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Q3156814 Serviço Social
Considerando o trabalho social com famílias no âmbito da Política Nacional de Assistência Social, analise as afirmativas abaixo atribuindo V quando verdadeira e F quando falsa. Após assinale a alternativa com a sequência correta.

I- A família, dependendo de sua configuração, continua sendo espaço privilegiado de convivência humana e, ao lado do trabalho, constitui um dos eixos organizadores da vida social;
II- A família enquanto espaço de proteção e cuidado permite que muitas necessidades de saúde e bem-estar não se transformem em demandas para serviços sociais;
III- As condições de vida de cada indivíduo dependem muito mais das condições de sua família que de sua situação específica;
IV- O foco na família representa a possibilidade de superar a fragmentação no contexto da atenção setorizada dos serviços, por necessidades, por segmentos ou por fenômenos.
Alternativas

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Alternativa correta: D — F, V, V, V

Tema central: trabalho social com famílias no âmbito da Política Nacional de Assistência Social (PNAS/SUAS). Importância: compreender a família como unidade de análise para planejamento de ações, sem naturalizá‑la nem sobrevalorizar seu papel como única fonte de proteção. Fontes: PNAS (Min. Cidadania/SUAS) e Lei Orgânica da Assistência Social — LOAS (Lei nº 8.742/1993).

Análise objetiva das afirmativas

I — Falsa. Embora a família seja instituição social relevante, a PNAS enfatiza sua diversidade e os limites da proteção familiar. Não se pode afirmar que, em qualquer configuração, ela seja sempre um “eixo” equiparável ao trabalho na organização da vida social — isso naturaliza e universaliza papéis que variam conforme desigualdades e contextos.

II — Verdadeira. A família, quando exerce proteções e cuidados, funciona como primeira rede, evitando que muitas necessidades se tornem demandas formais. É princípio reconhecido na prática do SUAS: fortalecer a família para prevenir processos de vulnerabilidade.

III — Verdadeira (com nuances). As condições familiares influenciam fortemente as condições de vida do indivíduo — renda, acesso, redes de apoio — e, portanto, são determinantes nas avaliações e intervenções. Isso não anula a importância da situação individual, mas destaca a centralidade do contexto familiar na análise social.

IV — Verdadeira. O foco na família permite integrar ações e superar a fragmentação setorial (saúde, educação, proteção), orientando respostas articuladas e centradas no contexto familiar, conforme diretrizes do SUAS.

Por que as demais alternativas estão erradas

— A, B, C, E não reproduzem a sequência correta F, V, V, V e, portanto, contradizem pelo menos uma das relações lógicas acima (por exemplo, B assume I verdadeira; E subestima o papel familiar em II–IV).

Dica de prova: procure palavras absolutas e avalie se a PNAS trata a família como referência contextual e variável — nem idealiza nem diminui seu papel; valorize declarações que refletem interdisciplinaridade e proteção familiar.

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Comentários

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O PNAS dá um papel central à família dentro da política de assistência social. Ele adota o princípio da matricialidade sociofamiliar, que significa o seguinte:

  • A família é o ponto de partida e de chegada das ações da assistência social.
  • O foco é fortalecer os vínculos familiares e comunitários como forma de proteção social.
  • Os serviços são estruturados em torno da família, e não apenas do indivíduo isolado.
  • Reconhece a pluralidade de arranjos familiares (não apenas o modelo tradicional).
  • Considera a família como sujeito de direitos, e não apenas como instrumento ou meio.
  • O Estado deve amparar as famílias fragilizadas, especialmente as que não conseguem prover proteção e cuidado.
  • A assistência atua sem exigir contrapartida financeira da família.
  • CRAS: fortalece vínculos familiares, previne rupturas, promove acesso a direitos.
  • CREAS: atua em situações de violação de direitos dentro da família, como violência doméstica ou negligência.

O resumo é: o PNAS vê a família como sujeito de direitos, plural e vulnerável, devendo ser protegida, fortalecida e acompanhada pelo Estado por meio de políticas públicas continuadas.

Fonte: Lindo ChatGPT ;)

"...Dentre essas mudanças pode-se observar um enxugamento dos grupos familiares (famílias menores), uma variedade de arranjos familiares (monoparentais, reconstituídas), além dos processos de empobrecimento acelerado e da desterritorialização das famílias gerada pelos movimentos migratórios."

"...A vulnerabilidade à pobreza está relacionada não apenas aos fatores da conjuntura econômica e das qualificações específicas dos indivíduos, mas também às tipologias ou arranjos familiares e aos ciclos de vida das famílias. Portanto, as condições de vida de cada indivíduo dependem menos de sua situação específica que daquela que caracteriza sua família. " PNAS, pg 42

Na PNAS (página 35), o texto oficial diz exatamente o contrário:

Para o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), o Estado não pode condicionar a proteção à "configuração" da família (se é nuclear, extensa, monoparental, etc.).

  • Ao dizer "dependendo", a questão sugere que apenas alguns tipos de família seriam espaços privilegiados.
  • Ao dizer "independentemente", a política reafirma o respeito à diversidade dos arranjos familiares contemporâneos.

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