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As normas de concordância verbal estão plenamente observadas...

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Q3954787 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Arrependimentos


   Pentimento é a palavra italiana para arrependimento, mas designa, em muitas línguas, uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro. Ás vezes, com o passar do tempo, a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão. Outras vezes, os raios X dos restauradores desvendam opções anteriores, que permaneceram debaixo da obra final. Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados.

    Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos. São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história. 

   A vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar; são todos pentimentos encobertos, histórias que não se realizaram. Por que não se realizaram? Em geral, pensamos que nos faltou coragem: não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar para que outras escolhas tivessem uma chance. E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo.

     O problema dos pentimentos é que eles esvaziam a vida que temos. O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha "certa". Diante disso, de que adianta qualquer experiência presente? Os pentimentos podem ser maus conselheiros, até porque muitas vezes nós os inventamos como desculpas para OS fracassos do presente. Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Por conta da ação das redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer, como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado. Os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre.


(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveitara vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, pp. 25-27, passim)
As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A questão cobra concordância verbal pela norma-padrão: é preciso identificar o sujeito de cada oração e fazer o verbo concordar com seu núcleo. Em C, isso é atendido porque, em “Não seja uma escolha de nossa vida nenhuma das decisões...”, o verbo concorda com o sujeito posposto de núcleo singular (“nenhuma”); além disso, em “que se constituirão”, a forma verbal concorda corretamente com “decisões”, no plural. Por isso, C é a única alternativa plenamente correta.

Tema central: Concordância verbal
Análise das alternativas
A
Errada
Há erro em “Podem haver”. O verbo “haver”, com sentido de existir, é impessoal e deve ficar obrigatoriamente no singular. Isso vale também na locução verbal. O correto seria “Pode haver nos pentimentos os maus conselhos...”.
B
Errada
Há erro em “Devem-se às redes sociais a multiplicação...”. A estrutura é de voz passiva sintética, e o verbo deve concordar com o sujeito paciente “a multiplicação incontrolável de reminiscências inteiramente artificiais”, cujo núcleo é singular. Por isso, o correto seria “Deve-se às redes sociais...”.
C
Certa
A alternativa C atende integralmente à norma-padrão de concordância verbal. No trecho “Não seja uma escolha de nossa vida nenhuma das decisões...”, o verbo principal concorda com o núcleo do sujeito posposto, que é o pronome indefinido singular “nenhuma”, e não com “decisões”. Além disso, na oração relativa “que se constituirão ao modo de dolorosos pentimentos”, o verbo vai corretamente para o plural porque retoma “decisões”. A alternativa acerta, portanto, as duas concordâncias envolvidas.
D
Errada
Há erro em “conste”. Em “É comum que conste como um malogro da nossa história as virtudes potenciais que não desenvolvemos”, o sujeito da oração subordinada é “as virtudes potenciais que não desenvolvemos”, no plural. A posição posposta do sujeito não altera a concordância. O correto seria “constem”.
E
Errada
Há erro em “Têm equivalência... a paixão dos nossos ideais não cumpridos”. O sujeito é “a paixão dos nossos ideais não cumpridos”, e seu núcleo é singular: “paixão”. O verbo deve concordar com esse núcleo, não com o termo plural interno “ideais”. O correto seria “Tem equivalência...”.
Pegadinha da questão
A banca explorou a atração indevida do verbo por termos no plural que não são o núcleo do sujeito, além da confusão entre sujeito real e outros elementos da oração, como ocorre com “haver” impessoal e com a estrutura de voz passiva com “se”.
Dica para questões semelhantes
  • Localize primeiro o sujeito de cada verbo e identifique o núcleo antes de olhar para palavras plurais próximas.
  • Se houver “haver” com sentido de existir, mantenha-o no singular, mesmo em locução verbal.
  • Em construções com “se”, verifique se há voz passiva sintética; se houver, o verbo concorda com o sujeito paciente.
  • Sujeito posposto não muda a regra: o verbo continua concordando com o núcleo do sujeito.

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Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

a. O verbo haver (existir) é impessoal (não tem sujeito e fica sempre no singular). Quando ele faz parte de uma locução (dois verbos juntos), ele contamina o seu auxiliar.

O Correto: "Pode haver nos pentimentos os maus conselhos". (O "Pode" fica no singular, mesmo que "conselhos" esteja no plural).

B."Deve-se às redes sociais a multiplicação...". O verbo deve concordar com o sujeito no singular ("A multiplicação incontrolável".)

C. o verbo concorda com o "nenhuma" (singular). A estrutura "nenhuma das decisões seja uma escolha" está perfeita.

D. O núcleo do sujeito é virtudes (substantivo no plural). Logo, o verbo deve ir para o plural também "constem"

E. O verbo deve concordar com o núcleo "paixão", ficando, portanto, "A paixão dos nossos ideais não cumpridos tem equivalência com os fenômenos...

A) Pode haver nos pentimentos os maus conselhos, que provavelmente nos levarão a grandes frustrações.

B) Deve-se às redes sociais a multiplicação incontrolável de reminiscências inteiramente artificiais.

D) É comum que constem como um malogro da nossa história as virtudes potenciais que não desenvolvemos.

E) Tem equivalência com os fenômenos dos pentimentos artísticos a paixão dos nossos ideais não cumpridos.

C

O verbo HAVER na função de verbo principal, faz com que o verbo auxiliar não sofra plural, assim como ele.

Exemplo: podem haver problemas (errado)

Pode haver problemas (certo)

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