Quais figuras de linguagem encontram-se respectivamente apr...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3367948 Português
Por que ler os Clássicos?


Em tons de poesia, Ítalo Calvino afirma que “chama-se de clássico um livro que se configura como equivalente do universo, à semelhança dos antigos talismãs”. Um talismã é uma forma de nos religar com aquilo que nos ultrapassa e do qual queremos, em alguma medida, um auxílio, uma proteção, uma luz qualquer. E, no ritual da leitura, ele se oferece como um parceiro de diálogo profundo, com o qual podemos manter uma relação de proximidade porque nos acalenta, “entende-nos”, ou até mesmo nos consola nos momentos de agruras espirituais.


Um clássico é uma segunda vida, que nos revela outras cores, outras complexidades, outras experiências de mundo. Embora “falsas”, “fictícias”, “meramente imaginárias”, elas nos mostram em que medida nossas próprias vivências estão tão indissociavelmente unidas a todas as outras que nos cercam; por meio delas também constituímos uma transição inconsútil entre nós e tudo aquilo que não somos, mas que nos ajuda a significar nossas circunstâncias. Se isto nos for possível de estabelecer, então os clássicos seguirão cumprindo seus papéis, porque com eles aprendemos a compreender o mundo por uma lógica não cartesiana, como bem nos colocou Pamuk, na obra O romancista ingênuo e o sentimental. E esta lição, acredito, é aquela que levaremos por toda a vida.


Ler um clássico não se trata de uma relação amorosa superficial, mas aquela que exige uma grande dedicação, um constante empenho de nossa parte para que tudo aquilo que ela pode oferecer seja por nós alcançado, sem deixar sempre de abrir uma nova porta, provocar uma outra resposta, testar-nos enquanto estivermos vivos e dispostos a voltar a ele. É isto que torna um clássico o “meu” clássico. É isso que elevam livros a clássicos. Nunca fico a eles indiferentes, porque servem para nos definir, ampliando o nosso conhecimento acerca de nós mesmos, das outras pessoas e das coisas do mundo.


Texto Adaptado de: OLIVEIRA, L. Por que ler os clássicos? Revisitando uma “velha” pergunta. In: CARVALHO, M. A. F; CARVALHO- BELINI, R. G. Caminhos da Leitura: percursos colaborativos. Curitiba: Appris, 2002. 
Quais figuras de linguagem encontram-se respectivamente apresentadas, nos segmentos textuais destacados do primeiro parágrafo, a seguir?


I - “chama-se de clássico um livro que se configura como equivalente do universo, à semelhança dos antigos talismãs”

II - “ele se oferece como um parceiro de diálogo profundo, com o qual podemos manter uma relação de proximidade porque nos acalenta [...]” 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central da questão: Figuras de Linguagem. A questão exige que se reconheça, nos trechos destacados, quais figuras estão presentes, aplicando a classificação da norma-padrão sobre figuras como comparação e personificação.

I – “...um livro que se configura como equivalente do universo, à semelhança dos antigos talismãs”

Observe o termo “à semelhança de”. A comparação é facilmente identificada aqui porque há o conectivo de comparação (como, assim como, tal qual, à semelhança de). Segundo Bechara: “A comparação se diferencia da metáfora pela presença do elemento comparativo”. O livro clássico é comparado abertamente aos talismãs antigos.

II – “podemos manter uma relação de proximidade porque nos acalenta”

Aqui temos personificação (ou prosopopeia), pois se atribui a um objeto inanimado (o livro) a capacidade de acalentar, “oferecer-se” e manter proximidade, ações próprias de seres humanos. De acordo com Cunha & Cintra: “Personificação consiste em atribuir sentimentos ou ações humanas a seres não humanos”.

Justificativa da alternativa correta – D) Comparação; personificação

Essa opção classifica corretamente os dois segmentos destacados, seguindo a definição exata das figuras. Isso revela atenção ao uso dos elementos comparativos e à atribuição de características humanas a objetos.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Metáfora; comparação — Não há metáfora, pois no primeiro segmento o conectivo de comparação está presente.
  • B) Eufemismo; sinestesia — Eufemismo suaviza ideias desagradáveis; sinestesia mistura sensações dos sentidos. Nenhuma das duas ocorre nos trechos.
  • C) Hipérbole; metáfora — Não há exagero deliberado (hipérbole) ou comparação implícita (metáfora).
  • E) Sinestesia; personificação — Sinestesia não aparece no texto; o primeiro segmento traz comparação explícita.

Estratégia para questões semelhantes: Procure palavras que indiquem comparação (“como”, “tal qual”, “semelhança”) e atribuições de ações humanas a seres não humanos para identificar personificação.

Referências: Bechara, Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo