estruturado, meios disponíveis, psicose, intoxicação, desorganização grave ou outro elemento mínimo de alto risco que imponha contenção em ambiente fechado.
B
Errada
Está errada porque o lítio não é medida inespecífica para qualquer paciente com ideação suicida. A base afirma que seu efeito antissuicida depende de contextos específicos, sobretudo transtornos do humor/bipolaridade, e nada disso foi estabelecido no caso.
C
Certa
A alternativa C é a adequada porque, diante de ideação suicida frequente em adolescente e sem elemento inequívoco que imponha internação, a conduta sustentada é intervenção psicoterápica/psiquiátrica intensiva com supervisão contínua pela família. Isso responde ao risco com proteção ativa, conforme a orientação de que todo paciente com pensamentos suicidas deve receber avaliação imediata e envolvimento familiar.
D
Errada
Está errada porque parte de uma premissa tecnicamente inadequada: evitar falar claramente sobre suicídio para não induzir comportamento de risco. Pela base, perguntar diretamente e explorar a ideação suicida faz parte da avaliação e não é conduta proibida.
Pegadinha da questão
A questão explora três confusões reais: tratar ideação suicida importante como sinônimo automático de internação involuntária, aplicar o lítio fora de indicação específica e aceitar o mito de que abordar suicídio induz o ato.
Dica para questões semelhantes
  • Ideação suicida em adolescente exige avaliação imediata e proteção ativa, mas internação depende de elementos concretos de maior gravidade, não da mera presença de pensamento suicida.
  • Na ausência de critério claro para ambiente mais restritivo, vale a lógica da menor restrição compatível com segurança, com supervisão familiar próxima.
  • Efeito antissuicida de um fármaco não autoriza seu uso sem o contexto diagnóstico e técnico que o indique.
  • Abordar suicídio de forma direta faz parte da avaliação adequada; evitar o tema por medo de indução é erro técnico.

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