A ansiedade de alta performance: quando a
maior pressão vem de dentro
Bruno Rosa*
A pressão no trabalho nem sempre vem do chefe, das
metas ou das cobranças externas. Muitas vezes, ela
nasce dentro do próprio profissional, que sente
necessidade de responder rapidamente a todas as
mensagens, entregar antes do prazo, antecipar
problemas, estar sempre disponível e provar seu valor
o tempo todo.
Mesmo quando ninguém está cobrando diretamente,
esse profissional continua se cobrando. A agenda
cheia passa a ser vista como sinal de importância, o
descanso parece perda de tempo, delegar tarefas gera
insegurança e dizer “não” parece falta de
comprometimento.
Essa cobrança constante pode se disfarçar de
ambição, responsabilidade e alta performance.
Afinal, buscar crescimento e excelência não é um
problema. O problema aparece quando a régua
interna deixa de ter limites e o profissional passa a
acreditar que precisa estar sempre produzindo,
acelerado e disponível.
Com o tempo, a busca por resultados deixa de gerar
satisfação e começa a consumir energia. A pessoa
pode ter dificuldade para se desconectar do trabalho,
sentir culpa ao descansar e permanecer em estado de
alerta mesmo fora do expediente. O corpo está em
casa, mas a mente continua presa às tarefas,
mensagens e preocupações do dia seguinte.
Os dados ajudam a dimensionar esse problema.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a
ansiedade e a depressão provocam a perda de
aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho por
ano, com um impacto estimado em US$ 1 trilhão na
produtividade global. Esses números mostram que a
saúde mental não é apenas uma questão individual,
mas também um tema importante para as empresas e
para a sociedade.
A cultura da disponibilidade permanente é um
exemplo. Responder a uma mensagem fora do horário
pode parecer uma atitude isolada de
comprometimento. Porém, quando isso se torna uma
expectativa, cria-se um ambiente em que a urgência
passa a fazer parte da rotina. O profissional sente que
precisa estar acessível o tempo todo para não parecer
desinteressado ou improdutivo.
Por isso, alta performance não deve ser confundida
com pressão permanente. Delegar tarefas, por
exemplo, não significa abandonar responsabilidades.
Significa distribuir conhecimento, desenvolver a
equipe e evitar que a operação dependa de uma única
pessoa. Da mesma forma, dizer “não” a uma demanda
pode ser uma forma de proteger a qualidade do
trabalho e impedir que as prioridades sejam
constantemente substituídas por novas urgências.
Os líderes também têm um papel fundamental. É
possível cobrar resultados sem transformar a
cobrança em uma cultura de medo ou disponibilidade
total. Para isso, é necessário estabelecer expectativas
claras, respeitar os períodos de descanso, reconhecer
limites e avaliar não apenas o volume de entregas,
mas também as condições em que elas são realizadas.
A performance sustentável depende de ritmo, clareza
e maturidade. É preciso aprender a administrar não
apenas tarefas, mas também energia, expectativas e
prioridades. O objetivo não deve ser produzir no limite todos os dias, e sim entregar com qualidade e
consistência ao longo do tempo.
No fim, a pergunta talvez não seja quanto mais
podemos fazer. A pergunta mais importante é quanto
conseguimos entregar sem precisar viver
permanentemente no limite.
Alta performance não deveria ser uma corrida contra
nós mesmos.
* Engenheiro e executivo especializado na área de performance. Fundador da
Domperf
HOJE EM DIA. Disponível em A ansiedade de alta performance: quando a
maior pressão vem de dentro .
“A pessoa pode ter dificuldade para se desconectar do
trabalho, sentir culpa ao descansar e permanecer em estado
de alerta mesmo fora do expediente.” (4ºparágrafo)
Assinale a alternativa em que a alteração da pontuação está
de acordo com a norma-padrão e preserva o sentido
fundamental do período original.
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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