Um paciente de 54 anos, portador de cirrose alcoólica, com ...
Um paciente de 54 anos, portador de cirrose alcoólica, com severa gastropatia hipertensiva e varizes esôfago-gástricas refratárias a tratamento endoscópico, é submetido à cirurgia de confecção de shunt esplenorrenal. Dois anos após o procedimento, verifica-se deterioração rápida da função hepática, com dopplerfluxometria evidenciando fluxo portal lentificado, sem trombos.
O cirurgião assistente suspeita de perda de seletividade do shunt, uma vez que no ato cirúrgico houve preservação da seguinte estrutura:
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Tema central: Shunt esplenorrenal seletivo (Cirurgia de Warren) e a importância da ligadura das colaterais pancreáticas.
A questão aborda uma complicação tardia (deterioração rápida da função hepática) após procedimento cirúrgico em portador de hipertensão portal. O enunciado exige atenção ao conceito de seletividade do shunt e suas repercussões práticas.
Justificativa da alternativa correta – C) Colaterais pancreáticos
No shunt esplenorrenal distal seletivo, é fundamental a ligadura das colaterais pancreáticas à veia esplênica. A função do shunt é drenar seletivamente o sangue da veia esplênica para a veia renal, preservando o fluxo portal hepático e reduzindo complicações como encefalopatia. Se houver falha na ligadura dessas colaterais, parte significativa do fluxo portal derivará para a circulação sistêmica, diminuindo o aporte sanguíneo ao fígado, comprometendo a função hepática e caracterizando a perda de seletividade do shunt.
Estudo na Acta Cirúrgica Brasileira (citado em BVS) reforça: “A preservação das colaterais pancreáticas pode comprometer a seletividade do shunt, enfatizando a importância de sua ligadura durante o procedimento cirúrgico.”
Análise das alternativas incorretas:
- A) Ligamento venoso: Remanescente da veia umbilical, sem relevância para o shunt esplenorrenal.
- B) Veia gonadal esquerda: Drena diretamente para a veia renal; sua preservação ou ligadura não influencia seletividade nem fluxo portal.
- D) Baço: É preservado na cirurgia de Warren. Sua remoção não impede a perda de seletividade caso as colaterais pancreáticas estejam íntegras.
- E) Veia suprarrenal esquerda: Embora se junte à veia renal, não exerce papel direto no direcionamento do fluxo portal pelo shunt.
Estratégia para prova: Preste atenção em expressões como “perda de seletividade” e associe com a drenagem venosa acessória da veia esplênica pela cauda do pâncreas. Em cirurgias vasculares da hipertensão portal, memorize as conexões colaterais.
Resumo: Não ligar as colaterais pancreáticas durante o shunt esplenorrenal coloca em risco a seletividade do procedimento, prejudicando o paciente cirrótico. Este é um conceito clássico cobrado em concursos e amplamente reforçado em literatura de referência, como Sabiston (“Textbook of Surgery”).
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