Sobre a insuficiência hepática, analisar os itens abaixo: I...

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Q2201532 Medicina
Sobre a insuficiência hepática, analisar os itens abaixo:

I. A maioria dos pacientes com doença hepática e encefalopatia hepática tolera aminoácidos.
II. Raramente, por ocasião da terapia convencional médica, a presença de encefalopatia hepática impossibilita o adequado aporte proteico.
III. Na avaliação nutricional, a diminuição da síntese de ureia e o aumento da formação de amônia subestimam as perdas nitrogenadas.

Está(ão) CORRETO(S):
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Tema central: A questão aborda insuficiência hepática e manejo nutricional em pacientes com encefalopatia hepática. Este tema é fundamental para o médico clínico, pois envolve tomada de decisão em relação ao suporte nutricional, frequentemente envolvido na rotina hospitalar e ambulatorial.

Justificativa da alternativa correta (C: Somente os itens II e III):

Item II está correto: Raramente, na prática da terapia médica convencional, a encefalopatia hepática impede o adequado aporte proteico ao paciente. Segundo a Diretriz Brasileira de Terapia Nutricional no Paciente Grave, “a restrição proteica pode determinar proteólise com maior produção de amônia e piora da encefalopatia hepática” (página 40), reforçando que a restrição não é recomendada rotineiramente.

Item III está correto: Em pacientes com insuficiência hepática, a capacidade reduzida de sintetizar ureia associada ao aumento da formação de amônia pode levar à subestimação das perdas nitrogenadas. Isso dificulta a avaliação verdadeira do estado nutricional, sendo necessário cautela extra na análise laboratorial desses pacientes. Esse ponto é endossado pela diretriz da ESPEN para nutrição clínica na doença hepática.

Análise dos itens incorretos:

Item I está incorreto: Apesar da maioria dos pacientes com encefalopatia leve ou moderada tolerar ingestão proteica, há uma nuance importante: nem todos toleram aminoácidos sem que ocorra piora do quadro neurológico, especialmente nas formas graves. Segundo Nutrition in Chronic Liver Disease (PubMed), “a restrição só deve ser considerada em casos refratários à terapia otimizada". Assim, a afirmação é amplamente verdadeira, mas não absoluta, exigindo cuidado na seleção de pacientes.

Estratégias de prova:

Fique atento a termos como “a maioria”, “sempre” ou “raramente”. Eles exigem julgamento clínico apurado, e a prática médica moderna valoriza condutas individualizadas respaldadas por protocolos atualizados.

Referência normativa:
Segundo a Diretriz Brasileira de Terapia Nutricional no Paciente Grave (p. 40): “Pacientes com cirrose frequentemente apresentam desnutrição proteico-calórica... Restrição proteica pode determinar maior produção de amônia e piora da encefalopatia hepática.”

Conclusão: Itens II e III refletem com fidelidade as melhores evidências clínicas e orientações das diretrizes atuais. A alternativa correta é a C) Somente os itens II e III.

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A alternativa correta é a C, que afirma que apenas os itens II e III estão corretos. Vamos analisar cada um dos itens: I - A afirmação de que a maioria dos pacientes com doença hepática e encefalopatia hepática tolera aminoácidos é incorreta. A encefalopatia hepática é uma complicação de doenças hepáticas graves, e o metabolismo de aminoácidos é frequentemente prejudicado nestes pacientes. Eles são frequentemente intolerantes a altos níveis de aminoácidos, especialmente os de cadeia ramificada. II - Esta afirmação está correta. Em casos de encefalopatia hepática, a terapia médica convencional pode, de fato, tornar difícil fornecer a quantidade adequada de proteínas. Isso ocorre porque a função hepática prejudicada pode levar ao acúmulo de subprodutos tóxicos do metabolismo das proteínas, como a amônia. III - A afirmação de que, na avaliação nutricional, a diminuição da síntese de ureia e o aumento da formação de amônia subestimam as perdas nitrogenadas é correta. A ureia é um produto final do metabolismo das proteínas e, em condições de insuficiência hepática, sua síntese é prejudicada, o que pode levar a uma subestimação das perdas nitrogenadas. O aumento da formação de amônia é um sinal de insuficiência hepática e também pode levar a uma subestimação das perdas nitrogenadas.

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