Paciente diagnosticado com Síndrome de Guillain Barré necess...

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Q3258728 Medicina
Paciente diagnosticado com Síndrome de Guillain Barré necessitou de intubação orotraqueal de sequência rápida evoluído para parada cardiorrespiratória. Assinale a alternativa que apresenta a droga implicada na intercorrência.
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Tema central: manejo de via aérea em paciente com Síndrome de Guillain-Barré (SGB) e escolha segura de bloqueadores neuromusculares na sequência rápida de intubação.

Alternativa correta: D — Succinilcolina

Por quê? Em doenças com desnervação ou desmielinização periférica como a SGB, há upregulation de receptores nicotínicos extrajuncionais no músculo. A succinilcolina (bloqueador despolarizante) ativa massivamente esses receptores, promovendo efluxo agudo de potássio do interior celular para o plasma, o que pode causar hipercalemia grave, arritmias ventriculares e parada cardiorrespiratória. Essa complicação pode ocorrer a partir de 24–48 h do início da desnervação e persistir por semanas/meses. Referências: UpToDate; Miller’s Anesthesia; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Como pensar na prova: Ao ver “SGB + IOT de sequência rápida + PCR”, associe imediatamente a succinilcolina → hipercalemia. É uma clássica contraindicação, assim como em grandes queimaduras, traumatismos com imobilização prolongada, lesões medulares e AVE com déficit motor.

Análise das alternativas incorretas

  • A) Propofol: Hipnótico com potencial de hipotensão e bradicardia, sobretudo em pacientes hipovolêmicos/instáveis. Embora possa piorar hemodinâmica, não causa hipercalemia súbita nem é a causa típica de PCR imediata no contexto descrito.
  • B) Rocurônio: Bloqueador não despolarizante. É a alternativa segura na SGB para sequência rápida (dose ~1,0–1,2 mg/kg). Pode ter duração prolongada em pacientes com disautonomia/comprometimento neuromuscular, mas não provoca hipercalemia. Reversível com sugammadex.
  • C) Etomidato: Indutor com estabilidade hemodinâmica relativa. Pode suprimir cortisol transitóriamente, porém isso não explica PCR imediata no cenário de IOT. Não está associado a hipercalemia.

Conduta prática recomendada (SBA/UpToDate): em SGB, evitar succinilcolina. Preferir rocurônio para sequência rápida; monitorar hemodinâmica e ventilação, e considerar sugammadex para reversão quando indicado.

Pegadinha clássica: confundir “droga que causa instabilidade hemodinâmica” (propofol) com “droga que causa hipercalemia e PCR” (succinilcolina). O achado-chave é a desnervação.

Resumo: Na SGB, a succinilcolina é contraindicada por risco de hipercalemia fatal. Use rocurônio na sequência rápida.

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