O termo sublinhado no primeiro parágrafo do texto refere-se a

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Q3737348 Português
    É difícil encontrar o que se busca quando não se sabe ao certo o que se procura. No que poderia consistir uma solução para o enigma da existência que fizesse sentido em termos humanos? Sabemos o que procuramos quando indagamos do sentido de uma palavra, de uma narrativa ou mesmo de uma vida individual: a semântica do termo; o enredo da trama e a "moral da história"; os valores norteadores e o propósito daquela vida no contexto particular em que ela transcorre. E quando se trata, contudo, da totalidade da vida ou do ser? O nó da questão não é apenas a dificuldade de formular uma conjectura minimamente plausível, mas reside na impossibilidade mesmo de sequer conceber o que possa vir a ser uma resposta adequada: pois, não importa qual seja a conjectura oferecida, ela implicará nova e justificada demanda explicativa, ou seja, um renovado -e possivelmente agravado - senso mistério. de

    Suponha, por exemplo, que gerações futuras cheguem a descobrir de algum modo o que nos aconteceu e o que tudo, afinal, significa: somos um experimento cientifico abandonado pelos deuses nos confins do "multiverso"; ou o sonho que alguém de outro mundo está sonhando; ou uma pantomima farsesca para a gratificação de um espírito maligno; ou a via crucis probatória da salvação ou danação eterna das almas na eternidade - suponha, em suma, o que foro caso. A revelação do Grande Segredo, é de supor, teria um extraordinário efeito e nos forçaria a repensar em profundidade boa parte do que imaginávamos saber sobre nós mesmos. Ao mesmo tempo, porém, a descoberta de que "pertencemos a algo maior" ou, então, de que "o verdadeiro Deus é o Acaso", descortinaria uma dimensão adicional da nossa ignorância e tornar-se-ia ela própria o Grande Mistério a ser decifrado. O hieróglifo da existência ganharia uma nova feição e o nosso "Ah! então era isso!" serviria apenas como preâmbulo de um potencializado "Mas, então, por que tudo isso?!". A ignorância infinita desconcerta o saber finito. Seja com o "a" minúsculo das metafisicas seculares ou o "A" maiúsculo das religiões, sempre haverá um além
O termo sublinhado no primeiro parágrafo do texto refere-se a
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: No trecho "os valores norteadores e o propósito daquela vida no contexto particular em que ela transcorre.", o termo sublinhado "que" é pronome relativo antecedido de "em" e retoma o sintagma nominal "contexto particular". A compatibilidade sintático-semântica da construção "em que ela transcorre" conduz ao gabarito A.

Tema central: coesão referencial
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o antecedente de "que" é "contexto particular". A oração relativa "em que ela transcorre" especifica esse contexto, isto é, indica o âmbito em que a vida transcorre. A verificação coesiva do período confirma isso: "que" retoma um termo nominal anterior compatível com a relação introduzida por "em", e esse termo é "contexto particular".
B
Errada
"Ela" não é o referente de "que". São dois mecanismos coesivos diferentes na mesma oração: "ela" retoma "vida", enquanto "que" retoma "contexto particular". A alternativa erra ao confundir o pronome relativo com o pronome pessoal anafórico.
C
Errada
"Vida" é o referente de "ela", não de "que". No segmento "em que ela transcorre", quem transcorre é a vida, mas o termo retomado por "que" é o âmbito em que isso ocorre, expresso por "contexto particular".
D
Errada
"Valores norteadores" não se ajusta à construção "em que ela transcorre". A relação semântica pedida por "em que" é de contexto, âmbito ou circunstância; por isso, a vida transcorre em um contexto, não em "valores norteadores".
E
Errada
"Propósito daquela vida" também não pode ser o antecedente, porque a oração relativa não especifica finalidade, mas o âmbito em que a vida se desenrola. Esse papel sintático-semântico é exercido por "contexto particular", não por "propósito daquela vida".
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre o referente de "que" e o referente de "ela", além da tendência de escolher um termo próximo por mera proximidade linear sem testar a compatibilidade da expressão "em que ela transcorre".
Dica para questões semelhantes
  • Em referência por pronome relativo, localize o substantivo anterior que completa com sentido a estrutura em que o relativo aparece.
  • Separe os referentes quando houver mais de um pronome na mesma oração: o antecedente de um não precisa ser o do outro.
  • Teste a paráfrase com "o qual", "a qual", "no qual" ou "na qual" para confirmar o antecedente do relativo.
  • Não escolha o termo mais próximo automaticamente; verifique qual deles é compatível com a relação semântica exigida pela preposição.

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Comentários

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Aqui, o que é:

  • pronome relativo
  • Introduz uma oração subordinada adjetiva
  • Retoma obrigatoriamente um termo antecedente

Qual é o antecedente do “que”?

“contexto particular”

"em que" = onde (contexto particular)

"a que" = aonde

Obs. O "QUE" sempre retoma seu antecedente

Contexto particular não é um local, né

rev

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