Em relação ao uso de benzodiazepínicos em crianças e adolesc...

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Q3795219 Psiquiatria
Em relação ao uso de benzodiazepínicos em crianças e adolescentes, qual das alternativas abaixo, considerando suas indicações, limitações e riscos, descreve a utilização de forma mais adequada? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: AACAP Practice Parameter for the Assessment and Treatment of Children and Adolescents With Anxiety Disorders (JAACAP, 2007), Recommendation 8 / trecho sobre benzodiazepínicos: "Benzodiazepines have not shown efficacy in controlled trials in childhood anxiety disorders (Table 1), despite established benefit in adult trials. Clinically they are used as an adjunct short-term treatment with SSRIs to achieve rapid reduction in severe anxiety symptoms that may permit initiation of the exposure phase of CBT (e.g., panic disorder, school refusal behavior; Birmaher et al., 1998; Renaud et al., 1999 [ct]). Clinicians should use benzodiazepines cautiously because of the possibility of developing dependency (Riddle et al., 1999). They are contraindicated in adolescents with substance abuse (Birmaher et al., 1998). Possible side effects include sedation, disinhibition, cognitive impairment, and difficulty with discontinuation (Labellarte et al., 1999)."

Tema central: Benzodiazepínicos pediátricos
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque afirma primeira linha e perfil de segurança bem estabelecido para transtorno de ansiedade generalizada em crianças e adolescentes, mas a diretriz oficial utilizada na base vai em sentido oposto: benzodiazepínicos não demonstraram eficácia em ensaios controlados para transtornos de ansiedade na infância e não são reconhecidos como tratamento de primeira linha nessa população.
B
Errada
Incorreta porque trata o uso prolongado como seguro e minimiza dependência e tolerância. A base afirma justamente o contrário: o uso deve ser cauteloso pela possibilidade de dependência, além de haver sedação, prejuízo cognitivo e dificuldade de retirada, o que exclui a ideia de segurança para uso contínuo.
C
Certa
A alternativa C coincide com o entendimento técnico oficial adotado na base: benzodiazepínicos não são terapia principal para transtornos ansiosos na infância e adolescência, mas podem ser utilizados com cautela como tratamento adjuvante e de curto prazo para redução rápida de sintomas graves. A mesma diretriz que admite esse uso restringido também aponta os motivos para não recomendar uso contínuo: possibilidade de dependência, sedação, prejuízo cognitivo e dificuldade de descontinuação. É esse conjunto — uso excepcional, curto e cauteloso, com limitação pelo perfil de risco — que torna a C a única compatível com a base.
D
Errada
Incorreta por erro quanto à fonte invocada. Segundo a base, o DSM-5-TR é manual diagnóstico/classificatório e não diretriz terapêutica prescritiva; portanto, não sustenta a afirmação de que benzodiazepínicos sejam intervenção principal preferível aos ISRS em adolescentes com transtorno do pânico.
E
Errada
Incorreta porque usa formulação absoluta incompatível com a base: dizer que devem ser evitados em qualquer circunstância e que não apresentam nenhuma evidência de eficácia clínica em qualquer transtorno psiquiátrico infantil elimina a exceção reconhecida pela diretriz oficial, que admite uso clínico adjuvante e de curto prazo em situações selecionadas.
Pegadinha da questão
A banca explorou quatro confusões reais: confundir rapidez de efeito com tratamento de primeira linha, transformar uso excepcional e adjuvante em autorização para uso contínuo, tomar o DSM-5-TR como fonte de recomendação terapêutica e converter a existência de riscos em proibição absoluta.
Dica para questões semelhantes
  • Se a alternativa disser que benzodiazepínico é primeira linha em crianças e adolescentes para ansiedade, a base manda excluir.
  • Procure a combinação correta: uso adjuvante, curto prazo, cautela e riscos de dependência/sedação/prejuízo cognitivo.
  • Quando a alternativa invocar DSM-5-TR para prescrever tratamento preferencial, verifique a função da fonte: na base, ele não serve como diretriz terapêutica principal.
  • Desconfie de alternativas absolutas como "em qualquer circunstância" ou "raramente causa dependência" quando a base reconhece exceção de uso e riscos relevantes.

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