F.R.L, mulher com 27 anos de idade, casada e com dois ...

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Q3990757 Psiquiatria
    F.R.L, mulher com 27 anos de idade, casada e com dois filhos, é enfermeira em uma unidade materno-infantil. Foi levada ao hospital por seu marido porque estava muito eufórica e verborrágica. Depois de discutir com seu marido 4 dias antes, saiu de casa irritada para a igreja protestante que frequentava esporadicamente e permaneceu em vigília durante toda a noite. Na manhã seguinte, foi para a casa de sua mãe, onde permaneceu desde então. Seguiu muito excitada, sem dormir, falava quase incessantemente e se negava a comer. Fazia orações fervorosamente incluindo palavras incompreensíveis, alegando ter o dom de “falar em línguas”. O conteúdo do discurso era predominantemente sobre religião e somente interrompia para cantar hinos e louvores religiosos entremeados com abordagem de pessoas desconhecidas, acusando-as de serem “pecadoras”, ordenando-as a orar consigo. Sua mãe chamou o marido e disse que ela era responsabilidade dele. Como a paciente se negava a ir ao hospital, seu marido a conduziu à emergência psiquiátrica mediante contenção física. Pelo histórico pessoal, consta que, aos 22 anos, a paciente teve um longo episódio depressivo ao final de seu primeiro casamento. Estava triste e insegura, permaneceu isolada e recusava qualquer iniciativa de contato social. Tinha dificuldade para dormir, despertava muito cedo e sentia-se cansada diuturnamente; associado, não tinha vontade de comer e perdeu bastante peso. Apesar dos sintomas, decidiu continuar no trabalho, ainda que com prejuízo no desempenho laboral e, por isso, foi afastada por poucos dias. Não consultou médico à ocasião e, depois de alguns meses, gradualmente melhorou e recobrou seu estado de ânimo habitual e seu nível de atividade. Ao ser admitida no pronto-socorro de psiquiatria, a paciente mostrava-se inquieta e irritada e gritava agressivamente. Falava incessantemente e sua fala era difícil de compreender porque era demasiadamente rápida, mudando de um tema para outro. Dizia-se superior aos demais, que estavam com inveja de si, por sua voz e sua beleza. Sua inteligência era igualmente superior ao normal e sentia-se mais forte e saudável do que nunca. Distraia se com facilidade, mas estava globalmente orientada auto e alopsiquicamente. Não mostrava prejuízo na memória ou outras funções cognitivas. Os resultados dos exames físico e neurológico e dos exames laboratoriais foram normais. 
Considerando o caso clínico precedente, assinale a opção que apresenta a conduta adequada em relação à paciente. 
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O enunciado descreve um episódio maníaco grave, com agitação importante, redução da necessidade de sono, verborragia, fuga de ideias, grandiosidade e sintomas psicóticos, o que exige conduta antimaníaca.

Tema central: Manejo do episódio maníaco
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o caso é compatível com episódio maníaco grave, e a conduta terapêutica indicada inclui estabilização do humor. O carbonato de lítio é uma opção adequada nesse contexto.
B
Errada
Está errada porque transforma em proibição absoluta algo que não é abolido. Contenção mecânica não é recurso superado; pode ser indicada excepcionalmente em situações de agitação ou risco, desde que haja prescrição, monitorização e uso pelo tempo mínimo necessário.
C
Errada
Está errada porque afirma vedação absoluta indevida. Benzodiazepínicos podem ser usados como adjuvantes no manejo agudo, especialmente para agitação e insônia, e o simples fato de a paciente ser jovem não os torna proibidos.
D
Errada
Está errada por classificar inadequadamente a modalidade de internação. Internação compulsória depende de determinação judicial; no contexto clínico descrito, o enquadramento tecnicamente cogitável seria de internação involuntária, e a formulação com notificação imediata ao plantão do Ministério Público não corresponde ao enquadramento básico apontado na base.
Pegadinha da questão
A principal confusão explorada foi trocar internação involuntária por compulsória e, ao mesmo tempo, usar formulações absolutas falsas sobre contenção mecânica e benzodiazepínicos.
Dica para questões semelhantes
  • Se o quadro mostra mania franca com prejuízo comportamental e sintomas psicóticos, pense primeiro em conduta antimaníaca com estabilizador do humor.
  • Desconfie de alternativas com proibição absoluta em psiquiatria aguda; excepcionalidade de uso não significa recurso abolido.
  • Na leitura de modalidades de internação, separe o fundamento clínico da natureza jurídica: compulsória depende de ordem judicial; involuntária não.

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