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Q2714168 Português

O texto a seguir é referência para as questões 01 a 05.


É possível ser feminina e feminista?


(Joanna Burigo e Monique Vanni – CartaCapital, 03/02/2016)



Feminismo não é clube: não precisa de carteirinha, não tem que pagar anuidade, e não exige uniforme. Você adora um esmaltinho e não quer nem pensar em deixar o sovaco peludo? OK! Você usa maquiagem, bate um cabelo e gosta de cor-de-rosa? Tudo bem: a expressão da sua identidade é decisão sua.

Policiar e regular as formas como as mulheres se apresentam sempre foi tarefa do patriarcado, e muitos dos elementos que compõem o que é socialmente entendido como “feminino” foram (e ainda são) utilizados como estratégias de dominação das mulheres.

Em outras palavras: alguns modos específicos de comportamento, bem como algumas expressões de identidade via corpo, foram (e ainda são) ferramentas de manutenção das mulheres em posições sociais inferiores às dos homens.

Assim, a mulher que não é passiva e dócil, ou a que não se depila nem liga muito para as cutículas, é percebida como menos feminina e, portanto, como menos mulher.

Por isso entendemos a necessidade de uma crítica feminista à imposição do feminino. Essa crítica é importante e pertinente – mas, perceba, ela se dirige à imposição do feminino, e não ao feminino em si.

Questionar essa imposição não significa que tenhamos que desvalorizar __________ conhecimentos ou modos de viver que estejam definidos como tradicionalmente femininos. Há algo de muito preocupante nessa desvalorização, pois os “apetrechos” de domesticidade e de estética são valiosos, mesmo não sendo reconhecidos financeiramente em nossa sociedade.

Não gostaríamos de fazer do feminismo uma recusa do que é tradicionalmente feminino, apenas _________ o que é tradicionalmente feminino nos foi (e segue sendo) imposto como condição para ser mulher. Queremos que esses atributos também sejam valorizados pela sociedade, e perpetuados, indiscriminadamente, por quem queira – mulher ou homem, cis ou trans, hetero ou homossexual, ou demais identidades.

Feministas se ocupam de expor machismos, desconstruir misoginias e destruir o patriarcado – e nada disso depende de estarmos com as pernas peludas, __________ em cima de um salto bem alto.

Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas acima, na ordem em que aparecem no texto.

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: O foco está no uso correto de pronomes indefinidos, conjunções explicativas e advérbios de negação de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa. Testa-se principalmente o domínio gramatical e a habilidade de aplicar essas regras no contexto do texto.

Justificativa da alternativa correta: A alternativa C (quaisquer – porque – tampouco) é a correta.

1. “quaisquer”
Regra: O plural de "qualquer" é quaisquer. Neste trecho: “não significa que tenhamos que desvalorizar _____ conhecimentos”, "conhecimentos" está no plural, logo deve-se usar "quaisquer".
Exemplo: “Não aceitamos quaisquer propostas irrespeitosas.”

2. “porque”
Regra: “Porque” (conjunção explicativa/causal) liga orações indicando razão ou motivo, jamais é usado em perguntas. No trecho: “apenas _____ o que é tradicionalmente feminino nos foi imposto...”, expressa claramente a causa.
Exemplo: “Faltou porque estava doente.”

3. “tampouco”
Regra: “Tampouco” significa “também não”, negando adicionalmente o que foi afirmado antes. O texto traz: “e nada disso depende de estarmos com as pernas peludas, _____ em cima de um salto bem alto”, ou seja, nem uma coisa, nem outra.
Exemplo: “Ele não veio, tampouco avisou.”

Análise das alternativas incorretas:

A: “Qualqueres” não existe na Língua Portuguesa. “Por que” é usado para perguntas, não para explicações.

B: “Tão pouco” indica quantidade pequena, mas o contexto requer negação.

D: “Qualqueres” e “por que” estão errados; “tão pouco” não cabe pelo contexto.

E: “Qualquer” está no singular, mas “conhecimentos” está no plural. “Tão pouco” está inadequado.

Estratégia para provas: Atenção aos detalhes de flexão de número e escolha de conectivos! Na dúvida, releia o contexto: pergunte-se, “é explicação, quantidade ou negação?”.

Referência teórica: Bechara (2009) e Cunha & Cintra (2013) destacam a necessidade de respeitar flexões e a função semântica de advérbios e conjunções em textos normativos.

Em resumo: A alternativa C é a correta pois segue perfeitamente a gramática normativa nos três pontos testados. Fique sempre atento à relação entre palavra e contexto!

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