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Q3737342 Português
    É difícil encontrar o que se busca quando não se sabe ao certo o que se procura. No que poderia consistir uma solução para o enigma da existência que fizesse sentido em termos humanos? Sabemos o que procuramos quando indagamos do sentido de uma palavra, de uma narrativa ou mesmo de uma vida individual: a semântica do termo; o enredo da trama e a "moral da história"; os valores norteadores e o propósito daquela vida no contexto particular em que ela transcorre. E quando se trata, contudo, da totalidade da vida ou do ser? O nó da questão não é apenas a dificuldade de formular uma conjectura minimamente plausível, mas reside na impossibilidade mesmo de sequer conceber o que possa vir a ser uma resposta adequada: pois, não importa qual seja a conjectura oferecida, ela implicará nova e justificada demanda explicativa, ou seja, um renovado -e possivelmente agravado - senso mistério. de

    Suponha, por exemplo, que gerações futuras cheguem a descobrir de algum modo o que nos aconteceu e o que tudo, afinal, significa: somos um experimento cientifico abandonado pelos deuses nos confins do "multiverso"; ou o sonho que alguém de outro mundo está sonhando; ou uma pantomima farsesca para a gratificação de um espírito maligno; ou a via crucis probatória da salvação ou danação eterna das almas na eternidade - suponha, em suma, o que foro caso. A revelação do Grande Segredo, é de supor, teria um extraordinário efeito e nos forçaria a repensar em profundidade boa parte do que imaginávamos saber sobre nós mesmos. Ao mesmo tempo, porém, a descoberta de que "pertencemos a algo maior" ou, então, de que "o verdadeiro Deus é o Acaso", descortinaria uma dimensão adicional da nossa ignorância e tornar-se-ia ela própria o Grande Mistério a ser decifrado. O hieróglifo da existência ganharia uma nova feição e o nosso "Ah! então era isso!" serviria apenas como preâmbulo de um potencializado "Mas, então, por que tudo isso?!". A ignorância infinita desconcerta o saber finito. Seja com o "a" minúsculo das metafisicas seculares ou o "A" maiúsculo das religiões, sempre haverá um além
O autor dirige-se explicitamente a seu leitor no seguinte trecho:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Esta questão avalia interpretação de textos, mais especificamente a habilidade de reconhecer o emprego de estratégias discursivas, como a interpelação direta ao leitor. Esse recurso é típico da função apelativa da linguagem, que ocorre quando o autor busca envolver ou orientar o interlocutor de forma explícita.

Justificativa da alternativa correta:

A alternativa C) apresenta: "Suponha, por exemplo, que gerações futuras cheguem a descobrir de algum modo o que nos aconteceu..."
O verbo suponha está conjugado no modo imperativo, usado especificamente para dar instruções, conselhos ou apelos ao interlocutor. Como ensinam as gramáticas de Celso Cunha & Lindley Cintra, o imperativo estabelece comunicação direta com o leitor, evidenciando o que chamamos de interpelação ou chamamento:

"O modo imperativo é utilizado para expressar ordens, pedidos, conselhos ou convites, estabelecendo uma relação direta com o interlocutor" (Cunha & Cintra).

Portanto, neste trecho, o autor conversa diretamente com você, leitor, convidando-o a imaginar uma situação. Essa é a característica central da interpelação.

Análise das alternativas incorretas:

A) — Frase declarativa, simplesmente expõe uma ideia geral, sem direcionar-se ao leitor.
B) — Também declarativa, aborda uma problemática, mas sem apelar ao interlocutor.
D) — Apesar de usar "seja", o verbo está aí no subjuntivo com valor de hipótese, não configura imperativo ou interlocução direta.
E) — Outra frase declarativa, expositiva, sem relação direta com o leitor.

Estratégia para provas: Procure nos enunciados por verbos no imperativo ou construções que convidem, ordenem ou sugiram ao leitor uma ação. São pistas clássicas de interpelação direta. Atenção também a perguntas retóricas dirigidas ao leitor.

Resumo: Somente a alternativa C traz o autor dirigindo-se diretamente ao leitor pelo imperativo “suponha” – estratégia frequente em textos argumentativos e dissertativos que buscam envolvimento do interlocutor.

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Comentários

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Verbos no imperativo trazem essa ideia de comunicação direta com o leitor

Ao utilizar a expressão ``suponha`` ele (autor) dialoga diretamente como o leitor, diferentemente do que ocorre nas outras alternativas.

Veja: a partir disso você irá supor o que ele está propondo/sugerindo durante a leitura da frase.

C

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