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Q3546891 Pedagogia
“Num mundo no qual argumentos racistas explícitos podem causar constrangimento, como explicar a perpetuação de uma parcela da população nesse limbo? Pelo recurso a versões ambientalistas do desenvolvimento humano, reservando-se ao termo “ambiente” uma concepção acrítica, compatível ao mesmo tempo com uma visão biologizada da vida social e com uma definição etnocêntrica de cultura: de um lado o ambiente é praticamente reduzido a estimulação sensorial proveniente do meio físico; de outro, valores, crenças, normas, hábitos e habilidades tidos como típicos das classes dominantes são considerados como os mais adequados à promoção de um desenvolvimento psicológico sadio.”
PATTO, Maria Helena S. A produção do fracasso escolar: histórias de submissão e rebeldia. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997, p. 48

Maria Helena Patto critica a teoria da carência cultural, que, empregada na educação, gera argumentos estigmatizados para justificar o fracasso escolar 
Alternativas

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Alternativa correta: E

1. Tema central da questão

Esta questão aborda aspectos sociológicos da educação, especificamente a crítica à teoria da carência cultural e sua influência sobre a explicação do fracasso escolar. Essa teoria, muito comum no senso comum e em políticas escolares do passado, atribui o insucesso dos estudantes mais pobres ou de minorias à suposta "desestruturação familiar" ou à falta de interesse dos pais, ignorando fatores sociais, econômicos e históricos mais amplos.

2. Fundamentação teórica resumida

Segundo estudiosos como Maria Helena Souza Patto, a teoria da carência cultural é estigmatizante e transfere a responsabilidade do fracasso escolar para a própria vítima, eximindo a sociedade e a escola de seus papéis estruturais. Isso perpetua preconceitos, reforça desigualdades e desconsidera fatores como a exclusão social, racismo estrutural e falta de políticas públicas efetivas (Patto, 1997).

3. Justificativa da alternativa correta (E)

A alternativa E reflete a explicação estigmatizante da teoria da carência cultural: atribui a culpa do fracasso escolar à "desestruturação familiar" e ao suposto desinteresse dos pais das classes menos favorecidas. Este é exatamente o tipo de argumento criticado por Patto — uma justificativa que mascara causas sociais mais profundas e transfere a responsabilidade da escola e do Estado para o indivíduo.

4. Análise das alternativas incorretas

  • A: Sugere que a escola está apartada das relações de poder, o que não é o enfoque da crítica; a escola também faz parte dessas relações.
  • B: Aponta para fatores sociais reais, mas não corresponde à visão da teoria da carência cultural, e sim à crítica sociológica a ela.
  • C: Trata etnia e classe como coincidências, desconsiderando a complexidade sociológica das relações de opressão.
  • D: Apresenta uma explicação genérica sobre ideologia dominante, sem focar na culpabilização das famílias, como faz a teoria da carência cultural.

Dica de interpretação: Sempre desconfie de alternativas que culpabilizam apenas o indivíduo ou família, ignorando fatores sociais amplos — geralmente estas refletem explicações já criticadas pelas ciências sociais!

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