Paciente de 40 anos foi submetida à fundoplicatura de Nisse...
Paciente de 40 anos foi submetida à fundoplicatura de Nissen por meio de videolaparoscopia há 30 dias, devido à doença do refluxo gastroesofagiano com esôfago de Barret. A esofagomanometria pré-operatória demonstrou contratilidade esofagiana normal. A cirurgia foi realizada sem intercorrências, tendo sido utilizada sutura inabsorvível para a realização da fundoplicatura e aproximação dos pilares diafragmáticos. No momento, a paciente queixa-se de disfagia para alimentos sólidos, já tendo, inclusive, apresentado dois episódios de regurgitação.
Com relação à queixa apresentada pela paciente, qual hipótese diagnóstica e o tratamento a ser empregado?
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Tema central: Disfagia transitória pós-fundoplicatura de Nissen.
A questão aborda um cenário bastante frequente em cirurgia geral: disfagia nos primeiros 30 dias após fundoplicatura de Nissen. É fundamental reconhecer que, nesse período, a causa mais provável é o edema transitório da junção gastroesofágica, resultado da manipulação cirúrgica recente.
Justificativa para a alternativa correta (C):
Segundo a Organização Mundial de Gastroenterologia: “A disfagia transitória após fundoplicatura é comum e na maioria das vezes desaparece até seis semanas após a operação.” Na prática clínica, este quadro é manejado conservadoramente com progressão gradual da dieta: de líquidos para pastosos, avançando conforme tolerância do paciente. A adoção de dieta adequada permite a regressão do edema e a adaptação funcional do esôfago.
Estudos (como revisado em UpToDate) e obras clássicas (Sabiston, Schwartz) reforçam que até 50% dos pacientes apresentam algum grau de disfagia nas primeiras semanas após a cirurgia, com resolução espontânea na maioria dos casos.
Análise das alternativas incorretas:
- A) Hipomotilidade esofagiana transitória — procinético do tipo bromoprida: Procinéticos não estão indicados rotineiramente. Alem disso, a disfagia pós-fundoplicatura no início geralmente não decorre de distúrbio primário motor.
- B) Migração da válvula de Nissen — indicar revisão cirúrgica: É uma complicação tardia, rara no primeiro mês, cujo quadro clínico envolve recidiva de refluxo, não disfagia isolada.
- D) Desenvolvimento de adenocarcinoma de esôfago — esofagectomia: Extremamente improvável no curto prazo pós-operatório e sem correlação com sintomas agudos.
- E) Fibrose ou estenose da válvula — indicar revisão cirúrgica: Essas complicações surgem mais tardiamente (após meses). No pós-operatório recente, é improvável.
Estrategias na prova: Foque no tempo de evolução do sintoma e contexto cirúrgico. Quadros precoces sugerem causas funcionais ou transitórias; quadros tardios, complicações estruturais.
Resumo: O edema pós-operatório é esperado após fundoplicatura e seu manejo é conservador, com dieta progressiva. Revisões cirúrgicas ou farmacoterapia são reservadas para casos persistentes ou complicações estruturais.
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