Bacteriascite nesta paciente não indica tratamento sendo es...

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Q3060196 Medicina
Uma menina de 3 anos de idade, diagnosticada com Atresia de Vias Biliares e cirrose hepática, sem histórico de cirurgias prévias, é admitida no Pronto Socorro com queixas de aumento do volume abdominal, diminuição do débito urinário e prostração/sonolência nos últimos 2 dias. Os exames laboratoriais revelam sódio (Na) 124 mEq/L, ureia 66 mg/dL, creatinina 0,8 mg/dL e potássio 5,1 mEq/L. A ultrassonografia de rins e vias urinárias não apresenta anormalidades, mas destaca a presença de ascite volumosa no leito ao ultrassom.
Bacteriascite nesta paciente não indica tratamento sendo esperada resolução espontânea.
Alternativas

Gabarito comentado

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O tema central desta questão é a ascite em uma paciente pediátrica com Atresia de Vias Biliares e cirrose hepática. A ascite é um acúmulo de líquido na cavidade peritoneal, frequentemente associada a doenças hepáticas crônicas. Em pacientes com ascite e cirrose, uma complicação comum é a peritonite bacteriana espontânea (PBE), que pode ser uma condição grave.

A alternativa apresentada é que a bacteriascite não indica tratamento e que se espera resolução espontânea. O gabarito é Errado. Vamos entender o porquê.

Justificativa:

A peritonite bacteriana espontânea (PBE) é uma infecção do líquido ascítico sem fonte intra-abdominal evidente. Em pacientes com ascite volumosa e cirrose, como no caso dessa paciente, a PBE é uma complicação frequente e potencialmente fatal. O tratamento adequado é crucial para prevenir complicações graves, como a sepse. De acordo com as diretrizes médicas, incluindo as da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e do UpToDate, o tratamento para PBE inclui o uso de antibióticos de amplo espectro, como a cefotaxima, que é uma cefalosporina de terceira geração. Em alguns casos, pode-se considerar a administração de albumina para prevenir a síndrome hepatorrenal.

Análise das alternativas:

A afirmação de que a bacteriascite não indica tratamento e se espera resolução espontânea é incorreta. A PBE requer intervenção médica imediata para evitar desenlaces desfavoráveis. A noção de que não seria necessário intervir contraria as práticas clínicas baseadas em evidências, as quais recomendam tratamento antibiótico imediato.

Além disso, a presença de sintomas como aumento do volume abdominal, diminuição do débito urinário e prostração/sonolência indicam que a condição da paciente está se agravando, reforçando a necessidade de intervenção terapêutica.

Portanto, é fundamental reconhecer a gravidade da PBE e tratar adequadamente com antibióticos, monitorando a resposta clínica e laboratorial da paciente.

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