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Q4191615 Medicina
Mulher, 80 anos, realiza ecocardiograma para investigação de sopro sistólico e dispneia aos esforços. O exame demonstra fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 65%, calcificação importante da valva aórtica, área valvar aórtica de 0,8 cm², gradiente sistólico máximo VE-Ao de 60 mmHg e médio de 25 mmHg.
Na sequência da investigação, qual exame é indicado para confirmar se a estenose aórtica é importante?
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Há discordância entre os parâmetros ecocardiográficos: área valvar aórtica de 0,8 cm² sugere estenose importante, mas o gradiente médio de 25 mmHg está abaixo do critério clássico de gravidade, com FEVE preservada de 65%. Nesse cenário de estenose aórtica de gravidade incerta com baixo gradiente e função ventricular preservada, a tomografia com escore de cálcio valvar aórtico é o exame indicado para confirmar se a estenose é realmente importante.

Tema central: Estenose aórtica discordante
Análise das alternativas
A
Errada
O ecocardiograma sob estresse com baixas doses de dobutamina é o teste funcional classicamente usado no baixo fluxo/baixo gradiente com FEVE reduzida para distinguir estenose verdadeiramente grave de pseudograve. Aqui a FEVE é 65%, então não é o cenário típico de indicação prioritária desse exame.
B
Errada
O ecocardiograma transesofágico pode oferecer melhor detalhamento anatômico, mas não é o exame validado pela base para resolver a dúvida central desta questão, que é confirmar gravidade em estenose aórtica calcífica com discordância entre área valvar e gradiente. Nesse contexto, o método indicado é a quantificação do cálcio valvar por tomografia.
C
Errada
O strain avalia deformação miocárdica e disfunção ventricular subclínica. Isso não confirma a gravidade anatômico-hemodinâmica da estenose aórtica. O problema da questão é definir severidade valvar diante de parâmetros discordantes, não detectar comprometimento longitudinal do ventrículo.
D
Certa
A tomografia com escore de cálcio valvar é o método recomendado quando há área valvar ≤1,0 cm², mas gradiente médio <40 mmHg, porque esse padrão gera dúvida sobre a gravidade real da estenose. No caso, a FEVE está preservada, o que afasta a indicação clássica de dobutamina em baixa dose e direciona a confirmação para a quantificação do cálcio valvar. A própria base destaca que, em mulheres, há limiar sexo-específico de cálcio que ajuda a confirmar estenose grave.
E
Errada
O cateterismo cardíaco não é o próximo exame indicado de rotina para esclarecer essa dúvida diagnóstica quando já existe ecocardiograma e a incerteza é sobre gravidade em cenário discordante. A base é explícita ao apontar a confirmação preferencialmente não invasiva com tomografia e escore de cálcio valvar.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre qualquer estenose aórtica de baixo gradiente e indicação automática de dobutamina. O dado que muda a escolha é a FEVE preservada, somada à discordância entre área valvar e gradiente, situação em que a diretriz indicada na base favorece a tomografia com escore de cálcio valvar.
Dica para questões semelhantes
  • Se a área valvar for ≤1,0 cm², mas o gradiente médio for <40 mmHg, não conclua gravidade apenas pelo eco basal: reconheça a discordância.
  • Em estenose aórtica de gravidade incerta com baixo gradiente e FEVE preservada, pense em tomografia com escore de cálcio valvar como exame confirmatório.
  • Reserve a dobutamina em baixa dose para o cenário clássico de baixo fluxo/baixo gradiente com FEVE reduzida.
  • Não classifique formalmente o fenótipo de fluxo sem os dados necessários; mesmo assim, a discordância AVA-gradiente com FEVE preservada já sustenta a escolha da tomografia.

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