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Q3653583 Medicina
Em relação à doença policística do adulto (doença renal policística autossômica dominante) e seu comprometimento hepático, é CORRETO afirmar que:
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Tema central: Doença renal policística autossômica dominante (DRPAD) e seu comprometimento hepático, caracterizado por cistos hepáticos (doença policística hepática). Na DRPAD, rim e fígado podem ser afetados, mas a gravidade do fígado não “anda” junto com a do rim.

Alternativa correta: DNão há correlação entre a gravidade da doença renal e a extensão do comprometimento hepático. Na prática, pacientes com função renal preservada podem ter fígado muito cístico e volumoso, enquanto outros em diálise têm poucos cistos hepáticos. A carga de cistos no fígado relaciona-se mais com sexo feminino, exposição a estrogênio (anticoncepcionais, gestações) e idade, do que com a taxa de filtração glomerular. Referências: UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine; AASLD sobre doença policística hepática.

Por que as demais estão erradas?

A. “Diretamente proporcional” é uma pegadinha. Evidência clínica mostra independência entre o acometimento renal e hepático na DRPAD. Há mulheres jovens com fígado massivamente policístico e rins com função normal, e pacientes com insuficiência renal terminal com fígado pouco acometido (UpToDate; Harrison).

B. “Exclusivo de pacientes com insuficiência renal terminal” é falso. Cistos hepáticos podem surgir cedo e até preceder disfunção renal. Além disso, existe doença policística hepática isolada (ADPLD) sem doença renal. Logo, não é exclusivo de DRET.

C. “Apenas em homens acima dos 60 anos” está em desacordo com a epidemiologia. O comprometimento hepático é mais frequente e mais extenso em mulheres, associado a estrogênio e multiparidade, e pode ocorrer em idades mais jovens (AASLD/UpToDate).

Como interpretar questões assim: desconfie de termos absolutos como “exclusivo”, “apenas” e “diretamente proporcional”. Na DRPAD, lembre: fígado ≠ rim em gravidade; mulher/estrogênio aumentam carga hepática.

Clínica, diagnóstico e manejo (resumo útil para prova): muitos são assintomáticos; quando sintomáticos, há dor/empachamento por efeito de massa, infecção ou hemorragia de cisto. US é triagem; TC/RM quantificam volume hepático. Função hepática geralmente normal. Tratamento é conservador na maioria; em casos selecionados: análogos de somatostatina (octreotídeo/lanreotídeo) para reduzir volume, aspiração + escleroterapia, fenestração laparoscópica, ressecção ou transplante hepático em doença maciça refratária (AASLD/UpToDate).

Referências rápidas: UpToDate – Autosomal dominant polycystic kidney disease; AASLD Guidance – Polycystic liver disease; Harrison’s – Cystic diseases of the liver and kidney.

Gabarito: D

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