Se no período “Um estudo feito na Universidade de Tel-Aviv, ...
DIFERENÇAS ESTRUTURAIS ENTRE CÉREBRO DE HOMENS E MULHERES PODE SER MITO, SUGERE ESTUDO COM NEUROIMAGENS
1 “O cérebro masculino é mais racional; o feminino, mais emotivo.” Quem já não ouviu esse senso comum? E, além
2 disso, há quem diga que homens são biologicamente mais propensos a seguir carreira na área das exatas e, as mulheres, no
3 campo das humanas. Um estudo feito na Universidade de Tel-Aviv, no entanto, sugere que essas percepções são superficiais
4 e, muito possivelmente, carregadas de vieses culturais. Com base no estudo de imagens do cérebro de mais de 1.400
5 pessoas, os cientistas descobriram que cérebros de homens e de mulheres compartilham uma miscelânea de formas, que
6 pareceriam variar mais de indivíduo para indivíduo do que de sexo para sexo.
7 Os neurocientistas encontraram algumas poucas diferenças estruturais. O hipocampo esquerdo – área associada
8 com a memória – costumava ser maior em homens, por exemplo. No entanto, houve uma quantidade significativa de
9 cérebros femininos em que essa região era do tamanho típico de um cérebro masculino. Por outro lado, em diversos
10 cérebros masculinos o hipocampo esquerdo era menor do que a média dos femininos.
11 Mas então por que homens e mulheres agem de forma tão diferente? Há base neurobiológica para isso? Segundo a
12 chefe de pesquisa, Daphna Joel, isso parece ser um mito. Sua equipe analisou dados sobre comportamentos estereotipados
13 de cada gênero, como jogar videogame e fazer artesanato. Os resultados também foram muito variados: apenas 0,1% dos
14 indivíduos tinha apenas comportamentos considerados femininos ou apenas comportamentos considerados masculinos.
15 Joel acredita que os resultados, publicados no Proceedings of the National Academy of Sciences, são um primeiro passo para
16 revolucionar a forma como o cérebro é compreendido pela comunidade científica e as percepções sobre gênero.
Se no período “Um estudo feito na Universidade de Tel-Aviv, no entanto, sugere que essas percepções são superficiais e, muito possivelmente, carregadas de vieses culturais” (excerto do primeiro parágrafo) substituíssemos Um estudo por Estudos, quantas outras palavras teriam que sofrer alteração para que o período conservasse a correção gramatical?
Gabarito comentado
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Tema central: A questão aborda concordância verbal e nominal, dois conceitos fundamentais da gramática normativa. É essencial ao candidato ao cargo de Médico clínico compreender como a flexão de número (singular/plural) interfere no ajuste das palavras de uma oração.
Justificativa da alternativa correta (A - Duas):
A substituição de “Um estudo” (singular) por “Estudos” (plural) exige que duas palavras sejam adequadas ao novo sujeito plural para manter a frase na norma culta:
- Artigo: “Um” (singular) deve ser trocado por “Uns” para concordar com “Estudos”.
- Verbo: “sugere” (singular) deve ser alterado para “sugerem” (plural), concordando em número.
Assim, duas palavras exigem alteração, segundo a regra de concordância verbal (o verbo deve concordar com o núcleo do sujeito; Cunha & Cintra) e de concordância nominal (os determinantes devem concordar em número e gênero com o substantivo; Bechara).
Análise das alternativas incorretas:
- B) Quatro: Não há quatro itens a alterar. “Essas percepções” e “carregadas” já estão no plural.
- C) Uma: Apenas trocar o verbo não resolve, pois o artigo também carece de ajuste.
- D) Três: Três alterações seriam excessivas — só “um” (artigo) e “sugere” (verbo) precisam ser mudados.
- E) Nenhuma: Trocar só o sujeito sem mexer nas demais palavras deixa a frase gramaticalmente incorreta.
Ponto de atenção: Uma pegadinha comum é esquecer o artigo. Atenção especial ao início da frase e ao verbo, pois mudanças no sujeito quase sempre implicam mudanças no artigo e no predicado verbal.
Dica de concurso: Leia atentamente após qualquer alteração estrutural (sujeito, número, gênero) e verifique artigos, adjetivos e verbos. Regra fundamental, conforme Celso Cunha e Lindley Cintra: “O artigo e o verbo devem sempre concordar em número com o núcleo do sujeito”.
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