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Ano: 2026
Banca:
IGECS
Órgão:
Câmara de Arujá - SP
Prova:
IGECS - 2026 - Câmara de Arujá - SP - Analista Jurídico |
Q4282209
Português
Texto associado
Leia o texto abaixo para as responder à questão.
Microplásticos: o longo legado deixado pela poluição plástica
O mundo está se afogando sob o peso da poluição
plástica, com mais de 430 milhões de toneladas de plástico
produzidas anualmente. Dois terços são produtos de vida curta
que rapidamente se tornam resíduos, enchendo o oceano e, muitas
vezes, entrando na cadeia alimentar humana.
No Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano, em 5 de
junho, a questão da poluição plástica estará no centro das
atenções. Um dos legados mais danosos e duradouros da crise da
poluição plástica são os microplásticos, uma ameaça crescente à
saúde humana e planetária.
Essas minúsculas partículas de plástico estão presentes
em itens do dia a dia, incluindo cigarros, roupas e cosméticos.
Uma pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (PNUMA) mostra que o uso contínuo de alguns desses
produtos aumenta o acúmulo de microplásticos no meio
ambiente. Os microplásticos, que podem ter até cinco milímetros
de diâmetro, entram no oceano a partir da decomposição do lixo
plástico marinho, do escoamento de encanamentos, do
vazamento de instalações de produção e de outras fontes. Quando
ingeridos pela vida marinha, como aves, peixes, mamíferos e
plantas, os microplásticos têm efeitos tóxicos e mecânicos,
levando a problemas como redução da ingestão de alimentos,
sufocamento, mudanças comportamentais e alteração genética.
Além de entrar na cadeia alimentar por meio de frutos
do mar, as pessoas podem inalar microplásticos do ar, ingeri-los
na água e os absorver através da pele. Microplásticos foram
encontrados em vários órgãos humanos e até mesmo na placenta
de recém-nascidos. O relatório de 2021 do PNUMA, Da Poluição
à Solução, alertou que os produtos químicos nos microplásticos
"estão associados a sérios impactos na saúde, especialmente nas
mulheres". Eles podem incluir alterações na genética humana,
desenvolvimento cerebral e taxas de respiração, entre outros
problemas de saúde.
"Os impactos de produtos químicos e microplásticos
perigosos na fisiologia de humanos e organismos marinhos ainda
são iniciais e devem ser priorizados e acelerados nesta Década da
Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável", disse
Letícia Carvalho, chefe da Divisão de Água Marinha e Água
Doce do PNUMA. "Porém, a ação que limita sua propagação e
prevalência será, sem dúvida, benéfica para a nossa saúde, a
longo prazo, e para o bem-estar dos ecossistemas marinhos e
mais", acrescentou.
Filtros de cigarros
Os microplásticos conhecidos como fibras de acetato de
celulose compreendem a maioria dos filtros de cigarros. Com seis
trilhões de cigarros consumidos por um bilhão de fumantes
anualmente, essas fibras chegam a todos os cantos do mundo. As
bitucas de cigarro são o lixo plástico mais comum nas praias,
tornando os ecossistemas marinhos altamente suscetíveis a
vazamentos de microplásticos. Quando se decompõem, os
cigarros liberam microplásticos, metais pesados e muitos outros
produtos químicos que afetam a saúde e os serviços dos
ecossistemas.
Vestuário e têxteis
Os plásticos – incluindo poliéster, acrílico e nylon –
compreendem aproximadamente 60% de todo o material de
vestuário. Devido à abrasão, roupas e tecidos com esses materiais
eliminam microplásticos conhecidos como microfibras quando
lavados ou usados. De acordo com um relatório do PNUMA de
2020 que mapeia a cadeia de valor têxtil global, cerca de 9% das
perdas anuais de microplásticos para o oceano vêm de roupas e
outros têxteis.
Para reduzir essas perdas, os especialistas recomendam
usar as roupas mais vezes e lavá-las com menos frequência. Ao
comprar novas roupas, optar por materiais naturais de origem
sustentável pode diminuir ou eliminar a ameaça de vazamento de
microplástico – embora fazer isso possa vir com outras
compensações ambientais.
A longo prazo, o PNUMA e outras agências da ONU
que participam da Aliança das Nações Unidas para a Moda
Sustentável continuarão a impulsionar ações coordenadas na
indústria da moda. Eles também farão campanha para que o
governo faça transição para uma cadeia de valor têxtil sustentável
e circular com o mínimo de microplásticos. O PNUMA está
trabalhando em um roteiro que destaca as principais ações que as
partes interessadas podem tomar, bem como orientações para
melhorar as medidas de comunicação para impulsionar a
mudança de comportamento [...].
PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O MEIO AMBIENTE
(PNUMA). Microplásticos: o longo legado deixado pela poluição plástica.
Nairobi: PNUMA, 28 abr. 2023. Disponível em: UNEP Brasil – Microplásticos:
o longo legado deixado pela poluição plástica (adaptado).
A principal finalidade do texto é: