Releia o trecho a seguir. “Angustia-se, pois não é capaz de...
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
TEXTO
[...]
Quando Sartre diz que “nada pode ser bom para nós sem que o seja para todos”, ele quer dizer, precisamente, que ao escolhermos algo, estamos optando por uma alternativa que, dentro das condições de existência nas quais estamos inseridos, seria a melhor opção e, por ser a melhor, todos também poderiam optar pela mesma. Assim, ao escolher algo, o homem cria um modelo de homem que outros podem seguir; daí a sua responsabilidade diante da humanidade.
O existencialismo de Sartre, ao contrário das filosofias contemplativas, caracteriza-se por ser uma doutrina de ação, colocando sempre o compromisso como fator indispensável para a existência humana, uma vez que, sem compromisso, não há projeto de ser e, sem projeto de ser, o homem torna-se incapaz de conferir qualquer sentido à existência. Se a intencionalidade é a característica fundamental da consciência, ser livre é engajar-se, comprometer-se e, enfim, responsabilizar-se.
[...]
Diante dessa constante tarefa de fazer-se, do desamparo, da falta de fundamentos prontos e da responsabilidade que carrega diante de si e da humanidade, a liberdade traz ao sujeito a angústia existencial, a qual emerge no momento da decisão. Angustia-se, pois não é capaz de alterar as condições de existência que se lhe apresentam, tendo de escolher, por vezes, entre o ruim e o pior e tendo de arcar com as consequências dessa escolha; mais que isso, também não é capaz de não realizar essa escolha; e por fim, tem a incontornável tarefa de buscar, em sua subjetividade imanente, ou seja, na sua pura liberdade, os princípios que regerão sua escolha; isto é, terá de estar diante de seu próprio nada; eis o princípio da angústia.
CAMINHA, Lucas. Colunas Tortas.
Disponível em: <https://bit.ly/2Pq70oV>.
“Angustia-se, pois não é capaz de alterar as condições de existência que se lhe apresentam [...]”
Esse trecho pode, sem prejuízo de seu sentido original, ser reescrito das seguintes formas, exceto em:
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Gabarito comentado
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Tema central da questão: Análise das relações de sentido estabelecidas por conjunções, em especial a diferença entre conjunções causais e conjunções conclusivas, essencial para interpretação coerente de textos segundo a norma-padrão.
Justificativa para a alternativa correta (D): O trecho original “Angustia-se, pois não é capaz de alterar as condições de existência que se lhe apresentam” expressa uma relação de causa — o motivo da angústia é a incapacidade de mudar a própria condição. As conjunções causais, como afirmam Bechara (Moderna Gramática Portuguesa) e Cunha & Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo), introduzem a razão do fato principal apresentado na oração.
As alternativas A, B e C utilizam conjunções causais (“já que”, “porquanto” e “porque”), todas reconhecidas pela gramática normativa como indicadoras de causa. Assim, a reescrita dessas formas preserva o sentido original do trecho.
Atenção ao detalhe: Na alternativa D, a substituição por “logo” insere uma conjunção coordenativa conclusiva, cuja função é apresentar uma consequência ou desdobramento lógico do que foi dito antes (exemplos: “Estudou muito; logo, foi aprovado”). Aqui, a frase “Angustia-se, logo não é capaz de alterar as condições de existência que se lhe apresentam” sugere erroneamente que a angústia leva à incapacidade, invertendo a ordem causa-efeito do original.
Em concursos, é comum a troca de conectivos para testar a habilidade do candidato em identificar alterações sutis de sentido. Por isso, sempre analise se a reescrita mantém a relação lógica (causa, consequência, oposição, etc.) estabelecida no texto-fonte.
Em resumo: Apenas a alternativa D altera o sentido original, pois substitui uma causa por uma conclusão, distorcendo a ideia transmitida pelo texto. Esta análise é fundamental para resolver questões desse tipo, conforme recomendam Cunha & Cintra e Bechara.
Estratégia para outras questões: Sempre identifique o papel sintático e semântico da conjunção. Trocas aparentemente simples podem inverter ou distorcer o sentido!
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Comentários
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GABARITO D) LOGO - conjunção conclusiva. As outras conjunções são explicativas.
até onde eu sei ja que é causal
CONJUNÇÕES: As conjunções explicativas ligam a oração anterior a seguinte que a explica ou justifica a ideia nela contida ex: que, porque(letra c), pois (antes do verbo), porquanto ( letra b), por conseguinte.
Conjunção subordinada: Adversativas, causais, exemplo da letra A, introduzem uma oração que é causa da ocorrência da oração principal. São elas: porque, que, como (= porque, no início da frase), pois que, visto que, uma vez que, porquanto, já que, desde que, etc.
Na letra D, a conjunção LOGO é conclusiva, liga a oração anterior a uma consequência da posterior.
Corrijam-me, por favor !
fundep gosta desse tipo de questão galera
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