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Q3367947 Português
Por que ler os Clássicos?


Em tons de poesia, Ítalo Calvino afirma que “chama-se de clássico um livro que se configura como equivalente do universo, à semelhança dos antigos talismãs”. Um talismã é uma forma de nos religar com aquilo que nos ultrapassa e do qual queremos, em alguma medida, um auxílio, uma proteção, uma luz qualquer. E, no ritual da leitura, ele se oferece como um parceiro de diálogo profundo, com o qual podemos manter uma relação de proximidade porque nos acalenta, “entende-nos”, ou até mesmo nos consola nos momentos de agruras espirituais.


Um clássico é uma segunda vida, que nos revela outras cores, outras complexidades, outras experiências de mundo. Embora “falsas”, “fictícias”, “meramente imaginárias”, elas nos mostram em que medida nossas próprias vivências estão tão indissociavelmente unidas a todas as outras que nos cercam; por meio delas também constituímos uma transição inconsútil entre nós e tudo aquilo que não somos, mas que nos ajuda a significar nossas circunstâncias. Se isto nos for possível de estabelecer, então os clássicos seguirão cumprindo seus papéis, porque com eles aprendemos a compreender o mundo por uma lógica não cartesiana, como bem nos colocou Pamuk, na obra O romancista ingênuo e o sentimental. E esta lição, acredito, é aquela que levaremos por toda a vida.


Ler um clássico não se trata de uma relação amorosa superficial, mas aquela que exige uma grande dedicação, um constante empenho de nossa parte para que tudo aquilo que ela pode oferecer seja por nós alcançado, sem deixar sempre de abrir uma nova porta, provocar uma outra resposta, testar-nos enquanto estivermos vivos e dispostos a voltar a ele. É isto que torna um clássico o “meu” clássico. É isso que elevam livros a clássicos. Nunca fico a eles indiferentes, porque servem para nos definir, ampliando o nosso conhecimento acerca de nós mesmos, das outras pessoas e das coisas do mundo.


Texto Adaptado de: OLIVEIRA, L. Por que ler os clássicos? Revisitando uma “velha” pergunta. In: CARVALHO, M. A. F; CARVALHO- BELINI, R. G. Caminhos da Leitura: percursos colaborativos. Curitiba: Appris, 2002. 
Considerando a estrutura e a construção da argumentação em “Por que ler os Clássicos”, é adequado o que se afirma em:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é a predominância de marcas de primeira pessoa do plural na construção argumentativa, somada à subjetividade explícita do enunciador. Esse critério textual, presente em formas como “nos religar”, “podemos”, “aprendemos”, “levaremos” e “acredito”, sustenta a alternativa B e afasta as opções que falam em impessoalidade, terceira pessoa predominante ou objetividade sem interferência autoral.

Tema central: Pessoa discursiva predominante
Análise das alternativas
A
Errada
A eliminação está na afirmação de que há predominância de verbos e pronomes em terceira pessoa. Isso contraria o eixo argumentativo do texto, que recorre insistentemente à primeira pessoa do plural: “nos religar”, “podemos”, “aprendemos”, “levaremos”, “nosso”. Mesmo havendo linguagem conotativa, o núcleo da alternativa está errado na identificação da voz enunciativa predominante.
B
Certa
A alternativa B está correta porque descreve com precisão a construção enunciativa do texto: o autor argumenta incluindo-se com o leitor por meio de marcas reiteradas de primeira pessoa do plural, como “nos religar”, “podemos”, “aprendemos”, “levaremos” e “nosso”. Além disso, o texto não é neutro nem impessoal, pois há subjetividade explícita em “acredito” e em todo o tom valorativo-afetivo usado para defender a importância de ler os clássicos.
C
Errada
A alternativa erra ao classificar o texto como impessoal e sem interferência subjetiva. A presença de primeira pessoa e de opinião explícita em “acredito” impede essa leitura. O texto pode ser claro, mas clareza não equivale a impessoalidade; aqui há participação evidente do enunciador na construção da tese.
D
Errada
O erro está em afirmar linguagem denotativa como traço predominante. A base indica forte presença de linguagem figurada e metafórica, como “equivalente do universo”, “talismãs”, “parceiro de diálogo profundo”, “segunda vida” e “abrir uma nova porta”. O texto é persuasivo e afetivo, mas não se sustenta por denotação pura.
E
Errada
A alternativa erra na classificação do gênero de construção textual. O texto não narra acontecimentos vividos em sequência nem relata episódio pessoal; ele desenvolve reflexão argumentativa sobre o valor dos clássicos. A frase “Nunca fico a eles indiferentes” reforça subjetividade, mas não transforma o texto em relato de experiência.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre texto argumentativo e texto impessoal, além de induzir o candidato a ignorar o peso das marcas de primeira pessoa do plural e de “acredito” como sinais decisivos de subjetividade.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão tratar da construção da argumentação, localize primeiro os pronomes e verbos que revelam quem enuncia.
  • Não confunda clareza textual com impessoalidade: a presença de “eu”, “nós” ou opinião explícita já afasta neutralidade plena.
  • Em texto argumentativo, verifique se a persuasão é feita com linguagem objetiva ou com imagens e metáforas; isso evita confundir denotação com conotação.

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Comentários

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A - Não há linguagem coloquial e os pronomes não estão em terceira pessoa e sim na 1º Pessoa do plural.

B - Certa

C - o texto é construído de forma pessoal, de forma mais subjetiva e com interferência do autor.

D - Conotativa.

E - Não é relato de experiência.

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