Acerca das estratégias de argumentação no texto,
Atenção: Considere o texto a seguir para responder à questão.
Mas o grande perigo da crítica é um dedutivismo ingênuo que, partindo de uma pré-noção, acha no seu campo de pesquisas apenas aquilo que procura. Veja-se, por exemplo, o caso de Taine. Já Edmond Schérer, num dos seus "estudos" mais felizes, apontava os lados fracos da interpretação tainiana da arte ou da história literária. Em vez de proceder por indução, Taine deduz forçosamente de uma ideia preconcebida as componentes que deverão formar o caráter de uma época ou o espírito de uma literatura.
Sem dúvida, o crítico não pode prescindir de uma hipótese, como o cientista, para abrir uma picada no mato virgem dos fatos. Mas também não deve esquecer que, além da clareira mensurável, começa a exuberância das probabilidades, como uma floresta de interrogações. Respeitar o outro lado provável das coisas, admitir em tudo a parte do indeterminado é uma boa tática para quem não gosta de tropeçar em surpresas irônicas.
(Adaptado de: MEYER, Augusto, "Mas...", Machado de Assis (1935-1958). Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 2008, p. 65)
Comentários
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Alternativa correta: D: O autor, Augusto Meyer, utiliza uma estrutura clássica de argumentação no primeiro parágrafo: Exemplificação: Ele cita o historiador e crítico Hippolyte Taine como um exemplo vivo do "dedutivismo ingênuo" que critica.
Argumento de Autoridade: Para dar peso à sua crítica contra Taine, Meyer recorre a Edmond Schérer (renomado crítico francês), mencionando que este já havia apontado as falhas no método de Taine. A menção a Schérer serve para validar a opinião do autor por meio do prestígio de um terceiro especialista.
A: A "mata virgem" não é um contraexemplo, mas sim uma metáfora (ou analogia) para representar o conjunto bruto de fatos que o crítico tenta organizar. Além disso, o autor não defende um abandono total da dedução em favor da indução pura, mas sim um equilíbrio que aceite o indeterminado.
B: Este segmento diz exatamente o oposto da alternativa. Ao pedir respeito ao "lado provável" e ao "indeterminado", o autor critica o compromisso rígido com uma teoria prévia que força a interpretação da obra.
C: A analogia com o cientista serve para mostrar que a hipótese (um ponto de partida dedutivo) é necessária ("não pode prescindir"). O que é "ingênuo" não é o uso da dedução em si, mas o seu uso fechado e inflexível, que ignora a realidade dos fatos.
E: O texto não descarta o raciocínio dedutivo por completo. No segundo parágrafo, afirma-se que o crítico "não pode prescindir de uma hipótese" (que é a base da dedução). O autor descarta apenas o dedutivismo ingênuo e forçado, que ignora a complexidade do objeto literário.
Dá pra responder, mas que texto chato e confuso... Sinto que a FCC tá caindo nas lábias da FGV.
Alternativa correta: Letra D.
O primeiro parágrafo argumenta por meio do exemplo de Taine ''Veja-se, por exemplo, o caso de Taine.''
Alicerçado, por sua vez, em um argumento de autoridade, com a menção a Edmond Schérer --> ''Já Edmond Schérer'', Valida a opinião do autor, sendo utilizado como argumento de autoridade.
Questão de Raciocínio Crítico... só teve umas 15 dessas após 30 de português, com mais 10 de inglês, numa prova de 4 horas e 100 questões de abcde...
Se tu teve dor de cabeça ao ler e interpretar, só redobre os cuidados caso no seu edital tenha Raciocínio Crítico (não é o Lógico), pela FCC.
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