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Q4037268 Português

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Como o veneno de um lagarto deu início a uma revolução no tratamento da obesidade


Perder peso e o sonho dos que estão acima dele. Ate aqui, a medicina quase nada tinha a oferecer alem do jargão "mais atividade física e dieta saudável".

Então surgiram os agonistas do receptor GLP-1, que se Iigam a esse receptor presente na superfície de uma série de celulas do corpo humano. O impacto tem sido tão grande que, em entrevista à revista Nature, Timothy Carvey, proÍessor de endocrinologia da Universidade do Alabama, afirmou: "Esta era do desenvolvimento de novas drogas para o tratamento da obesidade tem potencial para ser um marco na historia da medicina, semelhante ao da descoberta da insulina, da penicilina e da vacina contra a poliomielite".

Tudo começou há 40 anos, com um lagarto preto com manchas alaranjadas pelo corpo, venenoso, que vive nos desertos do México e do sudoeste dos Estados Unidos. O interesse pelo monstro-de-gila veio da habilidade para regular o metabolismo e os níveis de glicose no sangue por longos períodos, mesmo na falta de alimentos. Num exemplo da importância da pesquisa básica para o desenvolvimento da ciência, um grupo do National Institutes of Health isolou várias substâncias presentes no veneno. Uma delas, a exendina-4, estimulava o pâncreas do animal a produzir e liberar insulina.

Curiosamente, a exendina-4 apresentava configuração molecular semelhante à do hormônio humano GLP-1, que estimula a produção de insulina em resposta ao aumento da concentração de glicose na corrente sanguínea. Mas, enquanto a ação do GLP-I dura minutos, a de exendina-4 se mantem por horas.

No diabetes tipo 2, a dificuldade para controlar os níveis de açúcar no sangue está ligada ao comprometimento da produção e da ação da insulina. Como a exendina-4 mimetiza a função do GLP-1, porém de modo mais sustentável, a logica foi testá-la no tratamento do diabetes.

Nos estudos que precederam o lançamento, ficou evidente que os pacientes perdiam peso.

 Em paralelo, o laboratório dinamarquês Novo Nordisk seguia outra linha: sabendo que a ação fugaz do GLP-1 limitava o uso, a atenção foi voltada para o prolongamento de sua persistência na corrente sanguínea. Os estudos levaram ao licenciamento da liraglutida, o princípio ativo de dois medicamentos: Saxenda e Victosa, que ainda tinham o inconveniente de requerer a administração de injeções diárias.

No intento de reduzir a frequência das injeções, os pesquisadores da farmacêutica descobriram que a introdução de uma molecula de ácido graxo à de  liraglutida aumentava substancialmente a duração do efeito. Essa versão do GLP 1 foi a semaglutida, comercializada com os nomes de Ozempic e Wegovy, para controle do diabetes tipo 2.

A observação de que os pacientes tratados experimentavam reduções significantes do peso motivou a companhia a iniciar o estudo Step 1, no qual participantes com IMC na faixa de obesidade foram tratados com injeções semanais de semaglutida durante 68 semanas. Em mais da metade, a perda foi acima de 15% do peso, contra 57o no grupo controle que recebeu apenas aconselhamento.

Estudos posteriores mostraram que os benefícios não se limitavam ao emagrecimento. A droga é capaz de reduzir o risco de complicações na insuficiência renal crônica e de eventos cardiovasculares fatais e não fatais, entre outros benefícios associados às alterações metabólicas causadas pela perda de peso.

É inegável que essas drogas estão revolucionando o tratamento da obesidade, mas custam muito caro, provocam reações adversas e precisam ser mantidas por tempo indeterminado. Compará-las à penicilina e à vacina da polio é certamente um exagero.


 Adaptado de: https://gauchazh.clicrbs.com.brlcolu nistas/drauziovarella/noticia/2026/03 / como-o veneno de um lagarto-deu-inicio-auma-revolucao-no tratamento da-obesidadecmn7q0fyz01 | b01 5vsbf4z4rw.html

No fragmento a introdução de uma molécula de ácido graxo à de liraglutida aumentava substancialmente a duração do efeito, verifica-se o uso obrigatório do acento indicativo de crase. Em relação a isso, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: No trecho "a introdução de uma molécula de ácido graxo à de liraglutida aumentava substancialmente a duração do efeito", o acento grave assinala a fusão da preposição "a", exigida pela construção, com o pronome demonstrativo "a", equivalente a "aquela"; por isso, a forma subentendida é "àquela de liraglutida", o que invalida as alternativas que falam em artigo, pronome pessoal ou locução adverbial.

Tema central: Crase com pronome demonstrativo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque classifica o segundo elemento como pronome pessoal. Em "à de liraglutida", o "a" não é pronome pessoal; ele retoma implicitamente "molécula" e equivale a "aquela", portanto é pronome demonstrativo.
B
Errada
Está errada porque inventa uma locução adverbial e um "adjetivo restritivo de modo" que não existem no trecho. "À de liraglutida" não exprime circunstância de modo; integra a estrutura nominal do enunciado por retomada elíptica de "molécula".
C
Errada
Está errada porque atribui o uso da crase unicamente a uma locução adverbial feminina de instrumento. A base exclui essa leitura: o segmento não tem valor instrumental, e a crase decorre da fusão entre preposição "a" e pronome demonstrativo "a".
D
Errada
Está errada porque não há dois artigos definidos femininos no trecho. Além disso, o "a" craseado não caracteriza "liraglutida"; ele retoma elipticamente "molécula". A análise por duplicação de artigos é gramaticalmente inadequada para essa construção.
E
Certa
A alternativa E identifica corretamente a estrutura do trecho: há fusão da preposição "a" com o pronome demonstrativo "a", equivalente a "aquela". Esse demonstrativo retoma implicitamente o substantivo já expresso antes, "molécula", formando a leitura desenvolvida "a introdução de uma molécula de ácido graxo àquela de liraglutida". Portanto, o acento grave se explica por retomada elíptica com demonstrativo, exatamente como afirma a alternativa.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre crase por preposição + artigo e crase por preposição + pronome demonstrativo, além de induzir o candidato a enxergar locução adverbial apenas porque há acento grave.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de concluir que há artigo feminino, teste se o "a" pode ser expandido para "aquela"; se puder, trata-se de pronome demonstrativo.
  • Verifique se o trecho com crase realmente exprime circunstância adverbial; se integrar um sintagma nominal, a explicação por locução adverbial cai.
  • Quando houver elipse de um substantivo já mencionado, observe se a crase marca retomada desse nome por demonstrativo.

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