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Q1242846 Português
Feliz por nada

    Geralmente, quando uma pessoa exclama “Estou tão feliz!”, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.
    Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou.
    Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.
    Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
    Feliz por nada, nada mesmo?
  Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza.
  “Faça isso, faça aquilo.” A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?
   Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando “realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma.
   Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.
   Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.
    Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre.
    Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto?
   A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.
    Ser feliz por nada talvez seja isso.


(MEDEIROS, Martha. Feliz por nada. Disponível em: https://www.
refletirpararefletir.com.br/4-cronicas-de-martha-medeiros. Acesso em:
20/09/2019.) 

Em “Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento.” (11º§), a coesão entre os enunciados ocorre por meio de uma:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Interpretação de texto – coesão textual por meio de conjunção condicional.

No trecho analisado, o núcleo da questão está em entender como a relação entre as orações é construída a partir do uso da conjunção “se”. No Português padrão, a conjunção “se” pode atuar como condicional, ligando ideias de modo que a realização de uma dependa da outra.

Explicação da alternativa correta – (A) Condição:
No trecho “Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento.”, a conjunção “se” atua como condicional. Segundo Bechara, conjunções condicionais “introduzem uma circunstância da qual depende a realização do fato expresso na oração principal”. Trata-se aqui de uma condição: Seremos mestres em nos libertar do pensamento caso realmente seja para ser mestre em alguma coisa. O conectivo “se” pede atenção em provas, pois com frequência é usado para sinalizar condição.

Análise das alternativas incorretas:

B) Explicação: A função explicativa requer conectivos como “porque”, “pois” – que esclarecem, justificam ou explicam um enunciado anterior. No caso, não há explicação, mas sim dependência de uma condição.

C) Justificativa: Embora a justificativa seja próxima da explicação, ela apresentaria um motivo claro para algo acontecer, o que não ocorre no trecho. Falta o elemento causal característico dessa relação.

D) Especificação: Especificação determina, delimita ou particulariza um termo anterior. Aqui não há delimitação, mas sim uma relação condicional entre ações.

Dica de prova: Sempre que o enunciado iniciar com “se”, avalie se expressa condição; evite confundir com causa, explicação ou detalhamento.

Resumo: A coesão entre os enunciados ocorre por condição, expressa pela conjunção “se”. Esse tipo de interpretação é muito comum em provas, exigindo atenção à função dos conectivos.

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Comentários

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Gabarito: A

✓ “Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento.” (11º§)

➥ Temos, em destaque, uma conjunção subordinativa condicional, ela equivale a "caso" e dá início a uma oração subordinada adverbial condicional. 

➥ FORÇA, GUERREIROS(AS)!!

Gab: A

Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento.” 

>> Se: conjunção subordinativa condicional!

>> Condicionais: introduzem uma oração que indica a hipótese ou a condição para a ocorrência da principal:

São elas: se; contanto que; salvo se; desde que; a menos que; a não ser que; caso; etc

(Dava pra lembrar da regra de raciocínio lógico também: se... então > condicional)

e a conjunção "então" ali na segunda oração? serve para nada?

RLM ajudou nessa questão. se ... então - CONDICIONAL

[GABARITO: LETRA A]

A coesão entre os enunciados ocorre por meio de uma:

A) Condição.

A frase "Se é para ser mestre em alguma coisa" introduz uma condição para a ação seguinte, que é a proposta de se tornar "mestres em nos libertar da patrulha do pensamento".

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