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"Isso torna este o momento perfeito para perseguir formigas...

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Q4195478 Português
As formigas estão voando no Quênia neste momento.


Durante esta estação chuvosa, enxames podem ser vistos deixando os milhares de formigueiros em Gilgil e nos arredores, uma tranquila cidade agrícola no Vale do Rift , no Quênia, que se tornou o centro de um comércio ilegal em rápida expansão.

O ritual de acasalamento faz com que machos alados deixem o ninho para fecundar as rainhas, que também voam nesse período. Isso torna este o momento perfeito para perseguir formigas-rainhas e vendê-las a contrabandistas que estão no centro de um crescente mercado negro global, que se aproveita da moda de ter formigas como animais de estimação em recintos transparentes projetados para observar os insetos enquanto constroem uma colônia.

São as rainhas das formigas gigantes africanas coletoras, grandes e vermelhas, que são mais valorizadas pelos colecionadores internacionais — uma única rainha pode alcançar até £170 (cerca de R$ 1.185) no mercado clandestino, que costuma operar online.

Uma única rainha fecundada é capaz de criar toda uma colônia e pode viver por décadas — e pode ser facilmente enviada pelo correio, já que scanners tendem a não detectar material orgânico.

"No começo, eu nem sabia que era ilegal", disse à BBC um homem, que pediu para não ser identificado, sobre como certa vez atuou como intermediário, conectando compradores estrangeiros a redes locais de coleta.

Também conhecidas como Messor cephalotes , essas formigas são nativas da África Oriental e conhecidas por seu comportamento característico de coleta de sementes, o que as torna populares entre colecionadores de formigas.

"Um amigo me disse que um estrangeiro estava pagando bem pelas rainhas — aquelas grandes e vermelhas que são facilmente vistas por aqui", disse o ex-intermediário.

"Você procura os montes perto de campos abertos, geralmente de manhã cedo antes do calor. Os estrangeiros nunca iam aos campos — esperavam na cidade, em pousadas ou dentro de carros, e nós levávamos as formigas para eles, embaladas em pequenos tubos ou seringas que eles nos forneciam.

A dimensão do comércio ilícito no Quênia ficou evidente no ano passado, quando 5 mil rainhas de formigas gigantes coletoras — coletadas principalmente nos arredores de Gilgil — foram encontradas vivas em uma pousada em Naivasha , uma cidade próxima à beira de um lago popular entre turistas.

Os suspeitos — da Bélgica, do Vietnã e do Quênia — tinham embalado os tubos de ensaio e seringas com algodão úmido, o que permitiria que cada formiga sobrevivesse por dois meses, segundo o Serviço de Vida Selvagem do Quênia (KWS).

O plano era levá-las à Europa e à Ásia e colocá-las à venda.

Esse comércio de formigas surpreendeu cientistas e autoridades.

O país da África Oriental está mais acostumado a crimes de grande repercussão envolvendo marfim de elefantes e chifres de rinoceronte.

A varejista britânica Ants R Us descreve a formiga gigante africana coletora como "a espécie dos sonhos de muita gente" — embora as rainhas estejam atualmente fora de estoque, com o site explicando que é muito difícil para os vendedores consegui-las.

"Até eu, como entomólogo, fiquei surpreso com a extensão do aparente comércio", disse à BBC Dino Martins, biólogo radicado no Quênia, onde há cerca de 600 espécies de formigas.

No entanto, ele entende o fascínio pela colhedora da África Oriental, com colônias criadas por uma "rainha fundadora", que pode crescer até 25 mm (0,98 polegada) e que produz ovos ao longo de toda a vida.

"Elas são uma das espécies de formigas mais enigmáticas — formam colônias grandes, apresentam comportamentos interessantes e são fáceis de manter. Não são agressivas."

Durante o enxameamento, ele diz que as rainhas acasalam com vários machos.

"Depois disso, acabou para os machos — o trabalho deles está feito... a maioria é comida por predadores ou morre", diz o entomólogo, passando a explicar como a rainha então se afasta rapidamente para cavar uma pequena toca e começar a pôr ovos para iniciar seu império.



https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5yxlky2v7mo fragmento
"Isso torna este o momento perfeito para perseguir formigas-rainhas."
"...aquelas grandes e vermelhas que são facilmente vistas por aqui, disse o ex-intermediário."
Com base nas regras de hifenização aplicáveis às palavras compostas, analise as afirmativas a seguir, acerca dos vocábulos grafados com hífen no texto, bem como daqueles empregados fora desse contexto.

I.O vocábulo 'formigas-rainhas' é grafado com hífen porque, nos compostos sem elemento de ligação cujo primeiro termo é um substantivo, emprega-se o hífen, tal como ocorre em 'arco-íris' e 'joão-ninguém'.

II.Os vocábulos formados por prefixos que indicam anterioridade ou cessação, como 'ex-', devem ser grafados com hífen, o que justifica seu emprego na palavra 'ex-intermediário'.Os vocábulos 'soto-almirante' e 'vice-presidente' também estão grafados corretamente. 

III.O vocábulo 'café-com-leite' encontra-se corretamente grafado com hífen, por se tratar de uma forma consagrada pelo uso, a qual, por essa razão, não sofreu alteração com o Acordo Ortográfico.

IV.Semelhante ao prefixo 'ex-', o prefixo 'contra-' pode ser empregado com hífen, na maioria dos casos, como em 'contra-almirante' e 'contra-regra', embora seu uso não seja obrigatório em todas as formações.


Assinale a alternativa que apresenta apenas as proposições corretas.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A decisão depende de aplicar a regra do hífen aos exemplos do texto e às formações prefixais: "formigas-rainhas" e "ex-intermediário". O primeiro se ajusta ao composto sem elemento de ligação; o segundo confirma o uso obrigatório do hífen com "ex-". Com isso, a proposição IV é afastada pela generalização indevida sobre "contra-", e a III não se sustenta como critério normativo decisivo no contexto da questão.

Tema central: Emprego do hífen
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque exclui II, que está correta, e mantém IV, que está errada. O problema de IV não está nos exemplos isolados, mas na regra formulada: afirmar que "contra-" usa hífen "na maioria dos casos" é generalização indevida, já que o hífen com esse prefixo ocorre apenas em condições específicas.
B
Errada
Está errada porque aceita III e IV como corretas. Em III, a justificativa apresentada é inadequada: a afirmação tenta validar "café-com-leite" por ser forma "consagrada pelo uso" e por supostamente não ter sofrido alteração com o Acordo Ortográfico, mas esse não é, aqui, o critério normativo decisivo formulado com precisão suficiente. Em IV, há erro de regra geral, pois o uso do hífen com "contra-" não ocorre "na maioria dos casos".
C
Certa
A alternativa C é a correta porque reúne exatamente as proposições que se alinham à norma ortográfica cobrada. Em I, a grafia "formigas-rainhas" é compatível com o emprego do hífen em composto sem elemento de ligação, no mesmo padrão de compostos como os citados na própria afirmativa. Em II, "ex-intermediário" está corretamente explicado pelo uso de hífen com "ex-" quando indica condição anterior, e a mesma norma sustenta as formas "soto-almirante" e "vice-presidente". Assim, apenas I e II permanecem válidas no conjunto.
D
Errada
Está errada porque exclui I, que está correta, e inclui III, cuja fundamentação não se sustenta adequadamente. I se apoia em regra válida para composto sem elemento de ligação, como mostra "formigas-rainhas". Já III não pode ser aceita porque a justificativa usada na proposição é normativamente imprecisa para validar a afirmação no contexto da questão.
Pegadinha da questão
A banca explorou duas confusões reais: tomar exemplos com hífen como prova automática de que toda a justificativa da afirmativa está correta e aceitar, em IV, a expressão "na maioria dos casos" sem verificar que o erro está justamente nessa generalização da regra de "contra-".
Dica para questões semelhantes
  • Separe composto vocabular de formação prefixal antes de julgar a regra do hífen.
  • Não valide uma afirmativa só porque o exemplo parece correto; confira se a justificativa normativa também está correta.
  • Quando a proposição usar expressões amplas como "na maioria dos casos", confronte essa generalização com a regra efetiva.
  • Em ortografia, a decisão costuma depender mais do critério enunciado do que da familiaridade visual da palavra.

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