Ao se afirmar que Visível ou não, o pentimento faz parte do ...

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Q3954784 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Arrependimentos


   Pentimento é a palavra italiana para arrependimento, mas designa, em muitas línguas, uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro. Ás vezes, com o passar do tempo, a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão. Outras vezes, os raios X dos restauradores desvendam opções anteriores, que permaneceram debaixo da obra final. Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados.

    Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos. São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história. 

   A vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar; são todos pentimentos encobertos, histórias que não se realizaram. Por que não se realizaram? Em geral, pensamos que nos faltou coragem: não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar para que outras escolhas tivessem uma chance. E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo.

     O problema dos pentimentos é que eles esvaziam a vida que temos. O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha "certa". Diante disso, de que adianta qualquer experiência presente? Os pentimentos podem ser maus conselheiros, até porque muitas vezes nós os inventamos como desculpas para OS fracassos do presente. Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Por conta da ação das redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer, como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado. Os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre.


(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveitara vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, pp. 25-27, passim)
Ao se afirmar que Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro (2º parágrafo), está-se considerando que
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: "Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados. / Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro". O critério decisivo é a definição contextual de "pentimento" como camada anterior da pintura encoberta, mas não apagada; por isso, a alternativa correta é a que reconhece a permanência de camadas sob a forma final.

Tema central: sentido de pentimento
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque desloca o sentido de "pentimento" para um suposto procedimento de esboçar fora da tela. O texto define pentimento como "uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro", isto é, algo presente na própria obra. Além disso, a alternativa inventa a ideia de figuras que depois seriam centrais, conteúdo que não aparece no texto.
B
Errada
Está errada porque troca o dado textual decisivo. O texto não diz que os traços foram apagados e depois recompostos; diz o contrário: foram "encobertos" e "descartados sem ser propriamente apagados". Também introduz a expressão "tela avariada", que não faz parte da passagem e altera o foco da explicação.
C
Errada
Está errada porque mistura o sentido moral de "arrependimento" com o sentido contextual efetivamente usado na frase. O texto informa a origem italiana da palavra, mas em seguida fixa sua acepção no campo da pintura. A analogia com a vida aparece depois; portanto, não se pode dizer que o fenômeno moral já esteja incluído na perspectiva visual adotada pelo artista.
D
Certa
A alternativa E está correta porque reescreve com fidelidade a ideia central do texto: o pentimento é uma expressão anterior da obra que não foi eliminada, apenas encoberta. O texto distingue claramente encobrir de apagar e afirma que o pentimento ainda integra o quadro, esteja visível ou não. A formulação "camadas de expressão que subsistem às formas que as encobriram" corresponde exatamente a essa permanência material de versões anteriores sob a pintura final.
E
Errada
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: ler "pentimento" apenas como arrependimento moral e confundir "encoberto" com "apagado". A frase do 2º parágrafo só se resolve corretamente quando se mantém o sentido plástico definido no 1º parágrafo.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o texto define um termo técnico ou contextual, essa definição prevalece sobre o sentido comum ou etimológico da palavra.
  • Em alternativas de interpretação, confronte verbos-chave do texto: aqui, "encobrir" não autoriza concluir "apagar".
  • Se a questão retoma uma frase de um parágrafo posterior, volte ao ponto em que o termo foi definido antes de interpretar a retomada.

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Comentários

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A)

❌ Fala de “figuras que depois serão centrais” — o texto não diz que o esboço vira elemento central.

B)

❌ Fala de tela avariada sendo recomposta — não tem relação.

C)

❌ Mistura o sentido moral do arrependimento com o visual — o texto não afirma isso aqui.

D)

❌ “Nunca fez parte física da tela” — o pentimento fazia parte física, apenas foi coberto.

E)

✔️ “há em certas pinturas camadas de expressão que subsistem às formas que as encobriram”

  • Exatamente o que o texto diz: mesmo encoberto, o pentimento continua presente na pintura.

A alternativa correta é a E) 

há em certas pinturas camadas de expressão que subsistem às formas que as encobriram.

O texto define pentimento como esboços, pinturas ou desenhos que foram rejeitados e cobertos pela versão final, mas que não foram apagados e, por vezes, transparecem. Portanto, o "pentimento" subsiste como uma camada de expressão anterior que continua a fazer parte da obra, mesmo oculto. 

Por que a E? O texto diz explicitamente que são restos do passado que ficam escondidos, mas não apagados, transparecendo no presente (potencialidades não realizadas, mas presentes). Isso descreve perfeitamente as camadas de expressão que subsistem embaixo da nova forma.

Por que as outras estão erradas? As alternativas A, B, C e D desviam do conceito técnico de pentimento (revisão/arrependeimento do artista na própria tela) apresentado no texto, focando em aspectos externos ou interpretações errôneas da metáfora. 

GAB E

Para responder a essa questão, basta focar na descrição técnica que o autor faz no primeiro e segundo parágrafos. Ele define o pentimento como algo que permanece "debaixo da obra final", descartado mas "não propriamente apagado". Portanto, ao dizer que ele faz parte do quadro, o autor confirma que essas camadas de expressão continuam existindo (subsistindo) fisicamente na tela, mesmo que a versão final as tenha escondido. As outras alternativas erram ao sugerir que o pentimento está fora da tela (A) ou que não é físico (D).

A alternativa E traduz exatamente o que o texto explica no primeiro e segundo parágrafos sobre a estrutura de uma pintura:

Camadas de expressão: O texto diz que o artista faz um esboço ou pintura inicial (uma "camada").

Subsistem às formas que as encobriram: O autor afirma que essas versões anteriores permanecem "debaixo da obra final", "sem ser propriamente apagadas". Ou seja, elas continuam existindo (subsistem) lá embaixo, mesmo que o artista tenha pintado outra coisa por cima para escondê-las (encobriram).

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Ainda bem que não fiz essa prova de português, teria sido facilmente eliminado!

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