No que se refere às pericardites, julgue o item subsecutivo....
Em pacientes com pericardite constritiva que desenvolvem fibrilação atrial com resposta ventricular rápida, o betabloqueador é o medicamento de escolha para o controle da frequência cardíaca.
Gabarito comentado
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Gabarito: E (errado)
Tema central: manejo da fibrilação atrial (FA) com resposta ventricular rápida em pericardite constritiva. Nessa condição, o coração é fortemente dependente de frequência e do enchimento precoce; a perda da contração atrial (FA) reduz o débito e a bradicardia induzida por betabloqueadores pode piorar o baixo débito.
Por que a afirmativa está errada? Em pericardite constritiva, betabloqueadores e bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos (verapamil/diltiazem) não são fármacos de escolha para “controlar frequência” porque seu efeito cronotrópico negativo e, por vezes, inotrópico negativo pode precipitar hipotensão e piora hemodinâmica. A estratégia preferida é restaurar ritmo sinusal (controle de ritmo), idealmente com amiodarona ou cardioversão elétrica se instabilidade. Para controle de frequência quando necessário, digoxina pode ser usada com cautela por ter pouco impacto na pressão arterial.
Conduta recomendada (resumo prático):
- Instável: cardioversão elétrica imediata.
- Estável: preferir amiodarona (controle de ritmo); considerar digoxina para controle de frequência se necessário.
- Evitar como primeira linha: betabloqueadores e verapamil/diltiazem por risco de queda do débito.
- Definitivo: pericardiectomia em constrição crônica sintomática.
Raciocínio fisiopatológico: a constrição limita o enchimento diastólico e aumenta a interdependência ventricular. A FA remove a “kick” atrial e a bradicardia reduz o tempo de enchimento eficaz, levando a hipoperfusão. Por isso, manter ritmo sinusal e evitar drogas que deprimam frequência/contratilidade é crucial.
Análise das alternativas:
- C (certo): Incorreta. Parte de um raciocínio geral para FA com RVR, mas não se aplica à pericardite constritiva; betabloqueadores podem piorar hemodinâmica e não são “de escolha”.
- E (errado): Correta como gabarito. O enunciado afirma que betabloqueador é a droga de escolha; isso contraria as melhores práticas em constrição.
Pegadinha de prova: Em FA com RVR, o reflexo é marcar betabloqueador/diltiazem. Exceção: estados dependentes de frequência/contratilidade (constrição, tamponamento, choque), nos quais amiodarona e/ou cardioversão são preferíveis.
Referências: ESC Guidelines on Pericardial Diseases (2015); UpToDate – Constrictive pericarditis: management; Harrison’s Principles of Internal Medicine, 21ª ed. Diretrizes e revisões convergem para priorizar controle de ritmo e evitar betabloqueadores como primeira linha na constrição.
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