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Q3060251 Medicina
A OMS estima que a ocorrência de sífilis complique um milhão de gestações por ano em todo o mundo92, levando a mais de 300 mil mortes fetais e neonatais e colocando em risco de morte prematura mais de 200 mil crianças. No Brasil, nos últimos cinco anos, foi observado um aumento constante no número de casos de sífilis em gestantes, sífilis congênita e sífilis adquirida. Esse aumento pode ser atribuído, em parte, à elevação nos números de testagem, decorrente da disseminação dos testes rápidos, mas também à diminuição do uso de preservativos, à redução na administração da penicilina na Atenção Básica e ao desabastecimento mundial de penicilina, entre outros.

Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral
às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis IST [recurso
eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde,
Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções
Sexualmente Transmissíveis. Brasília : Ministério da Saúde, 2022. 

Considerando texto acima apenas como caráter informativo, julgue o item que segue com base no tema que ele aborda e assuntos correlatos à prevenção e manejo de infecções do período neonatal.


Realizar testes treponêmico, com o mesmo tipo de teste simultaneamente, da mãe e da criança, é o melhor cenário para determinar o significado dos achados sorológicos da criança. 

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: A questão aborda diagnóstico sorológico de sífilis congênita e a interpretação dos exames em recém-nascidos expostos à infecção materna. Este é um dos pontos mais cobrados em provas de Residência Médica por envolver interpretação cuidadosa e aplicação das diretrizes vigentes.

Justificativa da alternativa correta (E):
A alternativa está correta ao identificar como errada a realização de testes treponêmicos simultâneos da mãe e do recém-nascido como melhor método diagnóstico.

Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com IST (Ministério da Saúde, 2022, seção “Sífilis Congênita – Diagnóstico”):
“O diagnóstico de sífilis congênita é baseado em uma combinação de achados clínicos, sorológicos e, quando disponíveis, exames complementares. Testes não treponêmicos (VDRL ou RPR) são preferidos para avaliação inicial em recém-nascidos, pois os testes treponêmicos podem refletir anticorpos maternos transferidos passivamente.”

Em termos práticos, os testes não treponêmicos (VDRL ou RPR) são fundamentais porque relacionam a atividade da doença. A comparação entre os títulos da mãe e do RN permite avaliar infecção ativa: títulos do recém-nascido quatro vezes maiores que o materno são altamente sugestivos de sífilis congênita.

Em contrapartida, os testes treponêmicos detectam anticorpos IgG, que cruzam a placenta. Logo, um resultado positivo em ambos pode simplesmente traduzir a transferência passiva desses anticorpos, sem indicar infecção do neonato. Isso pode causar falsos positivos e condutas desnecessárias.

Dica de prova: Sempre que for cobrada a abordagem sorológica de sífilis congênita, priorize testes não treponêmicos comparativos. Fique atento: “testes treponêmicos” nessa situação são pegadinha clássica!

Referência e estratégia: Use manuais como “Pediatria: Bases para a Prática” (SBP) e UpToDate, e sempre confira se a alternativa emprega o tipo correto de exame conforme a faixa etária.

Resumo: Testes treponêmicos simultâneos mãe-RN não permitem identificar com precisão a infecção congênita ativa. Prefira testes não treponêmicos e a comparação de títulos para um diagnóstico assertivo.

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