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Q1374567 Português
Educação: reprovada

    Há quem diga que sou otimista demais. Há quem diga que sou pessimista. Talvez eu tente apenas ser uma pessoa observadora habitante deste planeta, deste país. Uma colunista com temas repetidos, ah, sim, os que me impactam mais, os que me preocupam mais, às vezes os que me encantam particularmente. Uma das grandes preocupações de qualquer ser pensante por aqui é a educação. Fala-se muito, grita-se muito, escreve-se, haja teorias e reclamações. Ação? Muito pouca, que eu perceba. Os males foram-se acumulando de tal jeito que é difícil reorganizar o caos.

    Há coisa de trinta anos, eu ainda professora universitária, recebíamos as primeiras levas de alunos saídos de escolas enfraquecidas pelas providências negativas: tiraram um ano de estudo da meninada, tiraram latim, tiraram francês, foram tirando a seriedade, o trabalho: era a moda do “aprender brincando”. Nada de esforço, punição nem pensar, portanto recompensas perderam o sentido. Contaram-me recentemente que em muitas escolas não se deve mais falar em “reprovação, reprovado”, pois isso pode traumatizar o aluno, marcá-lo desfavoravelmente. Então, por que estudar, por que lutar, por que tentar?

    De todos os modos facilitamos a vida dos estudantes, deixando-os cada vez mais despreparados para a vida e o mercado de trabalho. Empresas reclamam da dificuldade de encontrar mão de obra qualificada, médicos e advogados quase não sabem escrever, alunos de universidades têm problemas para articular o pensamento, para argumentar, para escrever o que pensam. São, de certa forma, analfabetos. Aliás, o analfabetismo devasta este país. Não é alfabetizado quem sabe assinar o nome, mas quem o sabe assinar embaixo de um texto que leu e entendeu. Portanto, a porcentagem de alfabetizados é incrivelmente baixa.

    Agora sai na imprensa um relatório alarmante. Metade das crianças brasileiras na terceira série do elementar não sabe ler nem escrever. Não entende para o que serve a pontuação num texto. Não sabe ler horas e minutos num relógio, não sabe que centímetro é uma medida de comprimento. Quase a metade dos mais adiantados escreve mal, lê mal, quase 60% têm dificuldades graves com números. Grande contingente de jovens chega às universidades sem saber redigir um texto simples, pois não sabem pensar, muito menos expressar-se por escrito. Parafraseando um especialista, estamos produzindo estudantes analfabetos.

    Naturalmente, a boa ou razoável escolarização é muito maior em escolas particulares: professores menos mal pagos, instalações melhores, algum livro na biblioteca, crianças mais bem alimentadas e saudáveis – pois o estado não cumpre o seu papel de garantir a todo cidadão (especialmente a criança) a necessária condição de saúde, moradia e alimentação.

    Faxinar a miséria, louvável desejo da nossa presidenta, é essencial para nossa dignidade. Faxinar a ignorância – que é uma outra forma de miséria – exigiria que nos orçamentos da União e dos estados a educação, como a saúde, tivesse uma posição privilegiada. Não há dinheiro, dizem. Mas políticos aumentam seus salários de maneira vergonhosa, a coisa pública gasta nem se sabe direito onde, enquanto preparamos gerações de ignorantes, criados sem limites, nada lhes é exigido, devem aprender brincando. Não lhes impuseram a mais elementar disciplina, como se não soubéssemos que escola, família, a vida, sobretudo, se constroem em parte de erro e acerto, e esforço. Mas, se não podemos reprovar os alunos, se não temos mesas e cadeiras confortáveis e teto sólido sobre nossa cabeça nas salas de aula, como exigir aplicação, esforço, disciplina e limites, para o natural crescimento de cada um?

    Cansei de falas grandiloquentes sobre educação, enquanto não se faz quase nada. Falar já gastou, já cansou, já desiludiu, já perdeu a graça. Precisamos de atos e fatos, orçamentos em que educação e saúde (para poder ir a escola, prestar atenção, estudar, render e crescer) tenham um peso considerável: fora isso, não haverá solução. A educação brasileira continuará, como agora, escandalosamente reprovada.

(Lya Luft. Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/feira-livre/educacao-reprovada-um-artigo-de-lya-luft/.)
De acordo com o contexto, assinale a alternativa cuja palavra sublinhada apresenta o significado INCORRETO.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: Alternativa A

Tema central: Esta questão trabalha interpretação de texto e semântica, exigindo do candidato a compreensão exata do significado das palavras em contexto e a identificação do sinônimo incorreto.

Justificativa da alternativa correta:

No trecho “Aliás, o analfabetismo devasta este país.”, o termo devastar significa destruir, arruinar ou causar grande dano. O sinônimo proposto, resguarda, tem significado oposto: proteger, preservar, defender. Isso caracteriza uma inversão semântica grave, tornando a associação totalmente incorreta. Essa análise segue a orientação de obras como Bechara (2009), que reforçam a importância do contexto e do uso preciso do vocabulário.

Regra aplicada: Segundo a gramática normativa, sinônimos precisam guardar sentido aproximado ao da palavra original, especialmente em interpretações textuais (vide Cunha & Cintra). A associação de antônimos ou opostos resulta em erro semântico.

Análise das demais alternativas:

B) “Grandiloquentes” = retumbantes.
Ambas passam a ideia de algo pomposo, grandioso ou impactante. São termos próximos em sentido, mesmo que não sinônimos perfeitos.

C) “Levas” = grupos.
Usa-se “leva” para conjuntos ou turmas de pessoas. O emprego de “grupos” está coerente.

D) “Contingente” = cota.
Embora “contingente” signifique “quantidade de pessoas”, e “cota” refira-se a uma porção fixa, o erro aqui é menos pronunciado do que na alternativa A porque há alguma relação de quantidade, diferentemente do oposto semântico entre “devasta” e “resguarda”.

Atenção para futuras questões: O segredo está em ler atentamente o contexto do termo no texto e desconfiar de alternativas que trazem palavras com sentido oposto, ou que não se encaixam semântica ou funcionalmente no contexto.

Referências: Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Cunha & Cintra, Gramática do Português Contemporâneo.

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Comentários

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GABARITO: A

Queremos a alternativa que não corresponde ao significado da palavra grifada.

devastar: 1. destruir, arrasar, assolar, destroçar, acabar, rasar, talar, varrer, depredar, aniquilar, dizimar, avassalar. 2 danificar, arruinar, estragar, danar, deteriorar, prejudicar, lesar. 3 despovoar, desolar, desabitar, desertar, depopular, ermar.

resguardar: . 1. Ação de guardar com cautela e dedicação; 2. Acolher, abrigar ou hospedar; agasalhar ou cobrir; 3. Ação de proteger ou de defender algo ou alguém.

A questão é sobre sinônimos e quer que marquemos a alternativa cuja palavra sublinhada apresenta o significado INCORRETO. Vejamos: 

 .

A) “Aliás, o analfabetismo devasta este país.” (3º§) / resguarda

Errado.

Devastar: causar dano a; arruinar, danificar.

Resguardar: guardar cuidadosamente; defender.

 .

B) “Cansei de falas grandiloquentes sobre educação,...” (7º§) / retumbantes

Certo.

Grandiloquente: que tem grandiloquência (grandiosidade) na forma de se expressar, no estilo; pomposo, bombástico. Que se caracteriza pela grandiloquência; grandíloco, grandíloquo.

Retumbante: que retumba ou estrondeia; que faz ruído intenso.

 .

C) “... recebíamos as primeiras levas de alunos saídos de escolas enfraquecidas...” (2º§) / grupos

Certo.

Leva: grupo ou ajuntamento de pessoas ou de coisas; magote.

 .

D) “Grande contingente de jovens chega às universidades sem saber redigir um texto simples,...” (4º§) / cota

Certo.

Contingente: parte que cabe a cada um quando se procede a uma distribuição; cota, fração, parcela, quinhão.

 .

Referência: MICHAELIS. Michaelis Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, versão online, acessado em 21 de julho de 2021.

 .

Gabarito: Letra A  

Gab: A

nossa, errei de vacilo, nem terminei de ler as opções, as vezes a autoconfiança nos da uma rasteira hahahaha

A) “Aliás, o analfabetismo devasta este país.” (3º§) / resguarda

Errado.

Devastar: causar dano a; arruinar, danificar.

Resguardar: guardar cuidadosamente; defender.

 .

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