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Q3060253 Medicina
A OMS estima que a ocorrência de sífilis complique um milhão de gestações por ano em todo o mundo92, levando a mais de 300 mil mortes fetais e neonatais e colocando em risco de morte prematura mais de 200 mil crianças. No Brasil, nos últimos cinco anos, foi observado um aumento constante no número de casos de sífilis em gestantes, sífilis congênita e sífilis adquirida. Esse aumento pode ser atribuído, em parte, à elevação nos números de testagem, decorrente da disseminação dos testes rápidos, mas também à diminuição do uso de preservativos, à redução na administração da penicilina na Atenção Básica e ao desabastecimento mundial de penicilina, entre outros.

Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral
às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis IST [recurso
eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde,
Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções
Sexualmente Transmissíveis. Brasília : Ministério da Saúde, 2022. 

Considerando texto acima apenas como caráter informativo, julgue o item que segue com base no tema que ele aborda e assuntos correlatos à prevenção e manejo de infecções do período neonatal.


No caso de um recém-nascido com suspeita de sífilis, apresentando alguma alteração no exame físico ou nos exames complementares de rotina, mesmo que o líquor tenha resultados normais, a criança deve ser diagnosticada com sífilis congênita sem neurossífilis. Nesse cenário, a recomendação é iniciar o tratamento com benzilpenicilina cristalina por um período de 10 dias, independentemente da ausência de alterações no líquor.

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C (certo)

Tema central: O manejo da sífilis congênita no recém-nascido envolve, principalmente, a avaliação clínica e laboratorial detalhada. Mesmo que o líquor (LCR) esteja sem alterações, a presença de sinais clínicos ou laboratoriais compatíveis com sífilis congênita exige intervenção terapêutica adequada para evitar a evolução da doença.

Justificativa para a alternativa correta:

De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) do Ministério da Saúde (2022):
“Recém-nascidos com evidências clínicas ou laboratoriais de sífilis congênita devem ser tratados com penicilina G cristalina por 10 dias, mesmo que o exame do líquor seja normal.”

Isso ocorre porque a infecção pode estar presente em outros órgãos e tecidos, mesmo com líquor normal – sendo fundamental garantir o tratamento eficaz. A penicilina G cristalina é a única droga com eficácia comprovada, prevenindo manifestações tardias e neurossífilis futura.

Análise crítica da alternativa incorreta:

Se a alternativa fosse “errado”, estaria em desacordo com o protocolo vigente e com as melhores práticas: há risco clínico de subtratar um RN potencialmente infectado ao aguardar alterações no líquor para tratar como sífilis congênita confirmada. A ausência de alteração no LCR não exclui o diagnóstico nem dispensa o tratamento completo.

Estratégias de prova e pontos de atenção:
Fique atento a “pegadinhas” comuns, como:

  • Exigir alteração no líquor para indicar o tratamento é equívoco conceitual.
  • Lembre-se: achados clínicos ou laboratoriais isolados já indicam tratamento completo.

Resumo clínico: RN com suspeita de sífilis, qualquer alteração clínica ou laboratorial → tratamento com penicilina cristalina por 10 dias, mesmo com líquor normal.

Referências e diretrizes: PCDT-IST/MS 2022, Seção “Sífilis Congênita”: “[…] tratar com penicilina G cristalina por 10 dias, mesmo que o líquor seja normal.”

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