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Q2348725 Conhecimentos Gerais
A liberdade cognitiva é um dos desafios éticos postos pela interface cérebro-computador e por outras neurotecnologias. A liberdade cognitiva consiste no direito ao controle sobre nossas próprias consciências e processos mentais e ela tem sido reivindicada como um direito humano universal, sobretudo na atualidade, em que os conteúdos gerados por máquinas se tornam mais persuasivos e os seres humanos precisam estar mais conscientes sobre como sua capacidade cognitiva pode ser explorada e manipulada.

Adaptado de https://unlocked.microsoft.com/ai-anthology/nita-farahany/

Considerando o texto, assinale a afirmativa que indica corretamente um procedimento que ameaça a liberdade cognitiva em um contexto de uso intensivo de inteligência artificial. 
Alternativas

Gabarito comentado

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A alternativa correta é a E - Processos que automatizam o compartilhamento de dados pessoais em redes sociais e outros apps.

Para entendermos o motivo dessa ser a resposta correta, é necessário compreender o conceito de liberdade cognitiva. Na era da inteligência artificial e da coleta de dados em massa, nossa capacidade de tomar decisões livres e conscientes pode ser comprometida sem que percebamos. A automação do compartilhamento de dados pessoais pode levar à criação de perfis de comportamento muito precisos por empresas e sistemas de inteligência artificial, que, por sua vez, podem usar essas informações para manipular nossas decisões, preferências e, em última instância, nossos processos mentais sem que tenhamos o controle ou mesmo conhecimento disso.

Isso afeta a liberdade cognitiva ao reduzir nossa capacidade de controlar a informação que compartilhamos e como ela é usada para influenciar nossa percepção e comportamento. Ao automatizar o compartilhamento de dados, perdemos o controle sobre como essas informações são distribuídas e utilizadas, abrindo espaço para manipulações sutis e inconscientes de nossas escolhas e preferências - algo que é muito valioso para entidades que buscam influenciar as decisões do consumidor ou do eleitor.

É importante notar que as outras alternativas listadas na questão referem-se a medidas que, de fato, poderiam proteger a liberdade cognitiva, como desativar algoritmos que filtram conteúdo (A), permitir um melhor controle de notificações (B), encorajar um engajamento crítico com as notícias (C) e informar se o conteúdo foi gerado por humanos ou máquinas (D). Essas medidas são projetadas para dar aos usuários mais transparência e controle sobre a informação que consomem e compartilham, o que é fundamental para preservar a liberdade cognitiva.

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Comentários

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A questão define liberdade cognitiva como: “o direito ao controle sobre nossas próprias consciências e processos mentais”. Ou seja, trata-se do direito de decidir livremente o que pensar, no que acreditar, quais informações consumir e como usar a própria mente sem manipulação externa indevida.

Quando dados pessoais são automaticamente compartilhados sem que a pessoa tenha controle real sobre isso, duas ameaças ocorrem:

1.Perda do controle sobre a própria mente: esses dados podem ser usados para personalizar conteúdos altamente persuasivos, moldando comportamentos, crenças e decisões sem que o usuário perceba.

2.Manipulação algorítmica: com base nesses dados, sistemas de IA podem influenciar emoções, opiniões políticas, padrões de consumo etc., violando diretamente a liberdade cognitiva.

Em resumo: automatizar o compartilhamento de dados tira o controle do indivíduo sobre como sua mente é influenciada, o que fere a liberdade cognitiva.

Por que as demais estão incorretas:

A) “Opção que desativa os algoritmos que selecionam a oferta de conteúdos com base nas preferências de visualização.”

-Não ameaça a liberdade cognitiva — pelo contrário, protege esse direito.

-Se o usuário pode desativar a seleção algorítmica, ele tem mais autonomia para decidir o que ver e pensar.

B) “Dispositivos que permitem um controle maior dos usuários sobre as notificações dos aplicativos.”

-Também reforça a liberdade cognitiva, pois dá ao usuário o poder de gerenciar estímulos externos.

-Controlar notificações reduz manipulação comportamental e ajuda na autodeterminação mental.

C) “Solicitação para que os usuários se envolvam criticamente com uma notícia antes de compartilhá-la.”

-Isso fortalece a liberdade cognitiva, pois estimula reflexão e pensamento crítico — exatamente o oposto da manipulação automática.

D) “Rótulos que contêm aviso se conteúdos foram gerados por humanos ou máquina.”

-Também protege a liberdade cognitiva ao promover transparência.

-Saber a origem da informação permite ao usuário avaliar conscientemente sua credibilidade e decidir com autonomia.

Prof. Wendell Castellano (Professor de Administração para concursos)

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