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Q4153279 Medicina

Leia o caso clínico a seguir.



Uma mulher de 69 anos, portadora de câncer de mama, apresenta quadro de náuseas, desidratação e desorientação no tempo e espaço. Os exames de imagem mostram lesões osteolíticas disseminadas e ausência de lesões viscerais. Exames laboratoriais: hemoglobina 13,0 g/dL, glicemia 152 mg/dL, creatinina 3,4 mg/dL, fosfatase alcalina 580 U/L, albumina 2,8 g/dL, cálcio 14,3 mg/dL.



A paciente foi admitida no pronto-socorro, e as medidas adotadas para o atendimento dessa paciente foram as seguintes: 

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O caso caracteriza hipercalcemia maligna grave e sintomática, com cálcio de 14,3 mg/dL, desorientação, náuseas, desidratação e lesões osteolíticas disseminadas. Nessa emergência oncológica, a conduta inicial é hidratação com solução salina 0,9% associada a bisfosfonato intravenoso, o que torna a alternativa A a correta.

Tema central: Hipercalcemia maligna grave
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A reúne as duas medidas que tratam o problema agudo e o seu mecanismo predominante. A salina 0,9% corrige a desidratação induzida pela hipercalcemia, melhora a filtração glomerular e favorece a calciúrese. O ácido zoledrônico é o tratamento antirreabsortivo apropriado na hipercalcemia associada a metástases osteolíticas, porque reduz a atividade osteoclástica responsável pela liberação de cálcio. Portanto, é a combinação inicial padrão para hipercalcemia maligna grave e sintomática nesse contexto.
B
Errada
A hidratação está correta, mas a dexametasona não é o tratamento específico de primeira linha para a hipercalcemia osteolítica metastática do câncer de mama. O padrão do caso é de reabsorção óssea aumentada por lesões líticas, situação em que o alvo terapêutico é o osteoclasto, com bisfosfonato intravenoso.
C
Errada
A hemodiálise não é a primeira conduta apenas porque a creatinina está elevada. Na hipercalcemia maligna, diálise é medida de exceção, reservada para casos refratários, quando a hidratação e a terapia clínica não podem ser usadas com segurança, ou diante de complicações ameaçadoras. O enunciado não descreve falha prévia das medidas clínicas, impossibilidade de expansão volêmica, sobrecarga hídrica, arritmia ou coma que imponham diálise imediata como abordagem inicial.
D
Errada
Quimioterapia sistêmica pode integrar o tratamento oncológico subsequente, mas não corrige de forma imediata a emergência metabólica descrita. O problema agudo é a hipercalcemia grave sintomática, que exige estabilização inicial com medidas de ação mais rápida sobre volemia e reabsorção óssea. Iniciar quimioterapia como resposta imediata deixa sem tratamento adequado a urgência clínica do pronto-socorro.
Pegadinha da questão
A banca explora principalmente a creatinina de 3,4 mg/dL para induzir escolha precipitada por hemodiálise e, em paralelo, testa se o candidato identifica que as lesões osteolíticas apontam para bisfosfonato, não para dexametasona.
Dica para questões semelhantes
  • Se o cálcio estiver acima de 14 mg/dL e houver alteração neurológica, gastrointestinal ou desidratação, pense primeiro em hipercalcemia maligna grave com necessidade de tratamento imediato.
  • Quando o enunciado mostrar metástases osteolíticas, o mecanismo dominante é reabsorção óssea aumentada; isso favorece agente antirreabsortivo intravenoso como bisfosfonato.
  • Creatinina elevada isoladamente não transforma diálise em primeira escolha; procure no enunciado se há contraindicação à hidratação, refratariedade ou complicação ameaçadora.
  • Separe tratamento da emergência metabólica de tratamento da neoplasia de base: quimioterapia não substitui a correção inicial da hipercalcemia.

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